Gestores de diversas Instituições Federais de Ensino Superior (Ifes) se reuniram na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) nesta quarta-feira, 1°, para a etapa Sudeste do 1º Seminário Nacional de Modelos de Financiamento das Universidades Federais. Promovido pela Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação (Sesu/MEC), o evento debate modelos de financiamento das universidades sob a perspectiva da gestão dos indicadores de desempenho e dos resultados acadêmicos.

Realizado no Anfiteatro das Pró-reitorias, o encontro teve início às 9h e integra uma série de eventos que percorre as cinco regiões do país. Os seminários nas regiões Norte, Centro-Oeste e Nordeste já foram realizados, ampliando a possibilidade de participação dos gestores. A próxima edição está prevista para a próxima semana na região Sul.
A mesa de abertura contou com a presença da reitora da UFJF e representante da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), Girlene Alves; do vice-reitor, Telmo Ronzani; e do secretário de Educação Superior do Ministério da Educação e ex-reitor da UFJF, Marcus David.

Também participaram da abertura integrantes dos Sesu/MEC: o diretor de Modelos de Financiamento da Rede, Juscelino Pereira Silva; a diretora de Políticas de Acesso à Educação Superior, Marina Monteiro de Castro e Castro; o coordenador-geral de Residências em Saúde da Diretoria de Desenvolvimento da Educação em Saúde, Rodrigo Alves Rodrigues; e o coordenador-geral de Ensino e Planejamento Acadêmico da Diretoria de Desenvolvimento Acadêmico, Eduardo José Cezari.
Financiamento permanente
Durante o evento, a reitora defendeu a necessidade de um modelo de financiamento permanente, que permita às universidades planejar ações de longo prazo e desenvolver projetos estruturantes. “Financiamento perene significa a universidade pública brasileira ter projetos perenes de transformação da nossa sociedade”, afirmou.
“Permanência plena é muito mais do que a sala de aula. É a possibilidade de passar pela iniciação científica, é a possibilidade de passar pelos programas de extensão.”
Para Girlene, a previsibilidade dos recursos é fundamental para que as instituições tenham autonomia para pensar além das demandas imediatas e ampliar sua atuação. A reitora também destacou que o papel da universidade pública vai muito além da sala de aula e envolve garantir condições para uma formação ampla dos estudantes.
Ela também citou áreas como internacionalização, inovação e transferência de tecnologia como frentes que dependem de investimentos contínuos. Ao representar a Andifes, Girlene defendeu uma universidade pública autônoma, diversa e capaz de participar ativamente da transformação da sociedade.
Políticas estruturantes
Para o secretário de Educação Superior do MEC, Marcus David, o seminário faz parte de uma série de encontros realizados nas diferentes regiões do país para discutir modelos de financiamento das universidades federais. Segundo ele, além de reconstruir políticas públicas para a educação superior, o desafio atual é institucionalizar essas políticas para garantir maior continuidade. “Eu acho que a gente precisa completar esse ciclo dando um passo: deixar estruturado, deixar uma série de normas, de normatizações internas, para que o próximo ciclo de expansão e de desenvolvimento se dê sobre uma base mais articulada e mais estruturada.”
O ex-reitor da UFJF defendeu ainda que o financiamento das universidades esteja relacionado aos objetivos acadêmicos e às diferentes realidades da rede federal. Segundo David, o modelo precisa considerar tanto a busca por excelência acadêmica, ciência, tecnologia e inovação quanto as políticas de democratização do acesso e permanência dos estudantes. “Nós estamos discutindo os modelos, nós queremos chegar às normatizações que reflitam esse modelo, para que o próximo ciclo possa se iniciar sobre uma base mais consistente, com as políticas definidas, com mecanismos de financiamento que reflitam essas políticas.”, pontuou.
De acordo com o secretário, a construção desse modelo deve envolver diferentes setores das universidades, e não apenas as áreas de planejamento e orçamento.
Mesas

Após a abertura do evento, o seminário contou com três mesas de debates. A primeira, conduzida pelo diretor de Modelos de Financiamento da Rede da Sesu/MEC, Juscelino Pereira Silva, apresentou a palestra com o tema: “Matrizes de financiamento e equalização: Matriz OCC, PNAES, Ifes sem HU”.
Juscelino propôs aproximar os modelos de financiamento das necessidades concretas das instituições e dos estudantes. Segundo ele, o trabalho da diretoria é justamente estabelecer uma conexão entre as demandas das universidades, os programas desenvolvidos e os mecanismos de financiamento. “O modelo matemático é uma regra que estabelece uma maneira de distribuir recursos sociais entre os participantes. Ele precisa de uma estrutura matemática consistente, clara, transparente, auditável, e qualquer pessoa que tenha acesso aos dados possa reproduzir.”
O diretor também destacou a importância de uma atuação integrada entre as diferentes áreas responsáveis pela gestão das universidades federais. Ao comentar sobre a criação da Diretoria de Modelos de Financiamento, ressaltou que a estrutura busca aproximar a discussão orçamentária das políticas acadêmicas e da assistência estudantil.
“Precisamos criar modelos que sejam consistentes e que garantam que tudo que é importante ser considerado, seja considerado, e que a forma como seja considerado aponte para o resultado objetivo.”
Fonte: UFJF