UFRGS: Uma porta para a internacionalização

No mapa mundi, a professora da Faculdade de Direito Claudia Marques me mostra os pontinhos espalhados apenas no hemisfério norte que indicam os 17 Centros de Estudos Alemães e Europeus existentes há 25 anos. Israel, China, Canadá e França são alguns dos países que sediam o Centro, que também se encontra em universidades renomadas, como Harvard (USA) e Cambridge (Reino Unido). Após uma pausa, ela reflete: “Vamos colocar Porto Alegre nesse mapa. “Bonito não? ”. Depois de dois anos e meio preparando o projeto, a UFRGS foi escolhida para sediar a primeira unidade no Hemisfério Sul. Durante as preparações do acordo, foi consenso que a iniciativa deveria vir com o apoio da PUCRS. “Porque cada uma tem excelências e, unindo as excelências, se pode alavancar a internacionalização dessas duas universidades”, justifica Claudia. Anteriormente, o Cônsul-geral da Alemanha em Porto Alegre, Stefan Traumann, conversou com o então reitor da UFRGS Carlos Alexandre Netto sobre a oportunidade. A iniciativa foi conduzida pelo Secretário de Relações Internacionais da Universidade, Nicolas Maillard, e teve apoio do Governo do Estado e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (FAPERGS). O Centro foi inaugurado em janeiro e terá a direção da professora Claudia Marques no seu primeiro ano.

Foco nas humanidades – A diretora esclarece que o Centro de Estudos se concentrará nas ciências humanas, conforme exigência do edital a que a Universidade concorreu. De acordo com ela, esse foco é muito positivo para áreas que não foram beneficiadas pelo Ciência Sem Fronteiras. “Tanto a filosofia quanto a sociologia e o direito desenvolvidos na Alemanha têm uma influência muito grande na América Latina. É uma oportunidade para desenvolver um diálogo com especialistas alemães e europeus nessas áreas”, acrescenta. Três grandes linhas de investigação guiarão as discussões: globalização, desenvolvimento sustentável e diversidade cultural. Ao todo, são 16 projetos interdisciplinares de pesquisa. As unidades da UFRGS participantes são: Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Instituto de Letras, Faculdade de Arquitetura, Faculdade de Educação, Faculdade de Direito e Faculdade de Economia. A professora espera que o trabalho promova novos talentos e que os estudantes beneficiados com bolsas permaneçam na Universidade como professores e colaborem para a continuação da pesquisa científica: “A ideia do Centro é ser um projeto de longa duração e beneficiar gerações de pesquisadores e acadêmicos”, acrescenta.

História de cooperação – Na verdade, não é a primeira vez que a UFRGS fecha acordo com a Alemanha. Já são mais de 50 anos de colaboração com o país, experiência que será incorporada pelo Centro. Como parceiras estratégicas, foram escolhidas universidades alemãs que já possuem uma relação histórica de cooperação: Universidade de Heidelberg (instituição com mais tempo de colaboração com os cursos de Direito, Filosofia e Sociologia), Universidade de Bonn (parceira importante da PUCRS) e Universidade de Erlangen-Nürnberg (que tem histórico de parceria com o curso de Letras). Além das três principais parceiras, outras 50 instituições europeias participam do projeto.

Para além da pesquisa – A cada ano, o Centro vai pensar uma agenda de eventos internacionais. Para 2017 já existe uma pré-programação, que prevê discussões sobre os 500 anos da Reforma Protestante e sobre a proteção ao consumidor no século 21. O projeto contará também com editais de mobilidade para graduação, doutorado e pós-doutorado, e para um novo programa de Mestrado em Direito Internacional. “A ideia é criar ao longo do tempo mestrados, nas diferentes áreas, que tenham essa ênfase nos estudos europeus”, explica Claudia.

“Agora nós temos esse fomento em uma época de tantos cortes, de tanta insegurança. Temos a certeza dessa verba alemã e também de todo o nível internacional de discussão. É uma porta que está se abrindo, temos de tirar o melhor disso”, finaliza.

Jornal da Universidade – janeiro/fevereiro

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