Nesta quarta-feira, 8, o Grupo Operacional do Centro Interinstitucional de Observação e Previsão de Eventos Extremos (CIEX) realizou uma importante reunião de planejamento estratégico. A ação teve o objetivo de alinhar a atuação da equipe com vistas à preparação e ao enfrentamento dos possíveis impactos do fenômeno El Niño no período de 2026/2027.
O encontro reuniu bolsistas, pesquisadores, professores e colaboradores do Centro, promovendo a articulação entre diferentes áreas de atuação para fortalecer estratégias com base em seis pilares: monitorar, prever, alertar, apoiar, inovar e mitigar. De acordo com a coordenadora do projeto, Elisa Fernandes, esse debate ampliado e integrado fortalece a resposta regional aos eventos extremos.
Durante a reunião, foram discutidas as metas em relação ao aprimoramento da capacidade de preditiva e de monitoramento, e das interfaces de disponibilização das informações no gêmeo digital (Digital Twin) da Lagoa dos Patos, bem como medidas que poderão ser adotadas de forma integrada, considerando as características e as vulnerabilidades da região.
Na oportunidade, a coordenadora apresentou uma programação de três fases. A ideia parte da preparação e fortalecimento tanto da equipe quanto da infraestrutura operacional e de inteligência (Fase 1, prevista de julho a setembro), com a aprovação do plano e início da ampliação do espaço físico do CIEX, a instalação da Central de Processamento e GPUs, a integração de novos dados e ferramentas ao Digital Twin Lagoa dos Patos, bem como realização de um Simulado de Mesa, organizado pela Associação dos Municípios da Zona Sul (Azonasul), em colaboração com a 4ª Coordenadoria Regional de Proteção e Defesa Civil (CREPDEC).
A Fase 2 (sem período fixo previsto), é focada no potencial enfrentamento dos impactos do El Niño de 2026. Na ocasião, terão continuidade as atividades de monitoramento hidrometeorológico, acompanhamento em tempo real e prognóstico das condições meteoceanográficas na Lagoa dos Patos e região costeira adjacente, além da elaboração de boletins e notas técnicas e simulação de cenários, combinadas com operações em campo para manutenção das estações de monitoramento e validação das manchas de inundação, culminando no apoio aos órgãos de gestão municipais e estaduais para tomada de decisão.
O plano termina com a avaliação e o legado do trabalho (Fase 3, prevista de maio a julho de 2027).
Ações prioritárias
Com o aumento na frequência dos eventos extremos, a demanda crescente por dados, modelos e respostas rápidas se torna cada vez mais latente. O fortalecimento da infraestrutura do Centro é também uma ação de proteção à vida e promoção da resiliência climática regional, qualificando a velocidade e a capacidade de geração de dados precisos para a tomada de decisão.
Nesse sentido, a Coordenadora destaca a importância dos novos ambientes auxiliares, como a sala técnico-científica e de inteligência operacional, para o processamento dedicado de imagens e dados, análise de previsões e cenários e geração de boletins e notas técnicas, por exemplo. Outro investimento previsto é o logístico, que engloba tecnologias como drones LiDAR para mapeamento territorial, um veículo 4×4 com respirador (snorkel) para transitar em áreas alagadas, sensores IoT e estações meteorológicas.
“Esta reunião marca um passo importante na nossa preparação para os possíveis impactos do fenômeno El Niño de 2026. Quando falamos em preparação para um fenômeno como esse, não estamos pensando apenas em responder a uma emergência. Estamos construindo uma capacidade permanente de antecipação e prevenção. Quanto mais conseguirmos integrar ciência, tecnologia e instituições, mais qualificada e ágil é a nossa capacidade de transformar dados em decisões de impacto baseadas na ciência Estes são passos fundamentais para a construção de resiliência climática no Rio Grande do Sul”, destacou a coordenadora.

Hiago Reisdoerfer/Secom FURG