UNB – Mil e cem jovens cientistas do DF exibem projetos de pesquisa

UNB – Mil e cem jovens cientistas do DF exibem projetos de pesquisa

Mais da metade dos trabalhos são de alunos da UnB. Apresentação acontece durante Semana de Iniciação Científica

Saulo Marques da Cunha é estudante do 8º semestre de Química. Desde o início deste ano, ele participa do Programa de Iniciação Científica (Proic) do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) em um projeto que trabalha com plástico biodegradável para embalagens. A experiência tem sido tão produtiva, que ele já pensa na carreira acadêmica.

Saulo é um dos 860 alunos de graduação da Universidade de Brasília que irão apresentar um projeto na Semana de Iniciação Científica, parte do calendário da Semana Universitária da UnB. O evento envolve também estudantes da Universidade Católica de Brasília (UCB), do Centro Universitário de Brasília (Uniceub) e da Fundação de Ensino e Pesquisa em Ciências da Saúde do Distrito Federal (Fepecs).

Ao total, 1.100 alunos apresentarão trabalhos durante a Semana de Iniciação Científica, que ocorre de 8 a 11 de novembro e reúne o 7º Congresso de Iniciação Científica do DF e o XVI Congresso de Iniciação Científica da UnB. As atividades serão compostas por mesa-redonda e apresentação de pôsteres com trabalhos de pesquisa desenvolvidos pelos alunos. Cada dia será dedicado a um tema. No dia 9, serão expostos trabalhos da área de ciências da vida. O dia seguinte será reservado aos projetos de ciências humanas. Os trabalhos da área de ciências exatas serão exibidos no último dia. No dia 8 acontece apenas a abertura.

O Proic de que Saulo participa trata da criação de plásticos biodegradáveis a partir de mandioca, óleo de pequi e argila, todos recursos naturais. O amido – que vem da mandioca –  já é usado na produção de plásticos que se decompõem em menos tempo e não agridem a natureza. A novidade é o uso do óleo de pequi, que aumenta a resistência do plástico durante o transporte e o armazenamento. A ideia é fazer embalagens para cigarros e balas.

Os testes de degradação já provaram que o material se decompõe em menos de dois meses. Foram feitos testes para dois, quatro e seis meses e, na primeira amostra verificada, já não havia nenhum vestígio do plástico. “O material está muito além do que a gente esperava”, conta Saulo. “Agora, o plástico está passando por testes semanais para medirmos o tempo de decomposição com maior precisão”, explica.

PROJETOS – Outra autora de projeto que será apresentado na Semana de Iniciação Científica, Talita de Sousa, acabou de se formar em Odontologia. Se não fosse o Proic, a estudante de 22 anos passaria pela UnB sem conhecer a rotina de um laboratório. “É muito difícil a graduação ter acesso ao desenvolvimento de pesquisas. Os alunos deveriam se interessar mais pelo Proic porque traz um conhecimento que vai além da sala de aula”, afirma. Ela participou de uma pesquisa sobre a alteração na saliva de pessoas com câncer – nas regiões do pescoço ou da cabeça – em tratamento com radioterapia.

O estudo analisou o comportamento da saliva de 12 pacientes antes de iniciarem o tratamento com radioterapia e depois de algumas sessões. A comparação mostrou que a capacidade de neutralizar o ácido, o Ph e a quantidade de proteínas da saliva diminuíram. Essa diminuição aumenta as chances do paciente desenvolver cáries e aftas e alteração do paladar. “A ideia é que a gente consiga depois dessa pesquisa achar maneiras de amenizar os efeitos da radioterapia”, avisa Talita.

A aluna Marina Linzmayer, do 7º semestre de Nutrição, apresentará na manhã do dia 9 de novembro sua primeira experiência em laboratório. Ela estudou como a arginina – um aminoácido – melhora a cicatrização de feridas. O experimento foi feito com camundongos obesos. “Nós alimentamos os animais com uma ração hiper-calórica e já concluímos que os obesos têm mais dificuldade de cicatrização”, explica Marina. Foram 25 dias alimentando dez ratos saudáveis. Em comparação a outro grupo de dez camundongos que não foram submetidos à alimentação forçada, os obesos ganharam 33% de peso a mais.

Depois de conseguir engordar os animais, a pesquisadora fez um corte de três centímetros em cada camundongo. Os dez ratos foram divididos em dois grupos de cinco. Um grupo foi tratado com arginina e o outro não recebeu a medicação. Foram 30 dias de aplicação de um gel de arginina em cima do corte. Os ratos que receberam o gel tiveram uma melhora na regeneração do tecido. O resultado foi tão animador que a orientadora da pesquisa, professora Anamélia Bocca, do departamento de Biologia Celular, pensa em comercializar uma fórmula para uso humano. “Os resultados foram visíveis. Não houve aceleração no tempo de cicatrização, mas na melhora mesmo da regeneração dos tecidos”, explica Anamélia.

Outro aluno, Victor Hugo, do 8º semestre da Música, faz parte do Mídia Lab, um laboratório que mistura arte e música. Victor vai apresentar na tarde do dia 10 de novembro um projeto de uma instalação artística chamado de Música da Vida. São 16 auto-falantes independentes presos no teto e ‘comandados’ pelo programa de computador Jogo da Vida. O programa já existe. O que Victor fez foi ligá-lo a auto-falantes para produzir uma forma diferente de música eletrônica. “É basicamente uma imersão sonora. A pessoa que visitar a instalação ficará cercada de sons”, explica o estudante. “É como se eu desse um papel e um lápis para uma criança. Eu não sei o que pode acontecer”, explica Victor.

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