Realizada no Hospital Universitário, pesquisa associa alterações hormonais da doença com alterações no fluxo salivar

Pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Odontologia (PPGO) da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), em parceria com o Hospital Universitário da UFMA (HU-UFMA), identificaram uma associação entre a acromegalia e alterações em indicadores de saúde bucal, com destaque para a redução do fluxo salivar. A pesquisa traz novas evidências sobre os impactos da doença na saúde oral e contribui para o avanço do conhecimento científico sobre essa condição rara.
Acromegalia é uma doença rara e crônica causada pela produção excessiva do hormônio do crescimento (GH) em adultos, geralmente devido a um tumor benigno na glândula hipófise.
Durante o estudo, realizado no HU-UFMA, foram coletados dados demográficos, de saúde e sobre o padrão do uso de medicamentos associados a alterações salivares dos pacientes com acromegalia, e os resultados mostram que pessoas com a doença produzem mais saliva que o normal, confirmando a hipótese de que o excesso do hormônio do crescimento afeta diretamente o tamanho e funcionamento das glândulas salivares.

À frente da coordenação do estudo, o professor e orientador Vandilson Rodrigues aponta que os achados acendem um alerta importante para a comunidade médica e odontológica. Segundo ele, as alterações identificadas na pesquisa evidenciam que o cuidado com esses pacientes não pode se limitar aos sintomas sistêmicos tradicionais da acromegalia.
“O principal achado do estudo foi a identificação de um fluxo salivar mais elevado nos indivíduos com acromegalia quando comparados ao grupo sem a doença. Mesmo após técnicas de ajuste estatístico para fatores como idade, diabetes e uso de medicamentos, que podem ter impacto nesse fluxo, a acromegalia permaneceu associada ao aumento da produção salivar’, disse ele.
O professor ressaltou ainda que alterações na quantidade e composição de saliva podem impactar no papel que ela exerce para a saúde bucal. “A saliva desempenha funções essenciais na boca, incluindo lubrificação da mucosa, equilíbrio na microbiota, auxílio na mastigação, deglutição e proteção dos dentes. Embora o estudo tenha identificado o aumento no volume salivar, ainda não se sabe se existem modificações na sua composição molecular. Caso essas alterações sejam confirmadas em pesquisas futuras, elas poderão influenciar no risco de doenças bucais e até servir como biomarcadores para o monitoramento da atividade da doença”, finaliza ele.
Origem do estudo
A pesquisa, que abre novas perspectivas sobre a acromegalia, é fruto direto da tese de doutorado defendida no PPGO-UFMA pela professora Renata Carvalho Campelo. Ao associar as alterações hormonais típicas da doença com as modificações no fluxo salivar, o trabalho coloca a ciência maranhense em destaque e propõe uma mudança fundamental na forma como esses pacientes são assistidos. Essa conexão entre a bancada acadêmica e o atendimento na ponta traduz o duplo impacto da descoberta: além de solidificar uma nova evidência teórica, ela abre caminhos para transformar as diretrizes de diagnóstico e cuidado integral.
A professora Renata ressalta a contribuição de sua tese para o avanço do conhecimento científico e para a prática clínica na área de saúde bucal. “Por se tratar de uma doença rara, ainda existem muitas lacunas no conhecimento científico sobre suas repercussões na saúde bucal, e a tese trouxe contribuições importantes para uma área ainda pouco explorada, ampliando o conhecimento científico sobre as condições de saúde bucal de pacientes com acromegalia. Além disso, o estudo teve um impacto prático ao gerar informações que podem auxiliar profissionais de saúde no atendimento dessa população. Como desdobramento da pesquisa, foi desenvolvido um e-book educativo com orientações voltadas ao cuidado”, disse ela.
Repercurssão
O impacto social da descoberta já se desdobra para além dos laboratórios com o lançamento do e-book educativo, focado em nortear profissionais e pacientes no dia a dia do tratamento. O avanço, contudo, não para por aqui: os pesquisadores da UFMA já trabalham nas próximas etapas da investigação, que se concentram em mapear a composição molecular e o perfil inflamatório e hormonal da saliva desses indivíduos.
Ao preencher lacunas históricas sobre a acromegalia, este estudo consolida a importância de uma abordagem integral da saúde. É, acima de tudo, uma demonstração clara do potencial transformador da produção científica gerada dentro da própria Universidade, convidando toda a comunidade a apoiar e valorizar as pesquisas.
Acesse o e-book educativo clicando aqui.
TEXTO: Judson Nunes
REVISÃO: Jáder Cavalcante