UFRN e desenvolvimento, sinônimos no RN

UFRN e desenvolvimento, sinônimos no RN

Na última sexta-feira, 31, a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) trouxe ao debate um tema muito caro à Instituição: a intersecção entre o papel regional das universidades e o desenvolvimento das regiões onde elas estão presentes. Na oportunidade, Tânia Bacelar de Araújo, destacou a importância da política setorial nacional de educação superior como instrumento de desenvolvimento regional. Em outras palavras, ações de fortalecimento, consolidação e expansão das instituições de ensino superior, consideradas as peculiaridades da região.

No Rio Grande do Norte, com uma política pública circunstanciada pelas peculiaridades e singularidades do nosso estado, a UFRN intensificou e qualificou sua relação com o SUS. Afinal, inauguramos a Unidade de Cuidados Intensivos e Semi-Intensivos Neonatal e as Novas Instalações da Enfermaria da Unidade de Saúde da Mulher do Hospital Universitário Ana Bezerra (HUAB); iniciamos o Programa de Pós-Graduação em Gestão e Inovação em Saúde; entregamos as novas instalações da UTI Adulto do Hospital Universitário Onofre Lopes (HUOL) – aumentando também a quantidade de leitos das UTI para crianças – e da Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTINN) da Maternidade Januário Cicco (MEJC). O resultado é que os três hospitais são referência dentro do sistema público de saúde aqui no estado.

Reforçando dados, os números quantitativos e qualitativos da nossa Pós-Graduação vertiginosamente cresceram. Como exemplos, a quantidade de estudantes matriculados saltou de 2.730 para 4.456, entre 2010 e 2016. Atualmente, 63,3% dos 90 programas de pós-graduação foram ?bem ou muito bem avaliados? pela Capes. Destes, Ciência e Engenharia dos Materiais, Ecologia e Psicobiologia forma a tríade de programas da Universidade com desempenho equivalente ao alto padrão internacional, raro no Nordeste.

Diretamente entrelaçado a este cenário, as nossas pesquisas propõe soluções e encontram respostas: potencial cosmético em plantas da caatinga, geração de energia eólica em alto mar, alternativas para tratamento da dependência química e identificação da fauna e flora do Seridó potiguar são exemplos. Ponto conexo, a inovação universitária apresenta seus números robustos: de 26 pedidos de patente em 2011, atingimos este ano a marca de 200, um crescimento de quase 800%. Entrelaçadas, as cartas patentes chegam a oito, metade apenas neste ano, e o Parque Tecnológico Metrópole Digital, implantado em 2017, fortalece a relação com o setor produtivo.

Na interiorização, estabilizamos a presença através da solidificação da pesquisa como uma variável estratégica para uma mudança local, com a expansão da universidade pública no Semiárido sendo destaque. A singularidade é observarmos as necessidades da nossa região, afinal o produtor familiar do Nordeste é diferente do Sul. Opções de capacitação, como a Graduação Tecnológica em Gestão de Cooperativas, e unidades reabertas, como a Faculdade de Ciências da Saúde do Trairi (Facisa), trazem autonomia e mudam a realidade local. É o planejamento de acordo com as especificidades regionais – ou pautado em uma política setorial nacional de educação superior – que transforma a paisagem do nosso interior.

A postura que descrevo, é bem verdade, é adotada pela UFRN desde sua criação, há sessenta anos. Surgimos sob a égide do compromisso social, oferecendo ensino superior público e de qualidade, difundindo a pesquisa, promovendo a extensão e implementando empreendedorismo e inovação. Assim ajudamos a combater o subdesenvolvimento, por meio da educação, da cultura e das artes. Compromisso social, hoje, pautado também a luz da Agenda 2030, e que significa lutar para emancipar as pessoas por meio da educação e lhes oferecendo oportunidades de crescimento. A necessidade está em conscientizar e consolidar uma política setorial nacional de educação superior que, em sua espinha dorsal, estejam as singularidades das regiões.

Ângela Maria Paiva Cruz é reitora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)

Artigo publicado originalmente no jornal Tribuna do Norte, em 27 de setembro de 2018 

Compartilhar