UFRJ adota Sisu e cotas

UFRJ adota Sisu e cotas

Estudantes e professores comentam decisão. Número de vagas para alunos de baixa renda e outros critérios serão definidos nesta quinta

A UFRJ era a única universidade pública do Rio que ainda não tinha definido como utilizaria a nota do Enem no vestibular 2011. Na última quinta-feira, o Conselho Universitário (Consuni) da instituição bateu o martelo: 50% das vagas terão ingresso pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), do Ministério da Educação (MEC), utilizando o Enem como fase única, e as vagas restantes serão ocupadas pelo vestibular tradicional da universidade, composto apenas de provas discursivas.

Além da entrada da UFRJ no Sisu, também foi aprovada a criação de cotas sociais já para este vestibular. No entanto, os critérios para se ter direito ao benefício e a porcentagem destinada ao sistema só serão definidos nesta quintafeira, em outra reunião do Consuni. O que já se sabe é que só serão beneficiados estudantes vindos da escola pública e que haverá uma renda familiar máxima.

O professor André Menezes, coordenador do ensino médio do Colégio Mopi, na Tijuca, conta que os alunos sentiram o baque da mudança, especialmente das cotas, mas afirma que o planejamento não mudará por causa da notícia. Ele vai esperar a divulgação do edital complementar do vestibular da instituição, previsto para o dia 1ode setembro.

– Eu conversei com eles, procurei passar tranquilidade.

É preciso ver os detalhes, como será feito o acesso duplo… É complexo.

Por enquanto, vamos focar em questões objetivas até o Enem e, depois, aprofundar o modelo discursivo – afirma.

Para o coordenador do curso Vestibular de A a Z, Rodrigo Reis, o Enem já ganhou um peso muito maior no ano passado. Então, o impacto de agora não é tão grande.

– Desde o ano passado a prova do Enem passou a ter bastante importância, e a própria UFRJ já a utilizou na sua seleção. A dúvida agora é em relação às datas das provas próprias. Isso é o que pode mudar, ou não, o nosso cronograma – diz.

Rodrigo Dias, aluno do 3oano do Mopi, afirma que não gostou da criação de cotas, mas não viu problemas na divisão das vagas entre Sisu e o vestibular tradicional. Para ele, isso pode ajudar a aliviar um pouco pressão, já que haverá mais de uma chance.

– Eu acho legal dividir, para não ficar o peso todo em uma prova só. Se alguém passar mal em um dia, não fica de fora, porque ainda haverá as provas discursivas. É mais justo e ajuda os bons alunos. Sobre as cotas, eu acho que isso só serve para mascarar o problema do ensino público – critica.

Já Liza Fernandes, colega de Rodrigo no Mopi, diz que a mudança assusta: – Ficou mais difícil Vou ter que mudar a minha preparação.

Até agora, eu só estudava para as minhas disciplinas não específicas com questões objetivas, vou ter que mudar o foco.

PASSO A PASSO DAS MUDANÇAS O vestibular da UFRJ mudou bastante em relação ao ano passado. Veja abaixo os pontos mais importantes.

– ENEM: Em 2009, o exame nacional foi utilizado como primeira fase do vestibular. Este ano, ele será a fase única para 50% das vagas, através do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), do Ministério da Educação (MEC), já utilizado por cerca de 40 instituições em todo o país.

– PROVA PRÓPRIA: Para ocupar a outra metade das vagas, a universidade voltará a utilizar o seu vestibular tradicional, composto somente por provas discursivas. As regras de acesso pelo Enem ou pela prova própria ainda estão sendo discutidas.

– COTAS: A proposta aprovada prevê a criação de cotas sociais. Só poderão se beneficiar estudantes da rede pública que se enquadrem nos critérios de renda familiar. O número de vagas destinadas ao sistema, assim como a renda máxima, só serão definidos na próxima quinta.

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