UFES participa de estudo inédito sobre novo tratamento para sífilis

UFES participa de estudo inédito sobre novo tratamento para sífilis

Médicos da Organização Mundial da Saúde (OMS), representantes do Ministério da Saúde (MS) e das Universidades Federais de Santa Catarina (UFSC) e do Ceará (UFC) estarão na Ufes nesta quinta e sexta-feiras, 22 e 23 de agosto, no Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes (Hucam), para uma visita técnica. O encontro dá início a um estudo inédito que objetiva avaliar a eficácia de um tratamento alternativo para a cura da sífilis com o medicamento cefixima.

A visita contará com as presenças das médicas Melainie Taylor e Edna Kara, do Departamento de Saúde Reprodutiva e Pesquisa da OMS de Genebra, da técnica do MS Silvana Giozza, de Maria Alix Leito, da Universidade Federal do Ceará (UFC) e de Maria Luiza Bazzo, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

A cefixima é um remédio utilizado mundialmente para o tratamento de outras doenças sexualmente transmissíveis, como a gonorreia, por exemplo. No entanto, é a primeira vez que essa droga será testada para tratar a sífilis.

“O estudo é um ensaio clínico que será realizado pela primeira vez e que vai avaliar a eficácia do antibiótico cefixima no tratamento da sífilis precoce em mulheres não grávidas, já que boa parte dos casos no mundo ocorre em gestantes. A identificação precoce dos casos de sífilis com subsequente tratamento proporcionará a eliminação de riscos de manifestações clínicas severas, reduzirá a transmissão para o parceiro e o recém-nascido e diminuirá os custos gerais com a saúde”, explica a coordenadora da pesquisa no Espírito Santo, a professora do Departamento de Medicina Social da Ufes Angélica Espinosa Barbosa, que é coordenadora-geral de Vigilância das Infecções Sexualmente Transmíssiveis (IST) do MS.

A pesquisa será realizada em três cidades brasileiras: Fortaleza (CE), Vitória (ES) e Pelotas (RS) e é patrocinada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e Ministério da Saúde (MS). Na capital capixaba, os dados serão coletados no Hospital Universitário Cassiano Antonio Moraes (Hucam).

Os dados coletados em Vitória serão enviados à UFSC para análise laboratorial. A pesquisa deve durar cerca de dois anos e contará ainda com a participação de professores da Ufes e profissionais do Hucam.

Doença

Causada pela bactéria Treponema pallidum, a sífilis é uma infecção sexualmente transmissível e também pode ser passada de mãe para filho, durante a gestação.

Ela provoca feridas na região contaminada, febre, mal estar e manchas no corpo. A longo prazo, a doença pode causar problemas cardiovasculares e neurológicos. Se transmitida da mãe para o bebê, a criança pode nascer com problemas ósseos, deficiência mental ou cegueira em decorrência da sífilis congênita.

O Brasil é um dos diversos países que têm números alarmantes de casos de sífilis entre homens, mulheres não grávidas e gestantes. Em 2016, o número passou a ser de 58,1 casos para 100 mil pessoas. A soma de todos os casos notificados no Brasil em 2017 é 119.800. Os dados são do Boletim Epidemiológico de Sífilis de 2018, divulgado pelo Ministério da Saúde.

No estado do Espírito Santo, em 2017, foram notificados 3.706 casos de sífilis adquirida, 1.596 casos de sífilis em gestantes e 734 casos de sífilis congênita, dos quais dois resultaram em óbito. O número de casos de sífilis adquirida apresentou um aumento de 2,5 vezes mais se comparados aos números de 2012 (1.469). O estado possui a 2ª maior taxa de detecção de sífilis adquirida no cenário nacional, com 87,9 casos para cada 100.000 habitantes, atrás apenas do Rio Grande do Sul. O município de Vitória é a capital com a 2º maior taxa de detecção, com 190 casos para cada 100 mil habitantes, atrás apenas de Florianópolis, conforme o Boletim Epidemiológico 2017, do Ministério da Saúde.

De acordo com a OMS, a sífilis atinge mais de 12 milhões de pessoas em todo o mundo e sua eliminação continua a desafiar globalmente os sistemas de saúde. Entre os motivos para o aumento de casos está a falta de informação sobre a doença, que se não for tratada com antecedência, pode causar danos cerebrais irreversíveis e levar até a morte.

Compartilhar