Seminário Andifes discute políticas de pós-graduação e pesquisa

A Associação Nacional dos Dirigentes de Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) promoveu na terça-feira, 30 de maio, seminário que discutiu as políticas de pós-graduação e pesquisa para o Brasil.  O evento contou com as contribuições do secretário de Educação Superior (Sesu/MEC), Paulo Barone;  o presidente da Capes, Abílio Baeta Neves; o presidente da Comissão Nacional de Acompanhamento do Plano Nacional de Pós-Graduação (PNPG), Jorge Audy e o presidente do CNPq, Mario Neto Borges, na mesa de abertura, e com o presidente da Academia Brasileira de Ciência, Luiz Davidovich e a diretora do Colégio de Pró-reitores de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação (Copropi), Maria Clorinda Fioravan, na segunda mesa.

Em sua fala, o secretário Paulo Barone ressaltou a importância dos eventos organizados pela Andifes para discutir os rumos da vida universitária e disse ainda que a questão da interdisciplinaridade e a extensão fora da academia ganharam dimensão, enquanto o aumento de recursos humanos para a pós-graduação permanece em debate.

Segundo Barone, é fundamental olhar para o adensamento da qualidade da produção científica e seu efetivo uso para proposituras de políticas públicas, como a criação de projetos que visam usar a força acadêmica da Universidades para recuperar condições econômicas e sociais de uma região ou seu desenvolvimento.

“Já está em vigência, como projeto piloto na Ufam e UFBA, propostas que destinam recursos para linhas prioritárias de trabalho. Queremos ampliar para mais instituições em que o programa possa dar contribuição importante para a sociedade. Outros pilotos estão sendo pensados. O primeiro em Campina Grande. Serão contempladas não apenas instituições federais ou públicas, mas todas aquelas que atendam a proposta do projeto”,

A tônica de Abílio Baeta Neves, presidente da Capes, durante o seminário, foi em torno do orçamento, que segundo ele, não é ideal, mas que possibilitaria avançar em cursos novos e a retomada de programas para o Norte do país. “O contingenciamento impediu a realização de alguns planos, entre eles, o do pró-equipamentos. Hoje, a ideia é retomar ações que visem reduzir as desigualdades e assimetrias que precisam ser corrigidas na pós-graduação”, disse. Baeta ainda afirmou que o cenário do fim de 2017 e começo de 2018 não está muito claro, mas que é possível que a área consiga algum tipo de ‘sopro’ para investimento em tecnologia. “Estamos buscando outras fontes para manter os recursos mínimos em pesquisa, inclusive, discutindo com as universidades, o programa de internacionalização, que é uma resposta ao problema estrutural do Ciência Sem Fronteiras. Foi feito um grande levantamento de informações, que serão devolvidas e discutidas com as universidades”, completou. Durante a oportunidade, Baeta também afirmou que deverá ser lançado um edital em meados de setembro de 2017 para o programa de internacionalização. Segundo ele, o programa deverá complementar o apoio já concedido aos pesquisadores ou grupos e que não substituirá o orçamento para esses projetos.

Sobre a avaliação de cursos, Abílio afirmou que deveriam ser realizados diferentes tipos de avaliação dos cursos superior, que respeitassem as dinâmicas das pós-graduações das IFES. Nesse sentido, as avaliações contemplariam as missões e modelos de cada uma das instituições e uma série de outros fatores que a diferem das demais.

Já o presidente da Comissão Nacional de Acompanhamento do PNPG, Jorge Audy, apresentou o relatório de indicadores da pós-graduação (2011-2020).  Segundo Audy, o número de novos programas de mestrado e doutorado está evoluindo abaixo da previsão do PNPG para até 2020. Porém, se considerado o número de alunos, ao invés de programas, as projeções mostram número superior ao previsto. Os mestrados profissionais são únicos que estão quase no limite superior da previsão.

Com relação às matrículas na pós-graduação, o crescimento de alunos no doutorado é o que obteve maior crescimento, superando as expectativas. Sobre investimentos da Capes na pós-graduação, o investimento tradicional se manteve, inclusive com um pequeno aumento em 2016. O que reduziu drasticamente foi a verba do Ciência Sem Fronteiras.

Em sua fala, Audy recomendou ainda, assim como Baeta, um novo modelo de avaliação dos programas e falou sobre internacionalização. Para ele, alinhado ao relatório que a Andifes elaborou sobre a temática, é necessário ter uma visão mais institucional da internacionalização, de forma estratégica e planejada, e não tão dependente do contato do contato do próprio aluno com universidades estrangeiras.

Sobre os dados que mostram a complexidade produtiva do país, o presidente da CNPq, Mario Borges, disse que há um desbalanceamento da importação e exportação de produtos. Na avaliação do CNPq, hoje o Brasil vai muito bem na produção de Ciência, razoável na produção de Tecnologia, mas muito fraco em Inovação. “O nosso principal desafio é transformar a ciência em inovação”, completou o presidente Mario Borges.

Na ocasião, Borges destacou a experiência do doutorado acadêmico como um dos programas de fomento da pós-graduação brasileira. Segundo ele, o CNPq tem parceria com instituições que levam a produção acadêmica para a indústria, e pontuou que o órgão está em busca de outras instituições que queiram adotar o modelo, que visa transformar a ciência efetivamente em desenvolvimento.

Na segunda mesa de debates, o presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Luiz Davidovich, citou alguns sucessos alcançados pelo Brasil, como as empresas importantes em pesquisa (Petrobrás, Embraer, Embrapa, Natura); a diversificação das atividades de pesquisa; a capacitação de grupos de pesquisa para enfrentar doenças emergentes; a estruturação de um sistema de avaliação de pesquisadores da pós-graduação; a formação de mais de 16 mil doutores por ano, e apontou os principais obstáculos, como o financiamento precário, a reduzida presença de instituições públicas na educação superior e a avaliação deficiente de projetos com tendência de desperdício de recursos.

Davidovich também apresentou gráfico que mostra a evolução da contratação de doutores na rede pública em paralelo com a redução da contratação dos mesmos profissionais na rede privada. “A interação com a indústria é importante, mas é fundamental incitar os pesquisadores com relação às fronteiras e avanços do desenvolvimento, e mantê-los estimulados”, defendeu.

De acordo com a diretora do Copropi, Maria Clorinda Fioravan a constante capacitação das pessoas, infraestrutura e investimento permanente são as três premissas para a ciência, e destacou que os diferenciais da pós, no Brasil, são: o Programa de Iniciação Científica, que não existe em outros lugares do mundo; Sistema de Pós-Graduação, que foi fundamental para passar da inflexão de quantidade para qualidade; Portal de Periódicos e a Plataforma Lattes de Currículos.

Por outro lado, Clorinda afirmou que apesar da universidade pública ser a principal fonte geradora de conhecimento, o conhecimento é pouco protegido e de difícil acesso para a sociedade. Segundo ela, os principais desafios são aumentar produção cientifica em qualidade e quantidade; internacionalizar; ampliar comunicação da ciência com a sociedade e transformar o conhecimento em desenvolvimento. “A pesquisa só acaba na apropriação e não na produção. Para isso é necessário que se pense urgentemente em novos formatos de difusão de conhecimento e na valorização, por parte das agências de fomento, da difusão do conhecimento”, destacou.

Para encerrar, a diretora do Copropi falou sobre a necessidade de uma política de estado para CT&I, que não seja frágil à política de governo, com estabilidade no financiamento e valorização do pesquisador.

Ascom/Andifes

 

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