Discutir políticas de ensino superior e buscar soluções para desafios comuns, como limitações de financiamento e dificuldades na implementação de práticas inclusivas. Foi com essa proposta que docentes e pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE) da Ufes realizaram uma visita técnica à Faculdade de Educação da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), em Moçambique.

A visita, realizada em abril, integrou uma série de ações de internacionalização e cooperação acadêmica entre instituições de países lusófonos (que falam a língua portuguesa como idioma oficial), com foco no fortalecimento da pesquisa científica, da formação docente e das práticas em educação inclusiva.
A programação teve início com um seminário que reuniu professores e pesquisadores das duas instituições, promovendo a apresentação de estudos comparados sobre pesquisa-ação em contextos lusófonos. Ao longo da visita, também foram realizadas reuniões técnicas com a equipe gestora da UEM, nas quais se discutiram políticas de ensino superior, avaliação acadêmica e desafios da consolidação de uma cultura investigativa na pós-graduação.
A programação incluiu ainda espaços discursivos e encontros entre professores, estudantes e pesquisadores, nos quais foram debatidas temáticas como pesquisa-ação, metodologias qualitativas e educação inclusiva.

“Esses encontros evidenciaram desafios comuns, como limitações de financiamento, necessidade de formação continuada e dificuldades na implementação de práticas inclusivas, mas também destacaram o potencial das abordagens colaborativas e reflexivas na construção do conhecimento”, afirmou a coordenadora do Grupo de Pesquisa Formação, Pesquisa-ação e Gestão em Educação Especial (GRUFOPEES) do PPGE, Mariangela Almeida, que participou da visita.
O grupo da Ufes visitou também escolas de nível primário e secundário, nas quais foi possível conhecer o cotidiano escolar, dialogar com profissionais da educação e observar práticas pedagógicas voltadas à inclusão. “Essas experiências possibilitaram uma compreensão ampliada das realidades educacionais locais, evidenciando tanto desafios estruturais quanto iniciativas promissoras no campo da educação inclusiva”, disse a professora.
Resultados
Segundo Almeida, entre os principais resultados da visita, estão o aprofundamento do diálogo científico, a troca de experiências sobre políticas e práticas educacionais, e o fortalecimento de perspectivas teórico-metodológicas voltadas à pesquisa-ação.
“Do ponto de vista dos impactos, a iniciativa promoveu avanços na construção de parcerias institucionais, ampliou as possibilidades de produção científica conjunta e fortaleceu a formação de pesquisadores comprometidos com práticas educacionais inclusivas e socialmente relevantes. Além disso, evidenciou o potencial da cooperação internacional como estratégia para enfrentar desafios comuns na educação, contribuindo para o desenvolvimento de práticas mais colaborativas, reflexivas e contextualizadas”, destacou.
Fonte: UFES. Fotos: Grupo de Pesquisa Formação, Pesquisa-ação e Gestão em Educação Especial.