Pesquisadores buscam aumentar o conhecimento sobre o papel dos animais que habitam as águas intermediárias dos oceanos e testar novos equipamentos

por Tammie Faria Sandri
Uma equipe da Universidade Federal do Rio Grande (FURG) participa de expedição científica do Schmidt Ocean Institute (SOI) em águas oceânicas do Atlântico Sul. A expedição científica “Designing the future III” partiu de Salvador no dia 15 de abril, no navio de pesquisa oceanográfica de última geração RV Falkor (too), e deve retornar a Fortaleza no início de maio.
O objetivo do cruzeiro científico é aumentar o conhecimento sobre o papel dos animais que habitam as águas intermediárias dos oceanos e testar novos equipamentos recém desenvolvidos para caracterização desses organismos. A expedição estuda o ambiente mesopelágico (entre 200 a 1000 metros de profundidade) de águas do Atlântico Sul ao redor da costa brasileira e conta com pesquisadores de diversos países, incluindo pesquisadores brasileiros da Universidade de São Paulo (USP) e FURG. A equipe da FURG é formada pelos professores do Instituto de Oceanografia (IO) Renato Mitsuo Nagata e Silvina Botta, e pela pós-doutoranda Julieta Cebuhar.
O navio pode ser seguido em tempo real e é equipado com um veículo operado remotamente, o ROV SuBastian, capaz de mergulhar a grandes profundidades (até 4500m). O ROV SuBastian é equipado com sistemas inovadores de imagem, o DeepPIV e o EyeRIS, tecnologias avançadas desenvolvidas pelo Monterey Bay Aquarium Research Institute, na Califórnia, e projetadas especificamente para explorar e documentar criaturas gelatinosas frágeis e o ambiente marinho no fundo do mar.
O professor Nagata explica o que está sendo estudado e o impacto dessa expedição para a biodiversidade: “No reino sem limites das águas intermediárias dos oceanos, existe uma biodiversidade notável. Trata-se do maior habitat da Terra, estendendo-se desde logo abaixo das camadas superficiais iluminadas pelo sol até muito além do alcance da luz solar. A biodiversidade é abundante na forma de organismos gelatinosos à deriva, como ctenóforos, medusas, sifonóforos e poliquetas pelágicos — muitos com corpos frágeis e transparentes e a capacidade de bioluminescer, ou seja, iluminar as profundezas do oceano. Apesar de seus papéis cruciais nas cadeias alimentares e no sequestro de carbono, muitos animais mesopelágicos são pouco estudados por serem difíceis de se observar”.
Utilizando técnicas inovadoras, a equipe científica criará modelos computacionais em 4D que capturam a morfologia de organismos transparentes. “Ao combinar imagens geradas por técnicas de escaneamento detalhadas, com quantificações comportamentais e estudos químicos, a equipe obterá uma compreensão mais profunda sobre como os animais da zona mesopelágica vivem, se alimentam e se locomovem pelo oceano”, detalha o professor.
As descidas são transmitidas ao vivo através do canal do SOI no Youtube. O professor informa que a transmissão das descidas iniciam por volta das 19h e duram até 12h, porém, devido à grande quantidade de novos equipamentos embarcados a serem testados no ROV, imprevistos e atrasos podem ser comuns.
Sobre a expedição
São utilizadas tecnologias ainda em desenvolvimento, como protótipos de ponta para explorar a biodiversidade da zona mesopelágica, captando imagens de animais mesopelágicos em seu ambiente natural e em aquários de realidade virtual nos laboratórios do navio, e tecnologias de amostras clássicas, como amostragens com redes. A expedição prevê a realização de vários experimentos com animais coletados pelo ROV SuBastian e por redes de amostragem de plâncton em laboratórios, como experimentos de fisiologia e biomecânica. “Os dados coletados proporcionarão uma visão sem precedentes da biodiversidade, comportamento e da ecologia das comunidades das zonas intermediárias dos oceanos”, destaca o professor.
Participam dos estudos, equipes multidisciplinares de especialistas, como oceanógrafos, biólogos, engenheiros, zoólogos, cientistas da computação e bioinformatas de várias regiões do mundo. A expedição é liderada pela dra. Karen Osborn, do Museu Nacional de História Natural do Smithsonian, EUA. Conheça todas as instituições participantes AQUI.
Sobre o SOI e o RV Falkor (too)
O SOI é uma organização privada sem fins lucrativos dedicada a promover a investigação oceanográfica e a descoberta científica através de tecnologia de ponta. O instituto apoia cientistas ao redor do mundo, fornecendo tempo de navio gratuitamente, no avançado RV Falkor (too). “Atualmente, uma das mais formidáveis plataformas de pesquisa oceanográfica do mundo”, destaca o professor Nagata. A organização foi fundada em 2009 por Eric e Wendy Schmidt. Saiba mais sobre o instituto AQUI.