Angelita Pereira de Lima participa do lançamento do Comitê Pró Instituto Nacional do Cerrado

O evento de lançamento do Comitê Pró Instituto Nacional do Cerrado reuniu reitores e reitoras de diferentes instituições de ensino superior (IES) brasileiras, representantes de órgãos públicos e organizações não governamentais ligadas ao Cerrado e parlamentares das esferas federal, estadual e municipal. A solenidade foi realizada na quarta-feira (20/8) no Auditório do Centro de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico (CDT) da Universidade de Brasília (UnB). A reitora da Universidade Federal de Goiás (UFG), Angelita Pereira de Lima, exaltou o trabalho interinstitucional que tem sido feito desde 2023 para que se chegasse até o lançamento do comitê. “Chegamos até aqui, ampliamos nossas forças, ampliamos nossa articulação, mas nós temos muito trabalho a fazer. Temos que levar o Cerrado à COP 30 [30ª Conferência sobre Mudanças Climáticas], temos que levar o grito do Cerrado para chegar aos ouvidos do presidente Lula”, enfatizou.
A cerimônia de inauguração do comitê foi iniciada com uma fala da reitora da UnB, Rozana Reigota Naves. A gestora explicou que o objetivo desta associação é de 24 IES – públicas federais e estaduais e também privadas – é fortalecer o movimento de criação de uma nova unidade de instituto nacional de pesquisa, ciência e tecnologia voltada para o Cerrado. “Nosso sonho é de que seja vinculada ao Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação [MCTI]”.
Rozana Naves destacou o orgulho que sente pela UnB sediar o comitê e desejou que o Instituto Nacional do Cerrado se torne uma realidade em breve. “Que a gente consiga transcender as nossas instituições e também o movimento em defesa do Cerrado tanto no âmbito nacional quanto no internacional”, afirmou, também lembrando da proximidade da COP-30.
A pesquisadora e professora da UnB e ex-presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Mercedes Bustamante, fez uma participação virtual na solenidade e afirmou que esta “vai ser uma oportunidade de congregar as comunidades científicas e os tomadores de decisão em torno das questões relativas ao desenvolvimento sustentável do Cerrado”. Quem também manifestou apoio à iniciativa foi o pesquisador e professor da Universidade de São Paulo (Paulo Artaxo) Paulo Artaxo. “Que o instituto possa proteger esse bioma extremamente estratégico para o ciclo hidrológico de todas as regiões brasileiras”, declarou.
Pessoas
Ao manifestar o reconhecimento da importância de que seja criado um instituto voltado ao Cerrado, o presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Mauro Pires, quis trazer outro aspecto para a discussão, além do ambiental. “A natureza desse bioma está intrinsecamente ligada à natureza dessas pessoas que moram nesse bioma. Nós precisamos de um instituto que possa conectar a produção de conhecimento que as universidades e institutos já realizam individualmente”.
Mauro Pires, que é egresso da UFG, chama a atenção para os desafios estruturantes existentes. “Precisamos melhorar o desenvolvimento científico e tecnológico, encontrando alternativas econômicas ou geração de riqueza que conservem esse bioma”. Ele disse ainda que “essa iniciativa vai fortalecer o desenvolvimento tecnológico, mas também vai trazer densidade para as ações na política pública”, finalizou.
A inauguração do comitê contou com a presença de parlamentares como os deputados federais Rubens Otoni e Erika Kokay, que declararam apoio às articulações pela criação do Instituto Nacional do Cerrado e pela inclusão do mesmo no orçamento da União. A vereadora por Goiânia Kátia Maria também participou da solenidade.
O presidente Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Rodrigo Agostinho, endossou a necessidade de se criar o Instituto Nacional do Cerrado, com os devidos recursos. “Eu conheço os outros institutos [nacionais] e sei das dificuldades que passam. Precisamos valorizar a pesquisa nesse País, a gente precisa valorizar o orçamento para essas instituições. Porque também não vai bastar ter o Instituto Nacional do Cerrado se não houver a estrutura necessária”, disse, oferecendo o apoio do Ibama.
A fala de encerramento da inauguração ficou a cargo da reitora da UFG, Angelita Pereira de Lima, que reforçou os agradecimentos a todos os agentes envolvidos no processo de trabalho pela criação do futuro Instituto Nacional do Cerrado. “Hoje é um dia extremamente importante e nós somos muito responsáveis por tudo que estamos fazendo, mas nós somos principalmente agentes de uma política estratégica para o País”, finalizou.
Durante a solenidade foi lida a “Carta de compromisso de reitoras e reitores de instituições de educação superior para a criação do Comitê Pró Instituto Nacional do Cerrado”. As instituições signatárias da carta são: Universidade de Brasília (UnB), Universidade Federal de Goiás (UFG), Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Instituto Federal de Brasília (IF de Brasília), Instituto Federal de Goiás (IF Goiás), Instituto Federal Goiano (IF Goiano), Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO), Universidade Estadual de Goiás (UEG), Universidade Evangélica de Goiás (Unievangélica), Universidade Federal de Catalão (UFCat), Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), Universidade Federal de Jataí (UFJ), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade Católica de Brasília (UCB), Universidade Federal de Viçosa (UFV), Universidade Federal do Tocantins (UFT), Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), Instituto Federal do Tocantins (UFT), Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) e Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT), Universidade Federal do Oeste da Bahia (Ufob) e Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Ao final do evento, foi feito o descerramento da placa do comitê.
Texto: Versanna Carvalho (UFG). Fotos: reprodução YouTube UFG Oficial e Instagram Instituto Nacional do Cerrado
