UFRPE terá fazenda de beijupirá em alto-mar

UFRPE terá fazenda de beijupirá em alto-mar

Bom não é dar o peixe, mas ensinar a pescar. Esse velho ditado ilustra bem a iniciativa pioneira no Brasil que o Departamento de Pesca e Aquicultura da Universidade Federal Rural de Pernambuco (Depaq/UFRPE) lançou junto a colônias de pescadores em três comunidades do Grande Recife: o Projeto Cação de Escama. A ideia é capacitar e estimular os pescadores artesanais para o cultivo do beijupirá (ou cação de escama), espécie explorada em países como China, Taiwan e Vietnã, onde movimenta a economia por ser muito apreciada por comerciantes e consumidores.

O projeto-piloto atende 120 pescadores de colônias em Brasília Teimosa, Piedade e Barra de Jangada, que participam de oficinas e aulas-práticas para a aprendizagem do manejo e da comercialização do beijupirá. A iniciativa é financiada pelo Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), com apoio de Sebrae-PE, Odebrecht Realizações Imobiliárias (Reserva do Paiva) e Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA). A UFRPE aguarda apenas a liberação do aval da Capitania dos Portos para a instalação das gaiolas numa área de alto-mar já regulamentada pelo MPA, pelo Ibama e pela Agência Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (CPRH).

Já com certo know-how no cultivo do beijupirá – a partir de pesquisas e do apoio técnico à equipe da Aqualíder, que lançou, no ano passado, a primeira fazenda marinha de beijupirá do País –, os pesquisadores do Laboratório de Piscicultura Marinha da UFRPE pretendem oferecer aos pescadores autonomia para cultivar e comercializar a espécie, que é bastante valorizada mundo afora e já no Brasil, onde é apreciada em restaurantes do Recife e do sudeste do País.   

Para montar toda a estrutura de equipamentos e apoio aos pescadores, os pesquisadores do projeto realizaram a compra por meio da primeira licitação internacional da Universidade, que adquiriu material do Chile. A montagem final das quatro gaiolas deve ocorrer já em março, após aval da Capitania dos Portos. A área da fazenda do Projeto Cação de Escamas/UFRPE foi selecionada pelos especialistas, situando-se a 8 quilômetros do Porto do Recife, em área de água limpa e livre de navegação.

“Escolhemos o local ideal tanto para o cultivo do peixe quanto para facilitar a vida dos pescadores, que terão lancha e barco de apoio disponíveis, além de toda a estrutura para que trabalhem nas melhores condições”, explica o coordenador do Projeto Cação de Escamas, professor Ronaldo Cavalli. De acordo com o pesquisador, a expectativa é que se plante uma semente para a popularização, no Brasil, dessa nova atividade que já movimenta a economia de outros países. “O Recife foi escolhido como berço e a vitrine do beijupirá, e queremos que os pescadores não sejam apenas mão-de-obra, mas que desenvolvam a autonomia necessária para evoluir e multiplicar”, completa.

As quatro gaiolas, com 1.200 metros cúbicos cada, têm capacidade para a produção de mais de 40 toneladas de pescado ao ano, que pode gerar retorno de R$ 500 mil no mesmo período. Já capacitados com noções de associativismo e cooperativismo, os pescadores começam, em março, o curso de Cultivo de Beijupirá. Após acertos entre os participantes, o grupo trabalhará em sistema de rodízio, a partir de um Termo de Compromisso, que define regras e metas para os trabalhadores envolvidos nesse grupo-piloto. Ao final do primeiro ano, espera-se a criação de uma cooperativa de pescadores-aquicultores, que passaria a gerenciar todo o processo.  

Ao todo, o projeto recebeu a verba de R$ 1,7 milhão para compra de equipamentos, capacitação e manutenção. A iniciativa integra grande plano nacional do MPA para desenvolver, no Brasil, nova cadeia industrial a partir do cultivo de peixes em fazendas marinhas e continentais, a fim de deixar o País entre os cinco maiores produtores de peixe do mundo até o ano de 2020. Com a atuação das fazendas da Aqualíder e da UFRPE/Pescadores, Pernambuco sai na frente dessa ousada empreitada nacional.

Informações para a imprensa: 3320.6524 / 8878.9999 (Ronaldo Cavalli ou Santiago Hamilton).

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