UFC e Unifor criam plataforma que cataloga componentes potencialmente cancerígenos em produtos de uso diário

Escrito por UFC Informa

Com o intuito de esclarecer a sociedade sobre o consumo de produtos de uso cotidiano com agentes potencialmente causadores de cânceres, foi lançada na terça-feira (5) a plataforma Tóxicos, uma parceria entre a Universidade Federal do Ceará (UFC) e a Universidade de Fortaleza (Unifor). 

A apresentação ocorreu na Unifor e abordou o tema “Análise de risco de componentes carcinogênicos”. Na condução, estiveram os professores Pedro Pinheiro, coordenador tecnológico do projeto, e Karla Rolim, coordenadora do Mestrado Profissional em Tecnologia e Inovação em Enfermagem (MPTIE), ambos da Unifor. Participaram, ainda, o docente Ronald Feitosa Pinheiro, do Departamento de Medicina Clínica da Faculdade de Medicina da UFC, e a pesquisadora Roberta de Oliveira, CEO e diretora científica da MedSeq Medicina Personalizada.

Imagem: alunos e docentes da UFC e da Unifor em lançamento do portal Tóxicos
Alunos e docentes da UFC e da Unifor participam do lançamento do portal Tóxicos, voltado para informações sobre componentes carcinogênicos (Foto: Ribamar Neto/UFC)

Já disponível para acesso ao público, a ferramenta foi criada com as expertises do Synapse Lab, grupo de pesquisa vinculado à Unifor, e do Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos (NPDM) da UFC. Segundo Pedro Pinheiro, “a iniciativa surgiu em sala de aula, a partir de um projeto de pesquisa apresentado ao docente Ronald na UFC, e a oportunidade da nossa participação se concretizou com a visita ao NPDM e o aprofundamento na ideia inicial”. Na ação, a UFC garantiu a segurança e fidelidade dos dados com o embasamento científico, as validações em laboratório e a orientação clínica, enquanto a Unifor se responsabilizou pela coordenação focada no desenvolvimento tecnológico e na estrutura digital da plataforma.   

“Observamos aumento na incidência de câncer e a grande exposição ambiental de pacientes com vários tipos da doença a elementos como benzeno e derivados, por exemplo. A partir disso, avaliamos mais de três mil alimentos e mais de 400 produtos cosméticos e de limpeza, e os estudamos para saber se seus componentes eram ou não associados ao câncer. Ao mesclar os conhecimentos da Medicina e das Ciências da Computação, o objetivo de prevenção em saúde e de compartilhamento de informações com a sociedade por meio de um site foi alcançado”, explica Ronald, que também é coordenador do Laboratório de Citogenômica do Câncer do NPDM/UFC.

Veja outras imagens do lançamento da plataforma no Flickr da UFC

A proposta da plataforma Tóxicos começou a ser pensada em 2023, elencando o nível de risco das substâncias classificadas pela Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC) e pelo Laboratório de Citogenômica do Câncer, e dados regulatórios da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Os carcinogênicos são identificados por suas classes orgânicas e reunidos a partir de uma análise apurada de indícios reais de exposição à população, com consulta por produtos ou componentes específicos. O site cataloga aproximadamente cinco mil elementos.

Ao integrar a ação da plataforma Tóxicos, a bióloga Jamile Gama, egressa da UFC e mestranda do Programa de Pós-Graduação em Ciências Médicas da instituição, revela satisfação em partilhar um conteúdo tão relevante com a população. “Além de poder ajudar na prevenção do câncer e no entendimento das fórmulas de produtos usados no dia a dia, a plataforma abriu caminho para estudarmos outras possibilidades de expandir esse conhecimento para além da universidade”, celebra Jamile.  

Os próximos passos da plataforma são a adição de novos componentes e itens, com a perspectiva de crescimento exponencial dessas substâncias, e visitas aos conselhos federais e regionais das classes médicas para apresentar o projeto e difundir ainda mais esses dados pesquisados na universidade.

Fonte: Ronald Feitosa Pinheiro, professor do Departamento de Medicina Clínica da UFC