UFF é selecionada para o Programa da CAPES de combate ao derramamento de óleo nos mares

UFF é selecionada para o Programa da CAPES de combate ao derramamento de óleo nos mares

 

Crédito da fotografia: Divulgação

Em agosto de 2019, ocorreu o derramamento de petróleo cru que atingiu mais de dois mil quilômetros da costa das regiões Nordeste e Sudeste do Brasil. Considerado o maior episódio de vazamento de óleo no país em termos de extensão, as manchas provocaram uma tragédia ambiental que abrangeu foz de rios, pontos de captação de água e unidades de conservação. Até outubro passado, a contaminação havia chegado a mais de 200 localidades de vários municípios dos nove estados nordestinos.
Diante desse desastre, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) criou em novembro de 2019 o “Programa Entre Mares”. A iniciativa tem como objetivo apoiar programas de pós-graduação stricto sensu que, em suas linhas de pesquisa, tenham estudos direcionados à finalidade de combater, analisar o impacto e propor soluções para o vazamento de óleo, especialmente para a região Nordeste.


A proposta foi pensada em função do derramamento e da demanda apresentada pelo Grupo de Acompanhamento e Avaliação (GAA), criado no âmbito do Plano Nacional de Contingência (PNC) para a gestão de ações de resposta após a ocorrência da tragédia ambiental. O valor global do edital é de R$ 1.360.000,00 (um milhão, trezentos e sessenta mil reais). Cada projeto aprovado terá o valor máximo de financiamento de R$ 100.000,00 (cem mil reais) para despesas de custeio, com uma cota de bolsa de mestrado, que deverá ser implementada até o mês de junho de 2020.
Um dos doze projetos selecionados pelo Programa Entre Mares, dentre os 278 inscritos, foi intitulado “Avaliação dos prejuízos ambientais e socioeconômicos do derrame de óleo a médio e longo prazo”, do Laboratório de Radioecologia e Alterações Ambientais (LARA) da UFF, liderado pelo professor de Física Roberto Meigikos. Nessa pesquisa, estão envolvidos quatro docentes e oito estudantes de pós-graduação que atuam no setor.
Sendo a contraparte brasileira da Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA), o LARA visa se tornar centro de referência em pesquisa científica ambiental. “Nossa infraestrutura física e de capacitação humana possui respaldo para atuar em temas de acidificação oceânica, eutrofização, florações de algas nocivas, poluentes em geral e seus impactos em ecossistemas marinho-costeiros. Foi o nosso envolvimento com esses temas ambientais de ponta que colaborou para a seleção deste projeto”, explica o coordenador.

Estamos aplicando as técnicas mais modernas e inovadoras que existem e esperamos daqui a dois anos mostrar como os ecossistemas atingidos estão se recuperando, com informações que demonstrem concretamente que o meio ambiente não pode ser tratado com o descaso que infelizmente está ocorrendo”, finaliza o pesquisador Roberto Meigikos.

A pesquisa proposta pelo laboratório visa contribuir tanto na planificação de estratégias quanto na identificação de vulnerabilidades ambientais e riscos para a saúde humana devido à poluição por derramamento de óleo. “A expectativa é que esse estudo seja capaz de aprimorar a compreensão do impacto de acidentes com óleo cru em escala local e regional, bem como disseminar conhecimento técnico-científico para tomadores de decisão responsáveis pela preservação ambiental”, pontua o pesquisador.

O vazamento de óleo e seus impactos

Roberto ressalta que um vazamento nessa escala é capaz de produzir graves danos à biodiversidade marinha devido a sua toxicidade. “Diversos seres da fauna marinha foram encontrados cobertos por esse óleo, além da presença no conteúdo estomacal dos organismos. O estresse devido à presença de óleo na costa é duradouro. Os compostos químicos do derivado de petróleo podem permanecer na água por anos, mesmo que por vezes não sejam visíveis. Portanto, é importante avaliar a extensão da costa atingida”.
A análise do processo de contaminação de animais também é de extrema relevância para a compreensão dos prejuízos ambientais e socioeconômicos desta catástrofe. “É possível decifrar as origens dos compostos orgânicos e inorgânicos e como estes podem interferir dentro da cadeia alimentar. Estas informações permitirão alimentar um sistema para fins de elaboração de medidas mais eficazes no uso sustentável do meio ambiente, além de prevenir outros desastres dessa natureza que possam acontecer”, discorre o professor.
Para ilustrar, ele explica os impactos de um derramamento de óleo na cadeia alimentar oceânica. “As microalgas, por exemplo, estão na base da alimentação de peixes e outros organismos. Desta maneira, os impactos em organismos neste nível da cadeia são transferidos para os níveis superiores. Sendo o peixe uma das proteínas animais mais consumidas no mundo, é importante avaliar os possíveis resultados disso e mensurar a influência da contaminação na relação nutritiva desse alimento”.
A pesquisa realizada pela equipe do laboratório busca caminhos para a melhoria das políticas nacionais de gestão de solo e recursos hídricos e, para isso, o professor reforça a importância de dedicar esforços também na formação de recursos humanos de alto nível. “Fortalecendo as redes laboratoriais avançadas de instituições competentes e qualificando jovens pesquisadores, alcançaremos melhor capacidade de compreender como aprimorar a conservação de ecossistemas frágeis que sofreram as consequências de acidentes como esse”.
O LARA pretende desenvolver instrumentos, técnicas, protocolos, metodologias, serviços e outros produtos relacionados à preservação e recuperação da biodiversidade ambiental. Estamos aplicando as técnicas mais modernas e inovadoras que existem e esperamos daqui a dois anos mostrar como os ecossistemas atingidos estão se recuperando, com informações que demonstrem concretamente que o meio ambiente não pode ser tratado com o descaso que infelizmente está ocorrendo”, finaliza o pesquisador Roberto Meigikos.

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