UFMG adota medidas para reduzir consumo de água

UFMG adota medidas para reduzir consumo de água

A UFMG vai sugerir à Copasa que abasteça parte do campus Pampulha com o estoque de poços artesianos perfurados no local há mais de uma década. “A medida reduziria a sobrecarga no sistema que serve à cidade”, argumenta o pró-reitor adjunto de Administração, engenheiro Luiz Felipe Vieira Calvo. “Vamos convidar a Copasa a compartilhar com a Universidade a utilização de quatro dos seis poços”, reitera.

O engenheiro também ressalta a necessidade de consumir menos água, de todas as fontes. Por isso, a Pró-reitoria de Administração (PRA) recomendou ao setor de Áreas Verdes que diminua ao mínimo possível a irrigação dos gramados e de plantas ornamentais do campus, embora essa atividade venha utilizando água de um dos poços.

De acordo com o pró-reitor adjunto, outras medidas serão adotadas, em consonância com ações já implantadas ao longo dos últimos anos. Ele explica que todos os prédios construídos na última década foram equipados com dispositivos que propiciam economia de água, como descargas sanitárias com duplo comando, torneiras com acionamento manual por pressão, válvulas de controle de vazão nos lavatórios, mictórios masculinos com descargas acionadas por sensores de presença e sistemas de aproveitamento de águas de chuvas para abastecimento de parte das peças sanitárias. Paralelamente, campanha educativa vai estimular a comunidade universitária a poupar água e energia.

Redução

O consumo de água no campus Pampulha vem diminuindo sistematicamente nos últimos anos, apesar do crescimento do número de usuários decorrente da ampliação de vagas e da abertura de novos cursos, enfatiza o engenheiro Fausto Pársia, responsável pela Divisão de Infraestrutura Sanitária do Departamento de Gestão Ambiental da PRA. “Em 2010, o campus consumiu 444 mil metros cúbicos de água. No ano passado, o volume caiu para 377 mil. A redução tem sido em torno de 5% ao ano”, informa.

Entre os fatores que contribuíram para esse resultado, ele cita o uso mais racional da água, com instalação de dispositivos de economia, conscientização dos usuários e melhor gestão do sistema. “Os setores da PRA que cuidam dessa área monitoram permanentemente o consumo de cada prédio, acompanhando o funcionamento dos 75 hidrômetros. Sempre que há indícios de vazamentos, as correções são feitas imediatamente”, relata.

Luiz Felipe Calvo sugere que, em troca do uso do estoque dos poços artesianos, a Copasa forneça à UFMG mictórios e torneiras com sensor de presença e outros dispositivos que contribuam para a economia de água. “A Universidade não dispõe de recursos para equipar os prédios antigos, por isso acreditamos que essa parceria traria benefícios imediatos, ao desafogar o sistema, e de longo prazo, com a redução do consumo em todo o conjunto de edificações do campus”, comenta.

Com relação à campanha para adesão da comunidade universitária à redução do consumo, Luiz Felipe Calvo revela-se otimista e relembra que, no início dos anos 2000, a UFMG cumpriu todas as metas definidas pelo governo durante o racionamento de energia elétrica, baixando em 30% o seu consumo. “Ainda que trágica, a situação de escassez é, por si, educativa”, enfatiza.
Vazão

O pró-reitor adjunto de Administração comenta que, além de ser “poupadora de água”, a UFMG é previdente, pois há dez anos perfurou seis poços no campus Pampulha, com a intenção inicial de irrigar as áreas verdes. “Dois deles, equipados com bombas e adutoras, hoje atendem parte do consumo na irrigação das áreas ajardinadas e as pesquisas do laboratório Laqua, do curso de Aquacultura da Escola de Veterinária”, diz. Ele conta que há 20 anos, depois de uma visualização topográfica, feita por especialistas em hidrologia, foi realizado estudo de eletrorresistividade aparente para que fossem traçadas linhas de probabilidade de presença de água. O trabalho tomou como referência os locais por onde passam, de forma subterrânea, os córregos Mergulhão e Engenho Nogueira. “Mas os poços não se contaminam nem utilizam a água desses córregos, que passam dentro de galerias de concreto”, adverte Luiz Felipe Calvo.

Em razão da crise atual, a Pró-reitoria de Administração sugere que os outros poços sejam equipados e, em conjunto, possam suprir aproximadamente 60% da demanda de água do campus Pampulha. Fausto Pársia contabiliza: “Considerando que o consumo médio mensal de água fornecida pela Copasa é de 31 mil metros cúbicos, aproximadamente 18 mil poderiam ser supridos pelos poços. Isso significaria um excedente estimado de 13,4 mil metros cúbicos que poderiam ser destinados a outros consumidores”, conclui Fausto Pársia.

Matéria publicada no Portal UFMG
Ana Rita Araújo

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