UFRB Referência no Brasil, pesquisa do Kefir conquista 1ª carta patente da instituição

 UFRB Referência no Brasil, pesquisa do Kefir conquista 1ª carta patente da instituição

Grupo da UFRB dispõe de outros 12 produtos com pedido de patente em tramitação no INPI.

Uma barra de cereal com gérmen de soja e cobertura de alfarroba rendeu à Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) a titularidade de sua primeira Carta Patente. A Universidade recebeu o registro oficial do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) no último dia 11 de fevereiro.

A tecnologia foi desenvolvida pelos pesquisadores Ferlando Santos e Edílson Pires e pelos discentes Fernanda Mota, Iago Rios, Luma Fernanda Alves, e Vanderleia Bomfim, que possuem vínculo com o Centro de Ciências da Saúde (CCS).

O produto é parte das pesquisas desenvolvidas há oito anos pelo grupo chamado de Kefir do Recôncavo, que visa investigar os efeitos da bebida fermentada Kefir e novas formas de prepará-la. O grupo, vinculado ao Laboratório de Probióticos da UFRB (LAPRO), já deu entrada no registro de 13 patentes que têm como base o Kefir. O egresso do curso de Nutrição e um dos autores da patente, Iago Rios, falou sobre a satisfação com o registro: “É muito gratificante receber essa notícia. Sempre tivemos como foco no grupo o desenvolvimento de produtos pioneiros  que se mostrassem uma alternativa viável de consumo alimentício de alto valor nutricional para a população”, revela.

Grãos de Kefir.

Segundo o professor Ferlando Santos, coordenador da equipe e membro da Academia de Ciências da Bahia (ACB), os projetos têm como missão popularizar o produto na região. “O leite de Kefir é rico em probióticos, carregadores de bactérias láticas benéficas que favorecem o equilíbrio da flora intestinal. No Brasil, os produtos mais populares, veiculadores dessas bactérias, são os leites fermentados. A produção da bebida Kefir de leite ocorre diretamente pela adição dos seus grãos em leite pasteurizado ou esterilizado. Assim, este alimento nutritivo e terapêutico pode ser preparado em casa, permitindo incluir este produto funcional na alimentação diária da população brasileira, sobretudo nas famílias de baixa renda”, explica.

De acordo com o coordenador de Criação e Inovação da UFRB (CINOVA), Edilson Pires, até fevereiro de 2020, a UFRB já possuía no INPI 44 pedidos de patentes ativos. “A maioria dessas patentes foi requerida a partir de 2013, mas, como o Brasil exige um tempo significativo para analisar um pedido de patente (em torno de dez anos), somente agora as análises dos pedidos passaram a ser publicadas com o parecer final dos examinadores”. Edilson destaca o valor desta primeira patente para a instituição: “Pode-se dizer que o produto em questão é único no mundo, pois atendeu a todos os requisitos de patenteabilidade (novidade, atividade inventiva e aplicabilidade industrial), passando por um rigoroso processo de análise. O mais importante dessa patente é a confirmação de que a UFRB tem potencial para desenvolver produtos e processos inovadores e que pode ser apropriado pelos direitos de propriedade intelectual, para estimular a transferência de tecnologia para a sociedade”, disse.

Extensão – Sob a liderança do professor Ferlando, um grupo de alunos desenvolve um projeto de extensão em bairros do município de Santo Antônio de Jesus em que ensina técnicas de preparo de alimentos de Kefir à população a partir de matérias-primas da região, como cacau, milho, maracujá, melão e outros. O programa de “Popularização do leite fermentado Kefir nas famílias de baixa renda do município de Santo Antônio de Jesus” pretende atender 12 mil pessoas.

“Do ponto de vista das políticas públicas, esse projeto promoveu a melhoria das condições de saúde das famílias, sobretudo naquelas atendidas pelo Programa Bolsa Família. As pesquisas começaram em 2012, e o nosso objetivo é estabelecer uma rede de distribuição dos grãos de Kefir. Elegemos uma comunidade e fizemos um trabalho de popularização. Preparamos uma cartilha e distribuímos os grãos. A ideia é que quanto mais o projeto cresça, as pessoas possam doar para as outras”, conta. De acordo com o pesquisador, os grãos de Kefir multiplicam-se a partir do seu cultivo em bebidas, sendo água ou leite.

Premiação –  A pesquisa “Desenvolvimento de Strogonoff de frango a base de Kefir” foi premiada em 1º lugar no Congresso Internacional de Gastronomia e Ciência de Alimentos, realizado em Fortaleza-CE, em 2013.

Conheça mais sobre o Kefir na obra publicada pela Editora da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (EDUFRB): “Kefir: propriedades funcionais e gastronômicas”, organizada pelo professor Ferlando Lima do Centro de Ciências da Saúde (CCS) e produzido em cooperação com pesquisadores da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

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