UNIPAMPA adota reutilização de água pluvial

UNIPAMPA adota reutilização de água pluvial

A preocupação em promover sustentabilidade nos campi da Universidade Federal do Pampa (Unipampa) está presente em diversas ações da instituição. Um dos projetos desenvolvidos pela  Pró-Reitoria de Planejamento e Infraestrutura (Proplan) visa utilizar de forma mais consciente os recursos hídricos. O projeto conta com a instalação de um sistema de reutilização da água da chuva, que é armazenada em reservatórios que coletam a água por meio de canos que saem das calhas dos prédios da instituição. Desde 2012, todas as novas obras realizadas nos dez campi da Unipampa contam com esse sistema de reutilização.

Para o arquiteto e urbanista da Divisão de Projetos Arquitetônicos, Rafael Fiss, a importância da utilização desse sistema é “racionalizar o uso da água potável, diminuindo o gasto de água nas funções de descarga das bacias sanitárias e torneiras de jardim’’. O projeto não é padrão em todos os campi, pois é planejado na planta de novas edificações dependendo das características da construção de cada prédio.

Segundo o pró-reitor adjunto de planejamento e infraestrutura, o engenheiro civil José Waldomiro Rojas, o Campus Uruguaiana, por exemplo, ainda não possui o sistema, pois é abastecido com água de poço artesiano. Entretanto, novas edificações do Campus contarão com a reutilização da água da chuva no projeto. Além disso, de acordo com Rafael Fiss, não é possível realizar uma estimativa do total economizado nos campi, já que cada edifício possui um modelo de construção e o acúmulo de água é suscetível ao volume de chuva mensal.

Esquema de um sistema de reutilização da água da chuva

Sistema de reutilização da água da chuva

Segundo o coordenador administrativo do Campus Alegrete, Fernando Munhoz da Silveira, existem cinco caixas d’água de cinco mil litros que recebem a água da chuva dos telhados. Essa água armazenada é reaproveitada nas descargas dos banheiros sanitários. Segundo Munhoz, o Campus possui o sistema nos prédios acadêmicos e administrativo. Já no Campus Bagé, a água da chuva coletada é utilizada tanto nas descargas dos banheiros quanto na limpeza em geral. O sistema foi projetado na cantina e conta com duas caixas d’água com aproximadamente dez mil litros de capacidade de armazenamento.

Em Santana do Livramento, o prédio que está sendo construído no Campus irá contar com o projeto de reutilização da água da chuva. Segundo a arquiteta da Divisão de Projetos Arquitetônicos, Helena Magalhães, será instalada uma caixa d’água com capacidade de dois mil litros de armazenamento. A água será reaproveitada para a limpeza do pátio do instituição e também na jardinagem.

Para o coordenador administrativo do Campus São Borja, Luís André Padilha, desde a instalação desse sistema, o consumo de água potável no campus é mínimo: “é para chimarrão e para tomar água. O resto [da utilização] é com a água coletada da chuva”, destaca. A água da chuva, armazenada nos reservatórios, é utilizada para a limpeza do prédios e também nas descargas dos vasos sanitários. Atualmente, nos prédios do Campus São Borja, é possível armazenar até 50 mil litros de água. Já no prédio acadêmico III, em construção, serão instalados mais cinco reservatórios.

Campus São Gabriel conta com cinco caixas d’água no prédio acadêmico II. A água é utilizada nas descargas dos banheiros sanitários. Além disso, a estufa para plantas do Campus também possui um reservatório de 500 litros e a água coletada é reaproveitada para regar as plantas. Além do uso mais consciente da água, o Campus São Gabriel também possui uma estrutura no prédio acadêmico II que permite um maior aproveitamento da luz natural para diminuir o consumo de energia elétrica.

A professora do curso de Engenharia Ambiental e Sanitária do Campus Caçapava do Sul, Maria Amélia Zazycki, explica o porquê da água da chuva não ser potável, ou seja, não ser própria para o consumo. Segundo ela, a qualidade da água da chuva passa por três momentos: “na atmosfera as gotículas são contaminadas com poluentes desde partículas de poeira e fuligem, até sulfato (originado dos óxidos de enxofre lançados com a queima de combustíveis), amônio (substância produzida em processos de decomposição, inclusive aqueles ligados ao metabolismo de seres vivos), nitrato (resultante da emissão de óxidos de nitrogênio pelos escapamentos), ácidos fórmicos e acéticos (que vêm dos hidrocarbonetos, também liberados pelos carros). Ao passar pelo telhado a água é contaminada por fezes de pássaros, insetos, restos de vegetais (folhas, galhos etc.) e outros detritos. Ao ser armazenada na cisterna, a água contém todas essas impurezas e, ainda, dependendo do material que é feita a cisterna, este pode afetar a qualidade da água”.

De acordo com a professora Maria Amélia Zazycki, é indicado descartar dois milímetros da primeira chuva para a eliminação de alguma sujeira que ainda pode acabar passando pelo filtro. Além disso, é necessário realizar limpezas periódicas em todo o sistema, para ter um melhor aproveitamento dessa água armazenada para fins não potáveis, como a limpeza e descarga de sanitários. A professora ainda destaca a relevância de atitudes sustentáveis na universidade para formação cidadã: “é no meio acadêmico que devemos incentivar e adotar ações práticas que estimulem os alunos a refletir sobre mudança de hábitos, comportamentos, estilos de vida e padrões de consumo para uma reestruturação do comportamento social buscando alternativas de preservação ambiental e adotando modelos com base mais sustentáveis para a vida’, conclui Maria Amélia Zazycki.

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