Sem universidade tecnológica

Sem universidade tecnológica

Secretário do MEC adianta que o modelo de instituição não será autorizado pelo governo até o fim da gestão Lula. Anúncio, feito em fórum mundial de educação, atinge principalmente os estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro 

O Ministério da Educação (MEC) jogou, ontem, um balde de água fria nos planos de criação de novas universidades tecnológicas no Brasil. A medida atinge diretamente os estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro, que se articulam para transformar os atuais centros federais de educação tecnológica (Cefets) em universidades. Segundo o secretário de Educação Profissional e Tecnológica do MEC, Eliezer Pacheco, até o fim do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 2010, esse modelo de instituição não será autorizado devido à grande necessidade de formação de profissionais de nível técnico no país. O anúncio foi feito ontem, em Brasília, durante a abertura do Fórum Mundial de Educação Profissional e Tecnológica, que reúne, até o fim da semana, cerca de 15 mil pessoas, entre alunos, professores e especialistas na área de ensino.

A resistência do governo federal em permitir a criação das universidades tecnológicas é justificada pela implantação, em 2008, de um novo modelo de escola no país, os Institutos Federais de Educação Tecnológica (Ifets). No ano passado, todos os Cefets do Brasil foram convidados a mudarem de projeto pedagógico e se transformarem em Ifets, mas o Cefet de Belo Horizonte e do Rio de Janeiro não aderiram à proposta do MEC, sob o argumento de que preferiam se tornar universidades. O ministério conseguiu apoio das demais instituições e já inaugurou 38 Ifets, sendo cinco deles em Minas.

Para o secretário Eliezer, se os Cefets se transformarem em universidades, há risco de se acabar com o ensino profissional no país. “Não vamos criar novas universidades tecnológicas porque elas não oferecem cursos técnicos, ensino médio profissonalizante e educação de jovens e adultos voltadas para a formação técnica. Temos certeza de que os Cefets que se tornarem universidades logo irão seguir o caminho acadêmico e do bacharelado, sendo que o Brasil tem uma carência absurda de técnicos qualificados”, disse.

Para controlar a oferta desses cursos, o MEC criou uma legislação específica para os Ifets, que são obrigados por lei a reservar metade das vagas à oferta de cursos técnicos de nível médio. Já as demais cadeiras devem ser destinadas para a educação superior, na proporção de 30% para cursos de engenharia e bacharelados tecnológicos e 20% para licenciatura em física, química, biologia e matemática. Segundo Eliezer, essa estratégia vai ajudar o país a reduzir o deficit de profissionais qualificados no mercado, que de acordo com o levantamento feito pelo MEC, é de 200 mil trabalhadores habilitados a ocuparem postos de trabalho com exigência de formação mínima.

Políticas públicas
O Cefet-MG reconheceu as divergências com o MEC e garantiu estar buscando apoio político e de outras universidades para garantir a criação da universidade tecnológica no estado. “O Cefet de Minas tem uma tradição muito diferente dos demais por oferecer cursos de graduação e pós-graduação desde a década de 1970. Por isso, não podíamos aderir ao projeto do governo federal, que vai reduzir a nossa autonomia como instituição e também amarrar o nosso orçamento devido à divisão de vagas. Se tivéssemos aceitado nos transformar em Ifet, vários cursos tradicionais de engenharia já teriam sido fechados, por exemplo”, explica o diretor-geral do Cefet-MG, Flávio Santos.

O Fórum Mundial de Educação Tecnológica, em Brasília, reúne especialistas, professores e alunos de 16 países em uma semana de conferências e debates. Os participantes estarão até sexta-feira no Centro de Convenções Ulysses Guimarães para apresentar projetos e experiências desenvolvidos no país. Além das mostras culturais, oficinas e painéis, os pesquisadores vão levantar propostas para integrar a plataforma mundial de educação, um documento que visa colaborar com a melhoria das políticas públicas voltadas para o ensino e a inclusão.

Glória Tupinambás – Correio Braziliense, 24/11

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