Iniciativa foi proposta pelo Brasil no encontro do G20 realizado em 2024 e congrega 107 países
Por Aline Reinhardt da Silveira (Unipampa)
A Universidade Federal do Pampa (Unipampa) passou a integrar oficialmente a Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza, uma iniciativa do G20 sob liderança do Brasil que busca garantir segurança alimentar para populações em vulnerabilidade ao redor do planeta. Projetos da Unipampa como a horta comunitária, em Dom Pedrito, fazem parte desse esforço.
A Aliança Global contra a Fome e a Pobreza foi estabelecida como uma proposta da presidência brasileira do G20 para apoiar e acelerar os esforços para erradicar a fome e a pobreza (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs) 1 e 2), ao mesmo tempo reduzindo as desigualdades (ODS 10). Para o professor Juliano Luiz Fossa, que participou dessa articulação, a adesão à Aliança Global contra Fome e Pobreza de nossa universidade é uma conquista fundamental. “Ao mesmo tempo em que nos insere como membros no debate internacional de políticas públicas nesta temática, reforça o compromisso institucional com o desenvolvimento do território do Pampa Gaúcho relacionado ao combate a pobreza, a fome e a insegurança alimentar. É a Unipampa do local ao global”, avalia.
Entre as universidades e instituições que participam da Aliança estão, por exemplo, a Universidade de Columbia (EUA), a Fundação Getúlio Vargas (FGV), a Rockefeller Foundation e o Programa Alimentar Mundial das Nações Unidas (UN WFP), além dos compromissos firmados por diferentes países. Atualmente, formam a Aliança 216 membros de 107 países. A vice-reitora da Unipampa, professora Francéli Brizolla, também participou das articulações e destaca a importância dessa integração. “Recebemos com muito entusiasmo a oportunidade de nossa Universidade participar da Aliança, especialmente, por estarmos dentre as IFES que já formalizaram a adesão, como a UFRGS, a UFG e a UFSC. É de suma importância que as universidades possam engajar-se nas políticas públicas, auxiliando no Plano Brasil Sem Fome e no Plano de Redução da Pobreza, por exemplo”, avalia. O aceite da adesão da Unipampa ocorreu em junho, mas é fruto de articulação iniciada no Seminário Internacional sobre Agricultura Familiar e Universidades, em fevereiro deste ano.
A vice-reitora destaca a produção de conhecimento como principal frente de atuação das Universidade. “Essa contribuição direta na constituição das políticas se dá por meio, principalmente, no pilar de conhecimento, que é um dos três eixos estruturantes da Aliança; o pilar abrange a produção de estudos e indicadores que possam subsidiar a Aliança, a partir da catalogação de boas práticas em políticas públicas de combate à fome e à pobreza em diversos países”, explica Brizolla. Conforme a gestora, de modo geral, as universidades contribuem com pesquisas acadêmicas, dados científicos e capacitação de comunidades, transformando conhecimento teórico em soluções práticas e sustentáveis contra a desigualdade.
Segundo Fossá, o núcleo da Aliança é o Policy Basket, um menu de instrumentos políticos rigorosamente avaliados, garantindo que os investimentos dos doadores sejam direcionados a iniciativas de alto impacto e custo-efetivas. Atuando como um facilitador neutro, a Aliança constrói parcerias e mobiliza recursos financeiros e de conhecimento para implementar esses instrumentos políticos. Em uma abordagem inovadora, a Aliança reduz os custos de transação e evita duplicação de esforços, aproveitando uma base de dados unificada, simplificando a identificação de necessidades e oportunidades de conhecimentos e financiamentos, explica o docente. A iniciativa também se diferencia ao favorecer a agregação de recursos e conhecimentos, o que possibilita maior impacto e eficiência comparados a esforços individuais e fragmentados. Isso permite a implementação de estratégias abrangentes e multissetoriais.
Já a Cúpula Contra a Fome e a Pobreza é a instância principal da Aliança e responde pela sua finalidade de fornecer impulso sustentado de alto nível para acelerar as ações em direção aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS 1 e 2), enquanto reduz as desigualdades (ODS 10). “A Cúpula revisa o progresso global em direção aos objetivos da Aliança, apresenta as realizações, emite orientações aos membros e monitora os seus compromissos, além de abrir oportunidade para novos compromissos e ações”, explica o professor do Campus Dom Pedrito. Ela pode ser convocada regularmente em alto nível (por exemplo, no nível de Chefe de Estado/Governo), paralelamente à Assembleia Geral da ONU e/ou durante futuras Cúpulas do G20, a convite do país que preside o Conselho de Campeões da Aliança e/ou da Presidência do G20.
“Participar da Aliança é tanto um compromisso quanto uma oportunidade, para a Unipampa, uma vez que nos permite produzir e trocar dados, fazer cooperações interinstitucionais e internacionais, fomentar a relação social por meio da extensão e contribuir com a redução da fome e da pobreza diretamente em nossa região, conforme preconiza o PDI”, completa a vice-reitora.
