USP tem onda de sequestros-relâmpagos

USP tem onda de sequestros-relâmpagos

Três casos aconteceram em um período de nove dias, dentro do campus; vítimas são estudantes da universidade

Reitoria afirma que “está empenhada em melhorar o sistema de segurança”, mas não explica o que será feito

Uma jovem e seu acompanhante estacionam o carro. São abordados por dois rapazes que os jogam no banco de trás e começam a rodar em alta velocidade. Minutos depois, pedem dinheiro e cartões e partem com o veículo.
O sequestro-relâmpago, ocorrido na quarta passada, às 19h, poderia ser só mais um nas estatísticas paulistanas. Ele aconteceu, porém, dentro da Cidade Universitária, zona oeste de São Paulo.
E não se trata de um caso isolado. A reitoria da USP confirma outros dois nas últimas duas semanas: em 23 de março, uma aluna foi abordada próximo à Faculdade de Ciências Farmacêuticas, por volta das 21h30, e levada até um caixa eletrônico do campus. No dia 31, um assalto envolveu outro estudante.
A reitoria afirma que “está empenhada em melhorar o sistema de segurança na USP”, mas não dá detalhes. A Cidade Universitária conta com 95 câmeras de monitoramento, uma guarda própria com efetivo de 114 homens, além de rondas preventivas da Polícia Militar.
Durante a semana, a partir das 20h, o acesso ao campus é restrito a alunos com carteirinha e seus acompanhantes. Diariamente, circulam pelo local cerca de 100 mil pessoas, segundo a reitoria.

“INERENTE À SOCIEDADE”
A estudante sequestrada na quarta disse à Folha que está com medo de ir para a universidade.
Para Tatiane Ribeiro, integrante do Diretório Central dos Estudantes, o foco da guarda deveria mudar. “Estão mais empenhados em reprimir manifestações. Não estão voltados para a segurança do estudante”, disse.
Há reclamações quanto à iluminação, algo que a reitoria promete melhorar. Não foram citadas datas nem metas. Sobre a guarda própria, a direção da universidade afirmou, em nota, que “as rondas são realizadas periodicamente nos locais de risco”. A reitoria observou ainda que a violência é “inerente à sociedade paulistana, na qual a USP está inserida”.
Até agora, em seu banco de dados divulgado para a população, a universidade não tem sequestros-relâmpagos registrados entre os crimes ocorridos no campus. A reitoria ressalta, no entanto, que eventuais casos podem ter sido registrados diretamente em delegacias.

UNICAMP
A Unicamp também registrou casos de violência em seu campus nos últimos dias. Houve ao menos um sequestro-relâmpago e três assaltos a mão armada no mês de março. A universidade fica a 12 km do centro de Campinas, no interior paulista.
O último caso ocorreu há 11 dias, quando dois homens armados assaltaram a loja de fotocópias da Faculdade de Engenharia de Alimentos.
A Unicamp diz que seu serviço de vigilância interna registrou dois roubos em 2011, mesmo número de todo o ano de 2010, e que o sistema de segurança está sendo modernizado e contará com 240 câmeras de monitoramento.

Colaborou GUSTAVO HENNEMANN

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