UFMA firma parceria com BRK para pesquisa sobre reaproveitamento de lodo de esgoto como fonte energética

O projeto aposta em sustentabilidade, inovação tecnológica e formação de estudantes

UFMA e BRK celebram Acordo de Parceria para Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I)

A Universidade Federal do Maranhão (UFMA) segue com o compromisso de fortalecer a pesquisa aplicada e a inovação voltada à sustentabilidade ambiental. Na última sexta-feira, 30, a UFMA e a BRK, concessionária de saneamento dos municípios de Paço do Lumiar e São José de Ribamar, assinaram um Acordo de Parceria para Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) para a execução do projeto de pesquisa intitulado “Estudo técnico para o uso do lodo proveniente de estação de tratamento domiciliar como fonte energética em fornalha de caldeiras industriais”.

O projeto é coordenado pelo docente Harvey Alexander Villa Vélez, do Curso de Engenharia Química da UFMA, e tem por objetivo central o reaproveitamento do lodo gerado nas Estações de Tratamento de Esgoto (ETE), transformando um resíduo do saneamento em fonte energética alternativa, com potencial aplicação como biocombustível sólido em caldeiras industriais.

Durante a reunião de assinatura da parceria, foi destacada a importância do projeto ao priorizar pesquisa e desenvolvimento em um campo essencial para a sociedade e para a indústria, aliando inovação e responsabilidade técnica e ambiental, ressaltando o papel da UFMA no desenvolvimento de soluções tecnológicas voltadas ao meio ambiente e à sustentabilidade, áreas que, apesar de estratégicas, ainda recebem menor atenção quando comparadas a outros segmentos da inovação.

Para o reitor da UFMA, Fernando Carvalho, a parceria reafirma o compromisso da Universidade com a sustentabilidade e a inovação científica. “É um projeto que é voltado para o reaproveitamento de resíduos. Isso traz um impacto muito forte na questão da sustentabilidade.”

Parceria estratégica

A BRK será responsável pelo fornecimento do lodo, além do apoio técnico e do compartilhamento de informações necessárias ao desenvolvimento da pesquisa. A empresa também atuará de forma integrada com os laboratórios da UFMA, contribuindo para a avaliação dos resultados.

Para a diretora de Concessão da BRK no Maranhão, Sandra Leal, a parceria com a UFMA representa uma oportunidade estratégica para enfrentar um dos maiores desafios do setor de saneamento no país.

“Sem dúvida, é muito importante para nós. A parceria com a UFMA traz pra gente a oportunidade de desenvolver um projeto que hoje é um dos grandes gargalos não só da BRK do Maranhão, mas de toda a área de saneamento no Brasil”, pontuou a diretora.

Ela destacou ainda o papel fundamental da Universidade na condução científica do processo: “Então, pegando aí a expertise dos profissionais, a organização das metodologias e o próprio laboratório que a Universidade tem, vai nos ajudar a trazer a inovação no processo, que é extremamente complexo e que vai trazer resultados significativos para o meio ambiente, para a eficiência de processos, para a redução de custos para toda uma cadeia do saneamento que precisa ser tratada, ser olhada com um olhar diferente”.

Impacto ambiental, econômico e social

O acordo prevê a realização de estudos de avaliação e viabilidade técnica, ambiental e econômica do uso do lodo de ETE como fonte energética alternativa. A proposta é analisar o poder calorífico do material, bem como prospectar formas de aumentar sua eficiência energética, possibilitando sua utilização em processos industriais, especialmente, em caldeiras.

O projeto será desenvolvido ao longo de doze meses, em regime de cooperação técnica e científica, e contará ainda com a parceria da empresa Lavare Gestão de Têxteis S.A., que participará da realização dos testes, estreitando a conexão entre a Universidade e o setor produtivo.

Segundo o coordenador do projeto, professor Harvey Alexander Villa Vélez, a pesquisa nasce da necessidade de encontrar soluções técnicas e economicamente viáveis para o lodo gerado pelo saneamento.

“Trata-se de um projeto de pesquisa e desenvolvimento, inovação, em que nós vamos utilizar o lodo da Estação de Tratamento da BRK e vamos prospectar esse lodo inicialmente como biomaterial para uma caldeira industrial. Ele vai servir como fonte energética para uma caldeira industrial, onde a gente vai ver o poder calorífico desse lodo e vamos prospectar novas formas também para melhorar sua eficiência calorífica”.

O professor explica ainda que, embora o lodo não represente necessariamente um dano ambiental direto, ele gera um volume expressivo de resíduos, exigindo soluções adequadas para sua destinação.

“Então a BRK procura uma solução que diminua os custos também de transporte, de levar para o TITAR, que é o único centro que nós temos aqui de resíduos, e ver como esse lodo pode, de certa forma, dar uma virada com respeito a não ser mais um resíduo se levá-lo como um produto que dê um melhoramento de custos ou diminuição de custos para eles”.

Formação acadêmica e inserção profissional dos estudantes

Além dos impactos tecnológicos e ambientais, o projeto também se destaca pelo seu caráter formativo. A iniciativa contempla a concessão de bolsas para estudantes, que atuarão tanto como estagiários quanto em atividades de pesquisa e desenvolvimento, ampliando a vivência prática ainda durante a graduação.

“Esse projeto tem contemplado bolsas em que vai haver alunos que estarão trabalhando, seja como estagiários, seja também com área de pesquisa e desenvolvimento, ao mesmo tempo também que nós vamos ter inserido produtos em que os alunos têm também essa expertise da área de engenharia química e outras áreas afins para eles também entenderem o processo de como é a indústria antes de eles se formarem e ao mesmo tempo eles vão ter uma relação de estudo e profissionalização muito mais cedo do que quando eles forem para o mercado laboral.”

A assinatura do Acordo reafirma o potencial da UFMA em produzir conhecimento científico com impacto social, contribuindo para o desenvolvimento sustentável do Maranhão e do país, ao mesmo tempo em que fortalece a formação de estudantes e a integração com o setor produtivo.

Por: Ingrid Trindade

Fotos: Ingrid Trindade

Revisão: Jáder Cavalcante