Ufac inaugura alojamentos do Centro de Arqueologia e Antropologia Indígena

Ufac inaugura alojamentos do Centro de Arqueologia e Antropologia Indígena

A Universidade Federal do Acre (Ufac) inaugurou na manhã de hoje, 24, o Centro de Arqueologia e Antropologia Indígena da Amazônia Ocidental (Caainam), no campus Rio Branco. Na ocasião foi entregue o primeiro de três alojamentos a serem construídos no local.

O alojamento tem capacidade para abrigar trinta pessoas e destina-se a ações de ensino, pesquisa e extensão para os povos indígenas. “Temos uma programação de atividades que vamos realizar em promoção dos povos indígenas do Acre, sul do Amazonas, Rondônia e indígenas da fronteira com Peru e Bolívia”, disse o diretor do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH), Jacó Cesar Piccoli. “É uma honra iniciar as atividades do Caainam na Ufac. Estamos promovendo um processo de inclusão na Ufac. A Universidade só tem a ganhar com o diálogo entre o conhecimento científico e os saberes dos povos indígenas”, ressaltou Piccoli.

A instituição tem planos de implantar o curso de Licenciatura em Formação Docente para Indígenas no campus de Rio Branco. Este curso é atualmente ofertado no campus de Cruzeiro do Sul. “Pretendemos ter um curso de graduação aqui em Rio Branco para atender aos povos indígenas. E para isso eles precisam ter um espaço para ficar dentro da Universidade,” disse o reitor na Ufac, Minoru Kinpara. “Este espaço que estamos inaugurando hoje representa o respeito da Ufac com os alunos e a comunidade indígena”, ressaltou Kinpara.

O alojamento também será utilizado por alunos de outros cursos e de outras universidades. O que vai gerar uma redução de custos para a Ufac durante a realização de eventos. O alojamento já foi utilizado para abrigar alunos que participaram do 45º Congresso de Estudantes de Engenharia Florestal. “Além de redução de custos é um espaço que dá conforto para os alunos que participam de eventos na Ufac”, pontuou Kinpara.

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O local recebe o nome de Leôncio Miguel de Lima Apurinã, conhecido como “Ariuca”. É uma homenagem a uma liderança indígena que lutou pela aproximação da Universidade com os povos indígenas para registro do conhecimento. Principalmente o conhecimento sobre plantas e ervas medicinais.

Uma das lideranças que iniciou a luta pela demarcação das terras indígenas no Acre, ainda na década de 1970. Depois de um amplo processo de conflito, os Apurinãs conseguiram a identificação e demarcação das terras indígenas do quilômetro 124 e do 125 da estrada Rio Branco – Boca do Acre (BR-317). A partir da definição da terra indígena, no quilômetro 124, “Ariuca” passou a lutar pelo cumprimento, por parte do poder público, da assistência à saúde e à educação, conseguindo a implantação de uma escola de ensino fundamental na Aldeia Kamapã do quilômetro 124.

No campo da cultura foi um dos grandes incentivadores do movimento de preservação e valorização da cultura Apurinã, chegando a construir no interior da terra indígena um centro cerimonial destinado à recuperação dos valores culturais nativos. Este centro representava um grande avanço, considerando que os Apurinã da região estão classificados como indígenas miscigenados e significou uma retomada dos valores culturais em um meio em que os valores nativos estavam sendo preteridos.

Texto/Foto: Ascom UFAC

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