A Universidade Federal do Pará (UFPA) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) assinaram, na última sexta-feira, 18 de setembro de 2026, um termo de cooperação técnica e científica voltado à proteção de crianças e adolescentes na Amazônia.

A Universidade Federal do Pará (UFPA) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) assinaram, na última sexta-feira, 18 de setembro de 2026, um termo de cooperação técnica e científica voltado à proteção de crianças e adolescentes na Amazônia. A parceria busca aproximar a pesquisa, o ensino e a extensão universitária dos desafios enfrentados pelos territórios e pelos serviços públicos da região.
A assinatura ocorreu após reuniões realizadas nos dias 17 e 18 de setembro, na UFPA, para discutir o plano de trabalho da cooperação. No centro da proposta, está a estruturação da Base Acadêmica Unicef e UFPA para os Direitos de Crianças e Adolescentes na Amazônia. A Base deverá reunir pesquisadores, estudantes, grupos de pesquisa e extensão e outras unidades da Universidade para desenvolver estudos, atividades formativas e soluções aplicadas às políticas públicas.

“A presença da UFPA em 83 municípios paraenses, por meio de seus 12 campi, representa uma força decisiva para compreender e transformar a realidade das infâncias e adolescências amazônicas. Nossas pesquisadoras e nossos pesquisadores produzem conhecimento em diferentes áreas, por meio de uma relação próxima com as comunidades e do reconhecimento da diversidade e das especificidades de cada território”, afirmou Gilmar Pereira da Silva, reitor da UFPA. “Ao somarmos essa capacidade à experiência internacional, à atuação e à força de mobilização do Unicef, construímos uma aliança estratégica capaz de transformar conhecimento científico em políticas públicas e ações concretas. Essa parceria amplia nossa capacidade de enfrentar desigualdades, assegurar direitos e criar melhores condições de vida e de futuro para crianças e adolescentes da Amazônia”, avaliou.
Apesar de já desenvolver parcerias com outras universidades brasileiras, como a Universidade de Fortaleza (Unifor), no Ceará, o Unicef formaliza pela primeira vez no país, com a UFPA, uma cooperação técnica e científica de alcance institucional, voltada a reunir diferentes áreas da Universidade em uma agenda permanente de pesquisa, formação e produção de evidências sobre os direitos de crianças e adolescentes.
Entre as iniciativas propostas para o primeiro ciclo, estão um projeto-piloto do Anuário Paraense da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, o mapeamento das capacidades acadêmicas da UFPA nessa área e um ciclo de seminários temáticos, a começar por: água, saneamento e higiene e saneamento inclusivo. O plano também prevê a possibilidade de desenvolver indicadores e ferramentas de apoio ao planejamento de políticas públicas. A definição de escopo, responsabilidades, recursos e cronogramas de cada projeto seguirá as etapas de aprovação das duas instituições.

“Mais do que produzir conhecimento, queremos construir uma ponte entre evidência, decisão e mudança. A parceria com a UFPA nos permite combinar rigor científico, conhecimento dos territórios e a experiência do Unicef na formulação e implementação de políticas públicas. Juntos, podemos produzir evidências que tornem visíveis as desigualdades, especialmente as territoriais e étnico-raciais, e que sejam úteis para orientar decisões e fortalecer as políticas para crianças e adolescentes na Amazônia”, destaca Mariia Matsepa, chefe de Pesquisa, Planejamento, Monitoramento e Avaliação do Unicef Brasil.
A cooperação com a UFPA terá prioridade inicial no Pará. Os conhecimentos e as metodologias desenvolvidos poderão, posteriormente, apoiar iniciativas em outros estados da Amazônia Legal. No Brasil, a atuação do Unicef estrutura-se nas áreas de Educação, Saúde, Proteção contra Violências, Proteção Social, Água, Saneamento e Higiene, além de Mudanças Climáticas e Desastres, com foco especial nas populações mais vulneráveis.
Eixo de Proteção – As diferenças de acesso a direitos ajudam a mostrar a importância dessa agenda. Segundo o Censo Demográfico de 2022 (IBGE), o Pará tem mais de 38 mil crianças e adolescentes indígenas e mais de 50 mil quilombolas com até 19 anos. Entre as famílias inscritas no Cadastro Único no estado, 70,8% das famílias indígenas e 71,5% das quilombolas estão em situação de pobreza, a proporções superiores à média estadual, de 55,1%, conforme dados do CadÚnico. Considerar raça, pertencimento étnico e território na produção de evidências é essencial para compreender essas desigualdades e orientar respostas adequadas.
A proteção contra violências é outra prioridade. O estudo Violência contra crianças e adolescentes na Amazônia, do Unicef e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, aponta que a Amazônia Legal registrou mais de 31 mil casos de estupro de crianças e adolescentes de até 19 anos, entre 2021 e 2023. Em 2023, a taxa de violência sexual registrada na região foi 21,4% superior à média nacional. Os dados reforçam a necessidade de qualificar a prevenção, a identificação dos casos e a atuação articulada da rede de proteção.
Fonte:UFPA