Iniciativa integra mobilização nacional das universidades federais e transforma espaços em marcos de conscientização contra a violência de gênero

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) inaugurou nesta segunda-feira (9/3) quatro bancos vermelhos nos campi da Cidade Universitária, na Ilha do Fundão, e da Praia Vermelha. As instalações simbolizam o enfrentamento ao feminicídio e à violência contra as mulheres e passam a integrar uma mobilização nacional promovida pelo Instituto Banco Vermelho (IBV) em parceria com a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes).
Os bancos, posicionados em áreas de grande circulação, trazem mensagens como “Você não está sozinha. Sentar e refletir. Levantar e agir”. A iniciativa busca chamar a atenção da sociedade para a gravidade da violência de gênero e manter viva a memória das vítimas. Segundo dados do Instituto Banco Vermelho, o Brasil é o quinto país do mundo que mais mata mulheres: em média, ocorre um feminicídio a cada seis horas. A mobilização está relacionada à Lei Federal nº 14.942, de 2024, que instituiu o Banco Vermelho como política pública de prevenção à violência contra a mulher.
O reitor da UFRJ, Roberto Medronho, participou das quatro cerimônias de inauguração realizadas ao longo do dia e destacou o significado do gesto simbólico para a universidade e para a sociedade. “É um prazer e uma honra estar neste momento lutando contra o machismo estrutural, contra a misoginia e em favor da vida das mulheres”, afirmou. “A miscigenação deste país foi construída através do estupro de mulheres escravizadas. Temos que erradicar a cultura do estupro da nossa sociedade”, disse Medronho.
A vice-reitora Cássia Turci ressaltou que a adesão da UFRJ à campanha reafirma o compromisso institucional com a defesa da vida e o enfrentamento de todas as formas de violência contra a mulher. “Ao instalar esse símbolo em nossos campi, provocamos uma reflexão cotidiana e necessária sobre o enfrentamento do feminicídio e a construção de uma cultura de paz. Como centro de formação e debate, a universidade tem o dever de ser um farol na conscientização e no acolhimento, transformando a memória e a indignação em ações concretas de prevenção, educação e justiça.”
Cortejo e mobilização cultural
As cerimônias foram acompanhadas por um cortejo formado majoritariamente por mulheres vestidas de vermelho. A ação performática reuniu música, dança e poesia e foi idealizada por professoras da Escola de Educação Física e Dança (EEFD), com participação da ouvidora da Mulher da UFRJ, Angela Brêtas, e da ouvidora-geral, Katya Gualter.
Durante as atividades, também foi distribuída a cartilha “Feminicídio: uma violência evitável”, com informações de conscientização e orientação sobre prevenção e denúncia.
Para Angela Brêtas, a iniciativa tem caráter pedagógico e busca ampliar o debate sobre a violência de gênero.“A intenção é chamar a atenção, de forma mais ampla e impactante, sobre o feminicídio e todas as demais formas de violência contra a mulher. A cor vermelha do banco faz menção ao sangue das mulheres derramado cotidianamente e também funciona como um alerta pela vida. Não podemos naturalizar pequenos gestos violentos e de desrespeito. Os homens precisam ser aliados nesta luta.”
Onde estão os bancos
Na Cidade Universitária, os bancos vermelhos foram instalados em três pontos do campus:
- Arena do Centro de Convivência, no Bloco L do Centro de Ciências da Saúde (CCS)
- Hall do Bloco A do Centro de Tecnologia (CT) e do Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza (CCMN)
- Corredor principal da Faculdade de Letras, no Centro de Letras e Artes (CLA)
- No campus da Praia Vermelha, o banco foi instalado entre a Escola de Serviço Social e o Instituto de Psicologia.
Expansão da iniciativa
A mobilização continua nesta terça-feira (10/3), com a instalação de mais dois bancos vermelhos em Macaé: no Centro Multidisciplinar e no Instituto de Biodiversidade e Sustentabilidade (Nupem).
A universidade também prevê novas instalações ao longo de março no campus Duque de Caxias e no polo Casa da Pedra, no Cariri, Ceará.
Canais de acolhimento e denúncia
Na UFRJ, mulheres da comunidade universitária que enfrentam situações de violência ou assédio podem procurar a Ouvidoria da Mulher, que oferece atendimento e orientação por diferentes canais:
- Plataforma Fala.BR
- e-mail: secouvidoria@reitoria.ufrj.br
- telefone: (21) 99782-4462
- Instagram: @ouvidoriaufrj
A população em geral também pode recorrer à Central de Atendimento à Mulher, pelo telefone 180, serviço do Governo Federal que registra e encaminha denúncias de violência contra a mulher.