UFPel conquista primeira carta patente de sua história

UFPel conquista primeira carta patente de sua história

Uma máquina para fabricação de polpa e purê de frutas, criada em parceira com a Embrapa, rendeu à Universidade Federal de Pelotas (UFPel) a titularidade de sua primeira carta patente. Além do equipamento, inovação também no processo de fabricação compõe as novidades relacionadas à invenção. A Universidade e a Embrapa receberam recentemente o registro oficial do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

O aparelho termoinativador enzimático tubular contínuo para a fabricação de polpa e purê de frutas nasceu durante o desenvolvimento da tese de Ricardo Peraça Toralles no Programa de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia de Alimentos da UFPel. Também são inventores João Luiz Silva Vendruscolo, Francisco Augusto Burkert Del Pino e Claire Tondo Vendruscolo.

O purê de frutas, como massa base que dá origem a sucos, sorvetes, geleias e outros produtos, é considerado uma commodity, usualmente comercializado no mercado internacional. O aparelho criado por UFPel e Embrapa possibilita a valorização do produto, porque, além de não deixar que se torne escuro, mantém o sabor da fruta – algo que era perdido na fabricação manual do purê, que usa água quente para o branqueamento do alimento.

O protótipo, único existente, utiliza as variáveis temperatura e tempo para inativar as enzimas que produzem o escurecimento da fruta. O alimento é colocado na máquina em pequenos pedaços, passa pelo interior do tubo e recebe calor tanto do eixo quanto da camada externa do aparelho. Ou seja, é exposto à alta temperatura sem, no entanto, entrar em contato direto com a água. Esse procedimento permite a conservação do açúcar, que varia de 8% a 12%, de acordo com a fruta. Em formato concentrado, esse valor chega a ser triplicado.

Segundo os pesquisadores, na industrialização do purê, a preservação da cor natural representa um dos maiores desafios. O escurecimento enzimático é um dos principais fenômenos que induz a mudanças de cor, sabores indesejáveis e perdas nutricionais.

O desenvolvimento do estudo surgiu por uma demanda de empresas da região ao observar o purê de pêssego produzido no Chile. Isso motivou o empresariado da região a procurar uma alternativa junto à UFPel e à Embrapa, para qualificar o processo de produção local.

Para chegar ao resultado que deu origem à carta patente, as pesquisas iniciaram muito antes. Afinal, o conhecimento até então dizia respeito às cultivares mais adequadas para a fabricação do pêssego em calda. O grupo partiu, então, para a investigação de quais variedades da fruta tinham maior ou menor tempo de escurecimento e propensão de sabor para suco, por exemplo. Depois, a pesquisa avaliou o processo de produção do purê, dando origem, também, à fabricação de dois tipos de produto, o integral e o concentrado.

Apesar de ter sido criado com foco no pêssego, o aparelho pode ser utilizado para qualquer fruta, alterando-se a regulagem de velocidade e calor conforme suas características.

Toralles finalizou a tese em 2004 e, em 2006, as instituições envolvidas receberam o registro provisório do INPI. Agora, em 2015, obtiveram o registro definitivo. O tempo de espera faz parte do procedimento de registros de patentes, que avalia se o invento é inédito no mundo todo – o que prevê um tempo de espera.

Conforme Toralles, que hoje é docente do Instituto Federal Sul-Rio-Grandense (IF-Sul), a pesquisa passou por várias fases: desde a ciência, até o desenvolvimento de tecnologia, engenharia e o retorno ao produtor. Isso porque a Embrapa editou um boletim com informações a respeito do estudo destinado ao público interessado.

Para Del Pino, professor da UFPel, a importância do invento reside não apenas na sua inovação, mas reflete para o desenvolvimento do país. “É mais uma patente para o Brasil”, observou.

A pesquisa segue rendendo frutos. Já inspirou duas teses de doutorado e agora dará origem a uma dissertação de mestrado.

Estímulo

Uma confluência de fomento externo e ambiente propício na Universidade é, conforme o pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da UFPel, Luciano Agostini, o cenário favorável para o estímulo do desenvolvimento de patentes. Atualmente, a UFPel tem 60 pedidos de patente depositados no INPI, em trâmite – e mais a recém concedida. Dessas, 43 foram protocoladas a partir de 2013. “Há o desejo da comunidade de um lado, e, do outro, o oferecimento de suporte mais qualificado da Universidade para isso”, avalia.

Esse amparo pode ser percebido, por exemplo, em ações que a UFPel vem propondo que buscam garantir a qualificação do processo. A Universidade já recebeu por três vezes um curso de capacitação para Redação de Patentes, com o professor Henry Suzuki, com a intenção de que o texto elaborado pelo proponente responda às necessidades com mais qualidade e dentro da perspectiva mais adequada de apresentação da proposta. Uma próxima capacitação sobre o tema já está prevista.

Ao mesmo tempo, o setor diretamente ligado ao assunto na UFPel, a Coordenação de Inovação Tecnológica, está sendo alvo de estruturação, como forma de estimular que mais patentes sejam depositadas.

A UFPel já utiliza o sistema Orbit, que faz uma consulta de anterioridade – ou seja, busca, em bases do mundo todo, o ineditismo da proposta. O sistema também permite ao pesquisador identificar outras ideias semelhantes e enquadrar a redação da patente de forma a evidenciar o aspecto inovador. Está prevista, ainda, a contratação de um sistema de gestão para portfólio de patentes, que possibilitará um acompanhamento mais próximo da tramitação de cada uma.

Conforme o pró-reitor, a concessão de uma patente tem o objetivo de proteger o conhecimento gerado. “Com a patente concedida, temos o uso social relacionado ao invento garantido. Há o reconhecimento da propriedade intelectual, algum retorno financeiro para a Universidade e o respeito desse conhecimento perante o público, que financia a pesquisa”, observou.

Coordenação de Comunicação Social – Universidade Federal de Pelotas

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