UNIFEI promove evento sobre ondas gravitacionais

UNIFEI promove evento sobre ondas gravitacionais

O Instituto de Física e Química (IFQ) da Universidade Federal de Itajubá (Unifei) promoveu em seu campus sede um evento de divulgação científica, aberto ao público em geral, intitulado “A Primeira Detecção de Ondas Gravitacionais: Significado e Importância”. Foram convidados os doutores Odylio Denys de Aguiar e César Augusto Costa, ambos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que fazem parte do consórcio LIGO (sigla em inglês de Laser Interferometer Gravitacional-wave Observatory) e são co-autores do trabalho científico que reportou a primeira detecção de ondas gravitacionais.

Odylio Denys Aguiar é pioneiro mundial na pesquisa e instrumentação para detecção de ondas gravitacionais e também o maior cientista brasileiro nesta área. César Augusto Costa abriu o evento ministrando a palestra “LIGO detecta diretamente a fusão de dois buracos negros”. Posteriormente ocorreu uma mesa redonda com os dois convidados e os professores Alan Bendasoli Pavan (físico teórico-computacional que trabalha com modelos de buracos negros) e Gabriel Rodrigues Hickel (astrofísico), ambos do IFQ da Unifei. Na mesa redonda, o público participopou com perguntas sobre a instrumentação e tecnologia, ondas gravitacionais, buracos negros e todo o tipo de assunto pertinente a este importante avanço da astrofísica mundial.

O anúncio da primeira detecção de ondas gravitacionais na história da humanidade trouxe euforia para a comunidade científica, mais particularmente para os físicos do mundo todo. Em 14 de Setembro de 2015 os dois detectores do LIGO, ambos situados nos Estados Unidos, observaram simultaneamente um sinal transiente em ondas gravitacionais. Trabalhando no extremo atual da capacidade tecnológica, a alta sensibilidade do LIGO foi capaz de detectar este sinal com grau de confiança maior que 99,9%.

As ondas gravitacionais são uma previsão da Teoria da Relatividade Geral de Einstein, feita há um século atrás. Mas nunca haviam sido detectadas antes devido a sua pequena amplitude, levando à necessidade da construção de instrumentos com sensibilidades capazes de discernir variações até um milhão de vezes menor que o tamanho de um átomo. A tecnologia e investimento necessários só foram possíveis após 100 anos de sua previsão.

A natureza do sinal detectado sugere que ele tenha advindo de um processo denominado coalescência de dois buracos negros. Neste processo, um par de buracos negros giram um em torno do outro, progressivamente diminuindo a distância entre eles, até que no estágio final eles se fundem.

No processo de fusão, o rearranjo da estrutura provoca a emissão de ondas gravitacionais. No caso específico do sinal detectado pelo LIGO, os dois buracos negros tinham massas da ordem de 30 vezes a massa do nosso Sol. O processo ocorreu a cerca de 1,34 bilhões de anos-luz de distância (1 ano-luz = 9,5 trilhões de km), em outra galáxia.

SECOM – Universidade Federal de Itajubá

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