UnB leva gramática a trabalhadores de Ceilândia

UnB leva gramática a trabalhadores de Ceilândia

“Todo mundo sabe português, mas não tem consciência disso.” É a partir desta ideia que a professora Eloisa Pilati e alunos extensionistas de Letras – Português da Universidade de Brasília criaram uma série de oficinas para trabalhadores do Distrito Federal e Entorno.

As Oficinas de leitura e produção de textos tiveram como objetivo capacitar os participantes para a realizarem com competência atividades voltadas para a realidade do trabalhador.

Baseadas na metodologia da aprendizagem linguística ativa, as oficinas trouxeram temas relacionados ao mundo do trabalho e foram ministradas por alunos de Letras Português supervisionados pela professora Eloísa Pilati.

Eloisa desenvolveu o método a partir da teoria gerativista, de Noam Chomsky, aliada a uma sequência didática da aprendizagem linguística ativa. De forma lúdica e com materiais concretos, os alunos são protagonistas da sua própria aprendizagem.

O público foi bom. Dos 35 alunos que iniciaram o curso composto por nove oficinas, 25 terminaram.

Na última oficina realizada com a turma da Biblioteca de Ceilândia, Bianca Gomes, do décimo semestre de Letras Português, e Mateus William, do oitavo, aplicaram questionários voltados a medir o desenvolvimento dos alunos durante o período do curso.

No início, os alunos fizeram um diagnóstico e os relatos não eram bons. “Partir do conhecimento prévio dos alunos é crucial”, explica a professora Eloísa.

Durante as aulas, conseguir fazer com os alunos participassem não era fácil. “Agora tem mais domínio do conteúdo”, se anima Bianca.

A metodologia leva o aluno a olhar como o especialista e identificar padrões. Enquanto métodos mais tradicionais são muito passivos, aqui os alunos são protagonistas, e depois de pouco tempo, já conseguem escrever com segurança.

“É fácil ensinar quebrado, o problema é quando se depara com o texto”, analisa Mateus. É por isso que o método de ensino desenvolvido prevê que a gramática seja ensinada como um sistema. O objetivo é também, por meio de experimentos, tornar algo abstrato em concreto.

A parceria com a Biblioteca Pública de Ceilândia, localizada ao lado da estação Ceilândia Norte do Metrô, foi bem sucedida. Cilene Rodrigues, funcionária da biblioteca, afirmou que as portas estão abertas para uma nova parceria com a UnB. “Só temos elogios, se quiserem podem fazer a parte dois”, brinca.

Em 2017, a professora Eloísa Pilati publicou o livro Linguística, gramática e aprendizagem ativa. A obra traz a ideia de que unir conhecimentos linguísticos com uma metodologia de ensino baseada na aprendizagem ativa é capaz de favorecer o aprendizado consciente, crítico e mais efetivo da estrutura do idioma.

Se antes, para os alunos, a gramática era um mistério, depois de terem a autoestima linguística trabalhada, eles já sabem que esse conhecimento é inato. E pretendem passar para frente.

O estudante de pedagogia Anderson Natanael, conhecido como Mc Docinho, ficou sabendo da oportunidade pela internet. Para ele, a gramática era assunto complicado, mas aprender com o método concreto mudou sua visão.

“Tive a consciência que a gente já sabe gramática quando se comunica, só falta a teoria”, diz. Morador da Expansão do Setor O, o educador popular afirma que vai utilizar o método aprendido nas oficinas para ajudar crianças na periferia.

A execução do projeto Oficinas de leitura e produção de textos: uso consciente de ferramentas linguísticas para leitura e produção de textos no mundo do trabalho é resultado de acordo firmado entre a UnB e o Ministério Público do Trabalho.

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