UFRJ – Consórcio de instituições de ensino discute Educação Básica

UFRJ – Consórcio de instituições de ensino discute Educação Básica

Consórcio de instituições de ensino do Rio promoverá ações para melhorar a Educação Básica e pesquisar o vírus da zika

Instituições aprovaram moção contra PEC que prevê corte de metade do orçamento da Faperj

O Consórcio de Instituições de Ensino e Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro reuniu-se a convite da Reitoria da UFRJ para discutir sobre a Educação Básica e a educação pública no Rio e no país, incluindo ações específicas para a prevenção e promoção de estudos sobre o vírus da zika. Na reunião, que aconteceu na sexta-feira, 26 de fevereiro, no campus da Praia Vermelha, representantes das instituições, reitores e pró-reitores salientaram a importância de reuniões periódicas para as iniciativas.

Outros temas também entraram em pauta na reunião, como aspectos da conjuntura das políticas públicas em Educação, com preocupação especial quanto aos recursos da Faperj, importante no fomento e apoio à pesquisa no Rio. A questão da zika, da microcefalia e do mosquito Aedes Aegypti foi discutida e será pauta de futuras reuniões.

“Esse encontro, o primeiro realizado em 2016, foi uma iniciativa da UFRJ, preocupada em melhorar a articulação das universidades com a Educação Básica em relação ao problema da zika, da microcefalia e do Aedes Aegypti”, disse o reitor da UFRJ, Roberto Leher. Para ele, fora o movimento que engloba a divulgação de materiais pelo Ministério da Educação, as universidades podem contribuir muito mais com a Educação Básica.

Segundo o reitor, o consórcio pretende articular ações que vão desde estudos sobre zika e microcefalia, cursos de aprofundamento e aperfeiçoamento, até o desenvolvimento de diversos tipos de materiais que possam educar e permitir que os alunos das escolas públicas tenham o conhecimento científico necessário para compreender a gravidade da situação do zika vírus no país.

O secretário estadual de Educação, professor Antônio José Vieira de Paiva Neto, participou da reunião e fez uma breve caracterização da rede educacional, que, segundo ele, conta com 780 mil estudantes no ensino médio, 200 mil no ensino fundamental e 180 mil servidores.

“Avaliamos que esta ação relacionada à zika pode ser um momento qualitativamente novo de interação das universidades do Rio de Janeiro com a Educação Básica, motivo que nos levou à reunião do consórcio”, explicou o reitor. Ele afirmou que é importante que seja possível promover tais ações como políticas públicas.

As nove instituições que participam do consórcio são: Centro Federal de Educação Tecnológica – Celso Suckow da Fonseca (Cefet-RJ), Colégio Pedro II, Instituto Federal Fluminense (IFF),  Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ), Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio), Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio).

Foi indicada, ainda, a necessidade de melhorar a articulação institucional das universidades e das instituições federais que estavam presentes, além de se fazer um mapeamento das escolas que desenvolvem projetos como o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (Pnaic) e o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid), bem como estágios, programas de extensão e projetos de pesquisa.

Também foi debatida a necessidade de fortalecimento das licenciaturas de Artes, o que requer trabalho conjunto com a Secretaria de Estado de Educação e demais secretarias de Educação, abordando temas como concursos específicos, currículo e diretrizes, formação docente e ensino médio.

“Esse esforço de articulação entre as universidades e a Educação Básica pode, a nosso ver, ensejar uma perspectiva de fortalecimento de defesa da educação pública”, ressaltou Leher. Para o reitor, as universidades devem ter voz ativa e ser protagonistas nos grandes debates sobre o futuro da educação brasileira.

As instituições se comprometeram a dedicar atenção à estratégia de formação dos professores nas Escolas Normais; fortalecer a mobilização da comunidade acadêmica em defesa dos recursos da Faperj; e intensificar a relação entre as instituições de ensino e os parlamentos municipais, estadual e federal.

“Precisamos defender os recursos constitucionalmente alocados na Faperj, que é hoje um órgão de fomento muito importante para a pesquisa no Rio de Janeiro”, comentou o reitor em relação aos cortes de verbas que afetam as pesquisas em todas as universidades do estado.

O consórcio formará um grupo de trabalho sobre a zika, a microcefalia e o Aedes Aegypti para produzir materiais pedagógicos, realizar cursos de formação permanente, além de pesquisas. Para a próxima reunião, em data a ser definida, os representantes presentes definiram que a pauta agendada abrangerá o aprofundamento da educação pública no Brasil.

Confira abaixo a moção aprovada contra a Proposta de Emenda Constitucional que prevê corte de até 50% no orçamento da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro (Faperj):

 

“Moção contra a PEC 19/2016

Em reunião realizada no campus na Praia Vermelha, dia 26 de fevereiro, o Consórcio de Instituições de Ensino e Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro, abrangendo o Centro Federal de Educação Tecnológica – Celso Suckow da Fonseca (Cefet-RJ), Colégio Pedro II, Instituto Federal Fluminense (IFF),  Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ), Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio), Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), responsáveis pela formação sistemática e rigorosa de dezenas de milhares de estudantes e por parte significativa da produção científica do país, em domínios estratégicos para a sociedade brasileira, reconheceu a importância da Faperj para a pesquisa e a pós-graduação no estado.

O aporte constitucional de recursos da Faperj tem possibilitado a consolidação de destacados grupos de pesquisa e programas de pós-graduação que tornam o estado um dos pilares da ciência, tecnologia, pesquisa e desenvolvimento no Brasil. Referenciado nesta avaliação, o consórcio conclama o governo estadual e os parlamentares da Alerj a manterem a vinculação orçamentária atualmente vigente para a Faperj, posicionando-se contra a PEC 19/2016, que pode inviabilizar de modo profundo e duradouro a pesquisa e a pós-graduação no Rio de Janeiro.”

Natalia Sales – Universidade Federal do Rio de Janeiro

Foto: Gabriela d’Araújo – UFRJ

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