Sisu amplia mobilidade estudantil entre os cursos da UFMG

Sisu amplia mobilidade estudantil entre os cursos da UFMG

Levantamento da Prograd indica transformações no perfil discente da UFMG após adesão ao Sisu; mobilidade entre cursos está entre as mudanças mais expressivas

A adesão da UFMG ao Sistema de Seleção Unificada (Sisu) ampliou a mobilidade acadêmica interna, com a maioria dos cursos perdendo e recebendo expressivos contingentes de alunos entre um semestre e outro. Das 71 opções com duas entradas em 2014, somente duas não perderam alunos para outros cursos da própria UFMG no Sisu 2014/2 e 27 não receberam estudantes oriundos de outras formações. Esse é um dos cenários que concorrem para a configuração do novo perfil do alunado da UFMG, apresentado no fim do mês passado, na primeira de uma série de reuniões que serão organizadas pela Pró-reitoria de Graduação (Prograd) para discutir as mudanças pelas quais deve passar a graduação na UFMG.

Segundo o pró-reitor Ricardo Takahashi, esse novo contexto, motivo de preocupação e atenção, exige a adaptação da Universidade. “Precisamos desenvolver estratégias internas para encarar essa mobilidade precoce, uma vez que, por meio do Sisu, o estudante ocupa nova vaga ofertada pela Universidade, deixando desocupada a sua vaga anterior”, sustenta.

Competitividade e origem

Dados apurados pelo Setor de Estatística da Prograd mostram que, em 2014, cerca de 200 mil pessoas se inscreveram para ingressar na UFMG, número quatro vezes superior ao de 2013, quando a Universidade utilizava a prova do Enem como primeira etapa no concurso vestibular.

De acordo com o pró-reitor, o Sisu acirrou a disputa pelo ingresso nos cursos da Universidade. Em primeiro lugar, ele lembra que o novo sistema facilitou o acesso ao exame de seleção a jovens do interior de Minas e de todas as regiões do país. Em segundo lugar, alterou profundamente a dinâmica de competição pelas vagas. “Hoje, a estratégia do candidato para entrada é bastante diferente da adotada na época do Vestibular. Se antes, ele fazia o vestibular após ter escolhido um curso específico, hoje ele faz a prova do Enem e avalia, com base no seu desempenho e na informação sobre as notas de corte divulgadas pelo MEC, as opções de cursos e instituições que, ao mesmo tempo, lhe interessam e estão ao seu alcance. Um candidato que, de antemão, souber que será reprovado não se inscreverá em determinado curso, candidatando-se a outro. Esse rearranjo de escolhas causa um aumento das notas necessárias para aprovação”, analisa Ricardo Takahashi.

Em relação à origem dos candidatos, o estudo da Prograd revela que mais de 90% dos alunos da UFMG ainda são provenientes de Minas Gerais, mesmo com o aumento do percentual de alunos oriundos de outros estados, que passou de 3,30%, em 2011, para 6,68%, em 2015.

Mudanças circunstanciais

Em um primeiro momento, a adesão ao Sisu também trouxe alterações no perfil do corpo discente que, segundo o pró-reitor, merecem ser acompanhadas com cuidado. Em 2014, concomitantemente com a implantação do Sisu, a UFMG aplicou a Lei de Cotas, que estabeleceu, naquele ano, reserva de 25% das vagas nas universidades públicas aos candidatos que tivessem cursado o ensino médio integralmente em escola pública, com subdivisões para candidatos com renda familiar per capita abaixo de 1,5 salário-mínimo e para autodeclarados pretos, pardos ou indígenas.

“Em 2014, notamos, em relação ao ano anterior, uma redução no ingresso de alunos da Região Metropolitana de Belo Horizonte [de 16,89% para 14,20%] e na presença de estudantes egressos da rede pública estadual [de 30,58% para 25,24%]”, compara Takahashi. Também foi registrada queda nos índices dos que se autodeclaram negros (de 9,85% para 6,55%) e pardos (de 36,95% para 32,85%), e dos estudantes com renda familiar total de até cinco salários-mínimos (de 48,95% para 42,33%).

Neste ano, com a elevação do percentual da reserva de vagas para 37,5%, essas três quedas foram parcialmente revertidas, e os percentuais voltaram a subir, sem ainda retornar aos patamares anteriores a 2014. “A implantação total da Lei de Cotas [que estabelece que o patamar da reserva de vagas passará a ser de 50% a partir de 2016] pode reverter essas mudanças no perfil do corpo discente da UFMG”, acredita o professor.

Para ele, a implantação do Sisu provocou, em um primeiro momento, a elitização do público ingressante. “Nesse sentido, a Lei de Cotas cumpre papel compensatório, evitando um processo de exclusão socioeconômica na porta de entrada da Universidade”, avalia.

Hugo Rafael – Boletim UFMG

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