UFPI desenvolve tecnologia para despolpamento de peixes

UFPI desenvolve tecnologia para despolpamento de peixes

Uma parceria entre o Grupo de Estudos Avançados em Processos Industrias (GEAPI) e o Núcleo de Estudos, Pesquisas e Processamento de Alimentos (NUEPPA), da Universidade Federal do Piauí (UFPI), resultou no desenvolvimento de uma tecnologia para despolpamento de peixes.

A máquina, chamada despolpadeira, utiliza a técnica de amassamento para a filetagem de peixes e aproveita em torno de 50% do animal para a fabricação de produtos comestíveis para seres humanos, tornando possível, ainda, o aproveitamento dos ossos e cartilagens para ração animal.

A demanda por esse tipo de maquinário surgiu a partir do NUEPPA, um órgão de apoio da Universidade Federal do Piauí (UFPI), institucionalizado em 1981 e vinculado ao Centro de Ciências Agrárias (CCA), que tem como uma das missões promover a industrialização de produtos agrícolas e implantar e desenvolver projetos de pesquisa em ciência, tecnologia e engenharia de alimentos.

A Profa. Maria Cristina Sanches Muratori, Coordenadora Geral do NUEPPA, entrou em contato com o Grupo de Estudos Avançados em Processos Industrias (GEAPI) para o desenvolvimento da máquina que, no mercado, custa em torno de 50 mil reais, e o grupo tornou possível sua fabricação com um orçamento de cerca de 15 mil reais.

A despolpadeira de peixes é o resultado da interdisciplinaridade do GEAPI. O grupo é composto por diversas áreas da Engenharia de Produção como Tecnologia de Automação, Segurança do Trabalho, Processos Industriais e ainda flerta com a Engenharia Química e Engenharia Mecânica. “A UFPI proporciona esse intercâmbio. Nós trabalhamos em conjunto. Um projeto deve ser olhado pelo prisma de várias áreas, e assim ele ganha um poder de funcionamento melhor, torna-se mais pensado, mais produtivo, incorpora vários outros fatores que conseguem maximizar e otimizar sua utilização, como foi o caso da despolpadeira”, comenta Hélio Cavalcante de Albuquerque Neto, professor da área de Segurança do Trabalho, Coordenador do Curso de Engenharia de Produção e membro do GEAPI.

O Grupo de Estudos Avançados em Processos Industrias (GEAPI) é atrelado ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), através do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC), que incentiva a pesquisa no Brasil. Francisco Bruno de Oliveira Lima é bolsista e membro do GEAPI há 2 anos. O aluno do curso de Engenharia Mecânica trabalhou no desenvolvimento da máquina desde o seu início e avalia o projeto como de grande utilidade para a sua formação. “É através desses projetos que começamos de fato a aplicar o que aprendemos na prática e também ganhamos currículo para entrar no mercado com um projeto já executado. Serve para nos beneficiar como engenheiros e também como aprendizado”, comenta.

O interesse principal do GEAPI não é apenas desenvolver equipamentos, mas sim mostrar que a UFPI possui recursos humanos para o desenvolvimento de tecnologias, como menciona Francisco de Assis da Silva Mota, professor do curso de Engenharia de Produção. “O produto da Universidade não é apenas a tecnologia, são as pessoas que saem capazes de gerar essa tecnologia. Se não formarmos isso, então não formamos nada”, comenta.

A despolpadeira de peixes proporcionará benefícios produtivos e científicos para a Universidade. Além da utilização do produto final para abastecimento do Restaurante Universitário (RU/UFPI), o desempenho da máquina será objeto de pesquisa para doutorandos das áreas de Alimentos e Nutrição e Ciência Animal. “Máquinas como essa só existem em indústrias, então para nós que fazemos pesquisa é muito complicado trazer esse material de uma indústria. Ter o maquinário dentro do laboratório viabiliza muito a pesquisa”, menciona Tatiane Menezes Brandão, doutoranda em Alimentos e Nutrição.

Após a filetagem, a máquina torna possível o aproveitamento da carcaça do peixe, que tem potencial nutritivo e quase sempre é desperdiçada na indústria. “A máquina serve para agregar valor a esse material que não seria aproveitado e pode ser utilizado na forma de silagem, para a alimentação animal, ou na forma de farinha, que é algo que estamos interessados em fazer: agregar valor em determinados produtos. É importante até para as indústrias pegarem essa ideia”, comenta Rafael Gomes Abreu Bacelar, doutorando em Ciência Animal na área de Qualidade de Produtos de Origem Animal.

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