UFPE e JPW Engenharia Elétrica desenvolvem equipamento para testes em subestação híbrida

O equipamento está sendo utilizado em uma subestação híbrida na cidade de Casa Nova (BA)

Pesquisadores do Laboratório de Estruturas Magnéticas (LEM), vinculado ao Departamento de Energia Elétrica (DEE) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), e funcionários da empresa recifense JPW Engenharia Elétrica trabalharam juntos em um projeto de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) para criar uma carga elétrica modular, formada por resistores (R), indutores (L) e capacitores (C), com potência total igual a 1,6 MVA. A carga RLC está sendo utilizada para ensaios elétricos em uma subestação híbrida, localizada na cidade de Casa Nova (BA) e de propriedade da AXIA Energia Nordeste, que integra armazenamento por baterias, além de parques eólicos e outro solar fotovoltaico.

“Em equivalência rápida, a potência da carga construída em 32 m2 é igual à demanda de cerca de 320 casas populares, com dois quartos cada”, resume o professor do DEE Vicente Ribeiro Simoni, coordenador do projeto PD&I, que teve início quando a JPW entrou em contato com o LEM para uma possível parceria. 

Naquele momento, a empresa precisava desenvolver ou comprar uma carga RLC com características específicas, com a qual fosse possível fazer ensaios elétricos em conjunto com as diferentes fontes de energia utilizadas na planta híbrida da cidade sertaneja, localizada às margens do Rio São Francisco. A importação de um equipamento com a potência necessária teria um custo elevado e foi nessa época que o gerente da empresa Danielton Santana, aluno do DEE, entrou em contato com os pesquisadores da Universidade para conversar sobre a possibilidade de se fazer o equipamento em Pernambuco.

“A construção da carga RLC foi feita no bairro do Curado pela JPW e grande parte dos componentes foi adquirida no Brasil; os capacitores de uma empresa do Sul, os indutores lineares e resistores de empresas de São Paulo. Pouquíssimos componentes foram importados da China. A carga RLC foi montada dentro de um contêiner, completamente redesenhado pela JPW para essa finalidade específica. Os testes foram realizados no Curado, na fábrica da JPW, e aqui no LEM”, lembra o professor Vicente Ribeiro Simoni, que continua: “No final, o contêiner foi transportado com tudo montado dentro, quase finalizado, para chegar lá em Casa Nova, colocar em cima da base civil e conectar. Foi um processo muito interessante. Levou mais de um dia para o contêiner chegar à Bahia”.

“A equipe do DEE acompanhou em detalhes todo o desenvolvimento da carga, participando ativamente da especificação técnica dos resistores, indutores e capacitores com potências que variam de 5 kW/kVAr até 100 kW/kVAr. Foram realizados diversos ensaios de laboratório no LEM e vários estudos elétricos, como fluxo de potência, curto-circuito e transitórios eletromagnéticos, utilizando programas computacionais de grande renome no Setor Elétrico Brasileiro, como o ANAREDE, o ANAFAS e o ATP. Viajamos duas vezes, uma para conhecer o local de instalação e depois para acompanhar o Termo de Aceitação de Campo (TAC) do projeto. Participamos também o Termo de Aceitação de Fábrica (TAF) aqui no Curado e fizemos a entrega junto com a empresa, acompanhando todos os passos da execução do projeto, foi extremamente gratificante”, detalha o professor Vicente Ribeiro Simoni.

Por parte da UFPE, a equipe também contou com os professores do Departamento de Engenharia Elétrica Geraldo Leite Torres, José Filho da Costa Castro e Pedro André Carvalho Rosas; com o técnico de laboratório Marcos André de Almeida da Silva do DEE; com o técnico-administrativo Gustavo Farias Duarte; e com os três estudantes de graduação Danilo Hans Marques de Lima, Giovana Henriques Panzera Alves e João Victor Melo do Nascimento.

“Produzir a carga RLC em contêiner marítimo foi um aprendizado prático de sinergia entre a JPW Engenharia e a UFPE. O projeto da carga contribuiu para ampliar o conhecimento que a empresa tem na construção de eletrocentros, que são estruturas modulares transportáveis. A JPW é especialista em soluções civis e eletromecânicas em subestações de energia abrigadas e aéreas de média e alta tensão, porém foi capaz de se reinventar, em parceria com a UFPE, para construir, ao mesmo tempo, uma solução economicamente viável para atender ao nosso cliente final, a AXIA Energia, com um produto inovador e funcional, além de levar mais conhecimento de engenharia que vimos em sala de aula para a indústria, contribuindo para a maior capacitação profissional dos funcionários”, afirma Danielton Santana, que foi gerente do projeto. 

“Selecionamos um time muito competente e dedicado, que esteve à frente dos trabalhos, contando sempre com a parceria da Neiva’s Instalações, empresa do Grupo JPW especializada na fabricação de painéis elétricos. O projeto saiu do papel graças ao aporte e à responsabilidade do nosso diretor de engenharia, Eduardo Carvalho, do diretor industrial, Arnon Porto, e do gerente geral do contrato, Rodrygo Castro, além de uma equipe de doutores, técnicos e alunos da UFPE. Posso afirmar que a carga RLC é de autoria de todos que contribuíram, tanto direta quanto indiretamente, para que o produto de fato funcionasse, o que representa a essência da engenharia”, avalia Danielton Santana.

Fonte: UFPE