Unificação do vestibular e pluralidade, artigo da professora Elisa Anhaia

Unificação do vestibular e pluralidade, artigo da professora Elisa Anhaia

Na condição de Professora do idioma espanhol, demonstro preocupação com as recentes notícias veiculadas em órgãos de imprensa referente à criação de uma prova unificada como forma de ingresso nas Universidades Federais, tendo em vista que estará desconsiderando peculiaridades regionais e não resultará em melhora do ensino no país. Além disso,essa medida está sendo imposta  e lançada à sociedade de forma abrupta. Para que realmente se tenha uma mudança eficaz necessita-se diálogo com todos os setores educacionais e, principalmente, estudo não somente do projeto a ser realizado, mas também das consequências que ele poderá trazer às pessoas envolvidas. 

No que diz respeito à prova de língua estrangeira moderna há inclinação no sentido de ser adotado apenas a língua inglesa, excluindo, assim, a opção que até hoje vigora nas Universidades Federais no Rio Grande do Sul e  em  outros  Estados : a língua  espanhola.

 Tal medida se configura como injusta, antidemocrática, restritiva e contrária à universalidade do conhecimento. Devemos ter presente o fato de que no ensino médio há muitas escolas que adotam o idioma espanhol como primeira opção. Além disso, a cada ano , mais estudantes optam pela língua em questão na prova do Concurso para ingresso na Universidade. Portanto, seja pelo Vestibular,seja pelo Enem , a pluralidade deve ter sua importância reconhecida.

Outro fato a ser analisado é que, recentemente, através da Lei 11.161 sancionada pelo Exmo. Sr. Presidente Lula, o espanhol foi considerado como o segundo idioma estrangeiro no Brasil e todas as escolas de Ensino Médio deverão oferecê-lo a seus alunos a partir de 2010. Inclusive, é de ser levantada a seguinte questão:   O espanhol se tornará obrigatório no ensino médio, nossos alunos estudarão os três anos da língua em questão e, depois, para ingressarem na Faculdade terão de fazer a prova em inglês?  – Onde está a coerência? restaria unicamente o esquecimento de tal lei.

Certamente, a manutenção da opção pelo idioma se caracteriza como mais democrática, menos elitista e respeitadora de princípios que norteiam a educação, tais como: igualdade de condições,igualdade de aprendizado,  e pluralismo de idéias.

Por fim, é de salientar que no ano de 2002, no Estado do Rio Grande do Sul, ocorreu uma grande mobilização de alunos e Professores no tocante a manutenção da pluralidade na prova de língua estrangeira moderna , quando a UFRGS tentou implantar o idioma único no curso de Medicina, inclusive com o ajuizamento de Ação Civil Pública pelo Ministério Publico Federal, bem como a impetração de vários mandados de segurança perante a Justiça Federal, que acabaram sendo decididos de forma unânime pelas Turmas do E. Tribunal Regional Federal da 4ª. Região, pela manutenção da pluralidade do idioma.

Em razão dos fatos acima descritos, penso que se for decidido pela Unificação do Vestibular, seja ao menos respeitada a escolha pelo idioma que mais se adequar à realidade de cada estudante.

Elisa Anhaia, enviado por e-mail ao Portal Andifes

 

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