UFRJ extingue vestibular e adota só Enem

UFRJ extingue vestibular e adota só Enem

A partir deste ano, ingresso na universidade será definido com base na nota do Exame Nacional do Ensino Médio

Instituição decidiu também ampliar de 20% para 30% as vagas reservadas a estudante vindo de escola pública

DO RIO

A UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) decidiu acabar com seu exame próprio e aderir ao Sisu, sistema do MEC que seleciona alunos para vagas em instituições públicas por meio do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio).
A mudança foi aprovada ontem pelo Conselho Universitário, que decidiu também ampliar de 20% para 30% o percentual de vagas reservadas para alunos da rede pública. As mudanças valem já para o próximo vestibular.
Outra novidade é que, além de estudar em escola pública, o aluno terá de provar que tem renda per capita familiar inferior a um salário mínimo para ser beneficiado pelo sistema de cota.
No ano passado, apenas a USP -que não utiliza o Enem e teve 133 mil inscritos- atraiu mais candidatos do que os 92 mil da UFRJ, que é a maior federal do país, com 38 mil alunos na graduação.
Além de economizar recursos, a reitoria diz que a adesão ao sistema torna o acesso mais democrático. Alunos carentes concluindo o ensino médio na rede pública são isentos da taxa de inscrição no Enem.
Agora, o estudante não precisará mais ficar preso a uma única escolha de curso. No vestibular tradicional da UFRJ, uma vez inscrito em medicina, por exemplo, o candidato tinha de manter esta opção até o fim.
O Sisu permite que o estudante, uma vez sabendo sua pontuação e a nota de corte do curso, mude de opção.
“Com mais universidades aderindo ao Sisu, o estudante, que fazia antes cinco vestibulares, participará de um único exame e terá mais opções de escolha de curso com a certeza de que será aproveitado”, afirma o reitor da UFRJ, Aloísio Teixeira.

PROVA TRADICIONAL
O vestibular da UFRJ era o mais tradicional do Rio, e se caracterizava por não ter provas de múltipla escolha.
“Era, como a Unicamp, o melhor vestibular do país, pois fugia totalmente da decoreba”, diz Rui Alves de Sá, diretor de ensino do curso e colégio Ph, no Rio.
No caso da ampliação da reserva de vagas e da inclusão de um critério de renda, Marcelo Paixão, membro do Conselho Universitário da UFRJ, diz que o objetivo foi garantir que os alunos beneficiados sejam aqueles que realmente precisam.
Outras federais já aderiram ao Enem como única nota para ingresso em vez do vestibular, como a de São Carlos, em São Paulo.
Em 2009, no entanto, problemas com o vazamento do exame fizeram com que as matrículas em algumas universidades fossem adiadas.

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