UFJF – Adoecimento mental é terceira causa de afastamento no trabalho

UFJF – Adoecimento mental é terceira causa de afastamento no trabalho

Dois temas ainda pouco debatidos no ambiente acadêmico – a síndrome do pânico e a depressão – foram abordados pela professora de Psicologia da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Edelvais Keller. Sua apresentação foi nesta terça-feira, 7, e integrou os Seminários na Pós-graduação do Instituto de Ciências Exatas (ICE).

Falando para uma audiência de mestrandos e doutorandos em Química, a professora explicou que a combinação entre a depressão e a síndrome do pânico nasceu de um cenário preocupante no mundo profissional brasileiro, no qual o adoecimento mental é a terceira maior causa de afastamentos do trabalho. Complementando essa estatística, Edelvais indica ainda que cerca de 9% da população brasileira sofre com alguma forma de doença mental.

Preocupada com os reflexos desse fenômeno na Universidade, a professora Denise Lowinsohn – responsável pelos Seminários – decidiu unir a Química à Psicologia, convidando Edelvais para iniciar esse debate, tirando dúvidas sobre as doenças e sobre as formas de tratamento.

“Temos enfrentado bastante o problema da síndrome do pânico e da ansiedade. Não somente com alunos, mas com colegas e funcionários. É importante saber lidar e identificar essas doenças, por isso, resolvemos trazer esse debate para o Seminários na Pós-graduação”, explica Denise.

Ansiedade e Pânico

A pesquisadora explicou que ansiedade é um fenômeno natural na vida humana, importante para nossa sobrevivência, se ocorre em níveis saudáveis. “Ela passa a ser doença quando impede a pessoa de viver normalmente, socializar e trabalhar.”

Nesses casos, a ansiedade sobre as responsabilidades da vida cotidiana e profissional se transforma em pensamentos catastróficos recorrentes, alimentados pelo indivíduo com preocupações hipervalorizadas. “Há alguns anos, tratei um professor universitário que tinha a sensação que um avião ia cair sobre ele, a qualquer momento; e que evitava escadas, temendo ser esmagado pelas paredes”, exemplifica Edelvais. A manifestação mais extrema dessa ansiedade patológica é a síndrome do pânico, uma crise abrupta de sintomas físicos e cognitivos. “Essas crises de pânico podem ser esperadas, quando desencadeadas por um gatilho já conhecido pelo indivíduo; ou inesperadas, quando não há uma razão aparente.”

Depressão

A professora abordou também a depressão, um dos transtornos mentais mais frequentes, que impacta cerca de 300 milhões de pessoas no mundo, conforme dados da OMS. “Essa doença é marcada pela inércia do indivíduo, pela ausência de motivação e disfuncionalidade. Apesar de frequente, o preconceito, a falta de apoio e o medo de julgamentos ainda dificultam a busca por tratamentos adequados.”

A depressão manifesta-se no indivíduo como um humor triste, vazio ou irritável, desesperançado e desencorajado. Muitas pessoas que sofrem da doença relatam a ausência de sentimentos ou sentimentos ansiosos, dores somáticas e distúrbios do sono. Sua manifestação mais extrema, explica Edelvais, é o suicídio. “Apesar de mulheres serem mais vulneráveis à depressão, o número de suicídios é maior entre os homens”, acrescenta.

Conforme a professora, existem nove sintomas comuns na Depressão (veja quadro ao lado) e a manifestação de ao menos cinco destes já é indicativo da doença. “Ansiedade e síndrome do pânico têm cura e controle. A depressão também tem controle, mas não tem cura. Na maior parte dos casos, é muito difícil superar as crises da doença sem o auxílio de medicamentos.” A professora explica que essa medicamentação deve ser feita de acordo com instruções de profissionais psiquiátricos e feita, paralelamente ou em conjunto, com um tratamento psicoterápico.

Edelvais ressalta que mudanças no estilo de vida são essenciais no controle da depressão e no tratamento da ansiedade. “Técnicas de relaxamento, yoga, aromaterapia, pilates, acupuntura, exercícios físicos, a prática de esportes e lutas marciais, alimentação balanceada e as técnicas de mindfulness. Tudo isso pode fazer parte do tratamento. Tais iniciativas não vão curar a ansiedade, mas são complementares às mudanças de hábitos. Todas essas técnicas auxiliam na construção da qualidade de vida e levam o indivíduo a viver mais atentamente o tempo presente”, conclui.

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