UNIFESSPA – Isolamento Social: Incluir projeto de longo prazo na rotina ajuda a proteger saúde mental

UNIFESSPA – Isolamento Social: Incluir projeto de longo prazo na rotina ajuda a proteger saúde mental

Há mais de dois anos, a dona de casa *Helena, 51 anos, estava livre dos sintomas da Síndrome do pânico, doença que havia sido diagnosticada e tratada com uso de medicamentos e psicoterapia. Mas, depois de 15 dias de isolamento social, em função da prevenção ao novo coronavírus, ela voltou a sentir alguns sintomas semelhantes.

“Comecei a sentir muito medo, preocupação intensa, principalmente à noite. Numa crise recente, meu esposo teve que me levar pra dar uma volta de carro pela cidade pra poder passar o mal-estar”, contou.

Mesmo quem não tem histórico de doenças psicológicas pode vir  a sofrer com os impactos do longo período de isolamento social. O estudante da Unifesspa, Rogério Filho, já sente o peso de ficar em casa tantos dias. “Parece que o tempo não passa e quando a gente tá na Universidade pelo menos estamos conversando e interagindo com os amigos. Isso (Coronavírus) acaba fazendo com que a gente fique mais ansioso por causa de tudo que está acontecendo e, principalmente, por não saber se vai passar logo”, desabafa.

De acordo com os especialistas, momentos de crise como uma pandemia podem despertar nas pessoas afetos muito intensos. Angústia, ansiedade, sensação de desamparo, sensação de pânico, sentimento de desesperança, de inutilidade, medo intenso, medo de morrer e insônias são os principais efeitos psicológicos que podem acometer algumas pessoas, nesse período.

“São sintomas muito comuns da clínica psicológica de pessoas que passam por alguma situação de estresse muito intenso ou experiências potencialmente traumáticas.  O que é importante dizer é que esses sintomas não são específicos da pandemia, mas podem vir a acontecer com algumas pessoas nesse período de grande estresse e preocupação”, ressaltou a professora da Faculdade de Psicologia da Unifesspa, Katerine Sonoda.

Cuidados com a saúde mental

A psicóloga alerta para os cuidados que as pessoas precisam ter durante esse momento de isolamento em casa. Estabelecer uma rotina é o primeiro passo para garantir a proteção da saúde mental. Nos primeiros dias foi recomendado fazer coisas leves que há muito tempo não fazia, como colocar o sono em dia, ver séries e filmes. Mas, segundo ela, a longo prazo é preciso estabelecer estratégias mais sofisticadas pra estar dentro de casa.

“Manter uma rotina é fator protetor da nossa saúde mental. Ter hora pra comer, se higienizar, cuidar da casa, dos filhos, hora pra trabalhar, quem está de home office. Além disso, é importante ter projetos grandes, a longo prazo. Terminar uma monografia, por exemplo, desenvolver um artigo, um serviço voluntariado, enfim, se ocupar de coisas que são realizadas a longo prazo. Um planejamento que vai entrar na rotina e que não comece e termine no mesmo dia. Manter uma rede de apoio e cuidados também é fundamental”, recomendou.

A professora Katerine Sonoda destaca, ainda, que a situação de confinamento não precisa ser uma situação de isolamento social, podendo ser mais suave se a pessoa mantém e cuida de uma rede de apoio que, nas atuais circunstâncias, é digital. Ligar para os amigos e familiares com frequência, fazer chamadas de vídeos são aglumas das estratégias a serem utilizadas. “E para quem tem crianças em casa, acredito ser importante explicar para elas o que está acontecendo. Assim como para os outros grupos de risco”, acrescentou.

Apoio Psicológico

Segundo a professora, diante da necessidade de distanciamento físico, as formas de atendimento psicológico estão sendo repensadas e, cada vez mais, se adequando às novas tecnologias. “No campo da psicologia, o que parece específico nessa pandemia é a forma como estamos oferecendo o tratamento, o cuidado. Os atendimentos mediados por computador estão sendo repensados, até mesmo entre psicólogos mais ortodoxos, como uma ferramenta e estratégia muito interessante, uma oferta de cuidado muito potente com as pessoas que estão em sofrimento muito intenso”, comentou.

Em caso de sofrimento intenso é recomendado buscar ajuda profissional. A Unifesspa tem ofertado acolhimento psicológico para estudantes e servidores que estejam enfrentando problemas emocionais nesse período de suspensão das atividades. Os alunos podem solicitar apoio psicológico enviando o contato e breve relato para o email: covid19.apoiopsico@unifesspa.edu.br. O atendimento é realizado por telefone. Já os servidores contam com o apoio de psicólogos voluntários que estão realizando escuta psicológica online.  Caso necessitem, os servidores devem enviar o nome e telefone de whatsapp para o e-mail covid19.escutaservidor@unifesspa.edu.br.

As ações de acolhimento psicológico para alunos e servidores da Unifesspa estão sendo coordenadas pela Faculdade de Psicologia (Fapsi), contando com a participação de estudantes de graduação, psicólogos voluntários de Marabá e região e apoio da Divisão de Saúde e Qualidade de Vida (DSQV/Progep) da Unifesspa. A Unifesspa também disponilizou o contato do Comitê de Acompanhamento da Covid-19 para a comunidade universitária tirar dúvidase/ou solicitar informações sobre enfrentamente a esta pandemia (comitecovid19@unifesspa.edu.br).

*A pedido da dona de casa, o nome foi alterado para preservar sua identidade.

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