UFV integra consórcio internacional que decifrou genoma do fungo causador da ferrugem asiática

UFV integra consórcio internacional que decifrou genoma do fungo causador da ferrugem asiática

Detalhe microscópico de uma folha de soja infectada pelo fungo Phakopsora pachyrhzi

O genoma altamente complexo do fungo P. pachyrhizi, causador da ferrugem asiática, a mais devastadora doença da soja, foi decifrado por um consórcio único de empresas públicas e privadas, do qual a UFV faz parte. A doença é o principal desafio para os produtores de soja no Brasil que, somente com custos de manejo, gastam mais de dois bilhões de dólares por safra. Se não for controlada, a ferrugem pode levar a perdas de até 90% de produtividade.

O anúncio da conclusão do sequenciamento do genoma do fungo foi feito dia 30 de setembro em escala mundial. O consórcio internacional é formado por representantes de 12 instituições públicas e privadas. Além da UFV, ele inclui a Fundação 2Blades, a Bayer, a Embrapa, as universidades alemãs de Hohenheim e de RWTH Aachen, o Instituto Nacional da Pesquisa Agronômica (INRA-França) e a Universidade de Lorraine (França). Também integra o consórcio o Joint Genome Institute (JGI, EUA), da KeyGene, do Laboratório Sainsbury (Reino Unido), da Syngenta.

Na UFV, o trabalho foi coordenado pelo professor Sérgio Brommonschenkel, do Laboratório de Genética e Genômica de Interações Planta/Patógeno. Os pesquisadores envolvidos concluíram o sequenciamento e a montagem não apenas do genoma de um, mas de três isolados de P. pachyrhizi.

Segundo o professor Brommonschenkel, o patógeno é difícil de ser combatido porque é capaz de se adaptar às inúmeras estratégias de controle já conhecidas. Para acelerar a inovação, desenvolver novas características e descobrir novos modos de ação contra o fungo era essencial decifrar o genoma considerado de alta complexidade, o que dificultava a sua caracterização pelas técnicas tradicionais de sequenciamento.

Para se ter uma ideia da complexidade, a montagem do genoma de referência abrange 1,057 Gb, por tratar-se de um dos maiores genomas entre fungos e patógenos vegetais em geral. Apesar de seu tamanho, o número de genes preditos em seu genoma é de cerca de 20.700, o que é semelhante ao número encontrado em outros fungos da ferrugem. O consórcio também gerou um atlas de expressão (transcriptoma) de todas as estruturas fúngicas em diferentes estágios de infecção do patógeno. Esse conhecimento, segundo o professor Brommonschenkel, contribuirá para melhorar a anotação e ampliar o conhecimento dos mecanismos moleculares explorados por P. pachyrhizi durante o processo de patogênese.

O genoma de outros dois isolados do fungo foram sequenciados e montados na UFV, pelo grupo do Laboratório de Genética e Genômica de Interações Planta/Patógeno. “A disponibilidade de um genoma de referência oferece uma oportunidade única para entender os mecanismos genéticos empregados pelo fungo para quebrar a resistência de variedades comerciais e também desenvolver resistência aos fungicidas”, explica o professor. Para ele, o conhecimento detalhado do arsenal genético empregado pelo patógeno em sua interação com a soja e outros hospedeiros pode contribuir para o desenvolvimento de estratégias inovadoras e disruptivas para o controle desse importante patógeno.

Todos os dados do sequenciamento genético estão disponíveis para a comunidade científica no link https://mycocosm.jgi.doe.gov/Phapa1

Compartilhar