UFAL mostra papel de comunidades na preservação da tartaruga da Amazônia

Nascimento da tartaruga da Amazônia. Foto: acervo do pesquisador

Animal de grande importância para o equilíbrio da natureza e a cultura dos povos ribeirinhos, a população de tartaruga da Amazônia diminuiu, ao longo do tempo, em vários rios da região por causa da grande exploração. A caça predatória, em busca de sua carne e ovos, colocou a espécie na lista de animais que precisam de proteção. 

A boa notícia é que a própria comunidade resolveu se engajar para preservar o maior quelônio de água doce brasileiro. Os dados e a análise dessa realidade fazem parte de um estudo realizado por pesquisadores das universidades federais de Alagoas (Ufal), da Amazônia (Ufam), e inglesas Anglia Ruskin e East Anglia. A pesquisa originou um artigo publicado, no mês de novembro, na importante revista Nature SustainabilityClique aqui para conferir.

Com o título Unintended multispecies co-benefits of an Amazonian community-based conservation programme, “o estudo mostra que as próprias comunidades rurais estão desempenhando um papel central na preservação desse recurso”, explica um dos responsáveis pelo trabalho, o pós-doutorando e pesquisador associado ao programa Diversidade Biológica e Conservação nos Trópicos (Dibict), do Instituto de Ciências Biológicas (ICBS) da Ufal, João Vitor Campos e Silva.

Ao explicar como se dá a participação das comunidades na preservação da espécie, Silva relata que os moradores “constroem casas de madeira na frente da praia, onde permanecem cinco meses em intensa vigilância”. “Os comunitários impedem que invasores pesquem as tartarugas e roubem seus ovos. Elas representam um dos recursos de maior valor econômico e cultural na Amazônia. Devido a alta pressão, as populações foram drasticamente reduzidas em muitos rios, o que faz dela uma espécie bastante ameaçada”, conta.

A pesquisa, esclarece Silva, foca na conservação comunitária como uma forma válida para proteção de espécies ameaçadas de extinção. O pesquisador destaca que “o envolvimento comunitário é eficiente, pois as comunidades locais conseguem proteger a natureza de uma forma bem mais eficaz que o governo”.

Ele defende que, junto à preservação ambiental, é importante considerar a qualidade de vida dos moradores ribeirinhos. “Dificilmente, haverá futuro para Amazônia sem o envolvimento das populações tradicionais na conservação da biodiversidade”, alerta. “Todo mundo quer melhorar sua qualidade de vida. Se isso não for feito via conservação, será feito via atividades que degradam a natureza. Além de ser socialmente justo que as comunidades rurais tenham direito a uma vida melhor, temos mostrado que elas representam as ferramentas mais eficazes para conciliar o desenvolvimento local com a conservação da biodiversidade”, argumenta.

Doutor em ecologia e com dez anos de estudos sobre a Amazônia, João Silva é um defensor da floresta amazônica. Segundo ele, “preservar a biodiversidade amazônica é um grande dever e um legado para a humanidade”. O pesquisador justifica que “a Amazônia representa uma das últimas fronteiras do conhecimento humano em termos de ambientes naturais. Ali está presente a história evolutiva de espécies e civilizações que ainda nem sonhamos em conhecer. Remédios a serem descobertos, alimento para milhões de famílias e muitas fontes de renda para os brasileiros”. E acrescenta: “Além disso, a floresta abriga serviços ecossistêmicos de importância global inquestionável, incluindo a regulação do clima e dos regimes de chuvas”. 

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