UFSCar cria seu Instituto de Estudos Avançados e Estratégicos 

UFSCar cria seu Instituto de Estudos Avançados e Estratégicos 

IEAE deverá agregar pesquisadores em projetos inter, multi e transdisciplinares na fronteira do conhecimento

A Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) acaba de criar o seu Instituto de Estudos Avançados e Estratégicos (IEAE), cuja missão será a de, a partir das competências já instaladas na Instituição, promover estudos e outras ações de caráter inter, multi e transdisciplinar com visão de futuro que sinalizem as ações relevantes e caminhos para o desenvolvimento humano e sustentável. A proposta foi aprovada pelo Conselho Universitário (ConsUni) da UFSCar na última sexta-feira (4/3), a partir de uma iniciativa da Reitoria da Universidade desenvolvida por grupo de trabalho constituído em maio do ano passado, formado por professores titulares das diferentes áreas de conhecimento.

“A proposta de um Instituto de Estudos Avançados vem desde a gestão anterior da UFSCar, responsável pela elaboração da proposta que resultou no financiamento, pela Finep [Financiadora de Estudos e Projetos], do edifício de 1.240 m2 que abrigará o IEAE. A iniciativa parte da constatação do grande patrimônio de competências instalado na UFSCar, com capacidade de pensar e propor rumos para importantes avanços nas mais diversas áreas do conhecimento e, muito especialmente, em temáticas que exigem o trabalho conjunto entre essas áreas”, relata Adilson de Oliveira, Vice-Reitor da UFSCar, que coordenou a iniciativa de elaboração da proposta. “Nesse sentido, o projeto aprovado agora tem a identidade da UFSCar e inova ao partir dos conceitos de sistemas complexos e de inteligência coletiva. Os sistemas complexos são aqueles em que não basta compreendermos cada um de seus elementos constituintes, em que o todo é maior do que a soma das partes e cuja compreensão exige também o olhar para as relações entre essas diferentes variáveis. Os grandes desafios da Humanidade atualmente estão configurados como sistemas complexos, como, por exemplo, àqueles relacionados ao clima, à compreensão da mente humana, à cognição, aos materiais, dentre inúmeros outros. Estes não são temas de simples abordagem, exigindo justamente a superação da estrutura disciplinar da Universidade e o suporte da Ciência da Informação e das tecnologias de informação e comunicação, o que nos aproxima da ideia de inteligência coletiva”, complementa Oliveira.

“A criação do Instituto de Estudos Avançados e Estratégicos da UFSCar representa um momento histórico não apenas para a Universidade, mas para o País e para o conjunto das universidades brasileiras. A UFSCar sempre primou pelo fomento a atividades interdisciplinares, pelo estabelecimento pioneiro de novas áreas – como foi o caso da Engenharia de Materiais já no momento de criação da Instituição – e pela qualidade e, agora, amplia a visão comum aos institutos de estudos avançados já existentes ao inserir também a ideia de visão estratégica”, afirma o professor Sérgio Mascarenhas de Oliveira, liderança acadêmica nacional e internacional que integrou o grupo de trabalho responsável pela proposta do IEAE. “Eu já tive a oportunidade de integrar institutos nacionais e fora do Brasil, inclusive o da Universidade de Princeton, que foi pioneiro, e apreciar o potencial de contribuição desses arranjos inclusive em contextos como o dos Estados Unidos. Em um país como o Brasil, essa proposta se diferencia frente ao potencial de contribuição às necessidades de desenvolvimento das políticas educacionais, da Saúde, da Ciência e da inovação e, sobretudo, por uma visão de mundo a partir da América Latina, dos Brics [grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul] e de outros países em desenvolvimento, o que representa uma tomada de posição muito original e um modo totalmente diferente de contribuir para a globalização. Eu estou muito esperançoso, muito orgulhoso e honrado por ter sido convidado a participar desse processo, e, considerando a celebração, em 2016, do centenário da Academia Brasileira de Ciências e, assim, também da organização da Ciência no Brasil, a criação do IEAE representa também uma participação histórica da UFSCar nesse momento tão importante”, registra Mascarenhas.

 

Atribuições e funcionamento

Dentre as principais atribuições do IEAE neste momento de implantação estão a definição de metas estratégicas e de objetivos em curto, médio e longo prazos, resultantes de prospecções internas e externas e da alimentação de uma base dinâmica de dados, informações e conhecimento que servirá de referência para a tomada de decisões. Para tanto, o Instituto deverá contar com uma estrutura funcional enxuta, composta por um Conselho, uma Direção assessorada por uma Secretaria Executiva e uma Assessoria Acadêmica e dois comitês, o Científico e o Acadêmico. Essa estrutura deverá se inscrever em uma extensa rede de relações a ser configurada a partir da atuação do IEAE como agente integrador, indutor e catalisador de ações que potencializem as diversas competências já estabelecidas e, também, aquelas almejadas pela Instituição. Para tanto, está prevista para as fases iniciais de implantação – com cronograma estabelecido até o final deste ano – a formação de grupos de trabalho temáticos a partir da identificação de temas agregadores e, posteriormente, a consolidação desses grupos pela construção de redes de relações internas e externas.

“Além das competências e da infraestrutura de pesquisa já instaladas na UFSCar, levamos em consideração a situação privilegiada do Campus São Carlos da Universidade em relação à capacidade instalada no Município como um todo. É importante destacar que o IEAE não terá docentes ou pesquisadores próprios, mas sim agregará equipes constituídas por pesquisadores diretamente vinculados aos seus projetos atuando em caráter cooperativo, da própria UFSCar e de instituições parceiras, apoiadas por uma estrutura mínima de administração e gestão da informação e por um espaço físico que promova oportunidades de interlocução”, detalha o Vice-Reitor da UFSCar. Do grupo de pesquisadores que elaborou a proposta aprovada pelo Conselho Universitário, algumas sugestões já delineadas são as de criação dos grupos de trabalho temáticos (GTTs) em “Materiais”, em “Saúde” e em “Cérebro e Saúde”. No entanto, como destacado, uma das primeiras atividades previstas é justamente a identificação de pessoas com interesses comuns para a composição de outros GTTs. A Direção do IEAE está a cargo do pesquisador Paulo César de Camargo, que presidiu o grupo responsável pela elaboração da proposta de criação do Instituto, e o contato pode ser realizado pelo e-mail da Vice-Reitoria da UFSCar (vicereitoria@ufscar.br), que na fase inicial de implantação está responsável pela Secretaria Executiva da nova unidade.

Coordenadoria de Comunicação Social – Universidade Federal de São Carlos

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