Tese de mestrado da UFMG mostra kit de baixo custo para monitorar qualidade da água

Tese de mestrado da UFMG mostra kit de baixo custo para monitorar qualidade da água

Produzir um kit alternativo para que o próprio produtor rural possa monitorar frequentemente a qualidade de água subterrânea represada e/ou armazenada em sua propriedade. Foi com esse propósito que o engenheiro químico Luiz Gomes Junior conduziu suas pesquisas durante o mestrado em Ciências Agrárias/Agroecologia do Instituto de Ciências Agrárias (ICA) da UFMG, no campus regional de Montes Claros. O resultado foi apresentado durante a defesa da dissertação Formas alternativas de avaliação da qualidade de água subterrânea e represada na região semiárida de Minas Gerais.

Entre os indicadores da qualidade da água que podem ser aferidos por meio do kit estão pH, turbidez, cor e teor de cloro. Luiz explica que eles estão entre os cinco parâmetros de potabilidade definidos pela portaria 518 do Ministério da Saúde. O kit só não avalia a presença de coliformes fecais, quinto parâmetro estabelecido pela referida portaria: “Se o teor de cloro estiver dentro dos parâmetros, o produtor vai ter garantia de que não há coliformes fecais na água”. Além desses, o kit permite ao usuário realizar mais um teste, o de teor de nitrito, que pode indicar a contaminação da água por esgoto doméstico ou efluentes industriais.

De acordo com Luiz Gomes Junior, o kit alternativo foi desenvolvido com base na realidade das famílias da comunidade rural do Planalto, no município de Montes Claros, onde a água para consumo humano é captada, principalmente, do subterrâneo, por meio de poços artesianos. “Eles anseiam por saber a qualidade da água que consomem”, justifica, lembrando que esse controle pode ser uma forma eficiente de evitar que os moradores locais contraiam doenças de veiculação hídrica.

Simples e barato

Para garantir que sua proposta fosse realmente uma alternativa eficiente em relação aos testes laboratoriais – inacessíveis aos pequenos produtores rurais -, Luiz teve que apostar em funcionamento simples e baixo custo. O kit é composto por um manual de instruções, dois frascos conta-gotas com reagentes para testes de nitrito e pH; dois frascos com reagentes para teste de cloro; cinco tubos de ensaio, espátulas e cinco tabelas colorimétricas. O pesquisador conta que já levou o material para os produtores rurais do Planalto e eles mesmos fizeram os testes. “Basta ler o manual”, garante.

O custo do material para montar o kit – excluída a mão-de-obra – foi estimado pelo pesquisador em R$ 25,00. “Isso é suficiente para realizar as cinco análises diárias durante um mês”, explica Luiz. Segundo ele, em um laboratório convencional, seria necessário desembolsar cerca de R$ 100,00 para fazer as cinco análises na água, uma única vez.

Assessoria de Comunicação do Instituto de Ciências Agrárias /UFMG
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