Foto de Ethel Maciel, reitora eleita em 2020, passa a integrar a galeria de reitores da Ufes

Texto: Tatiana Moura   Edição: Thereza Marinho

Foto da vice-reitora Sonia Lopes, de Ethel Maciel, do reitor Eustáquio de Castro e da reitora da UVV, Denise Endringer ao lado da foto de Ethel na galeria de reitores

“A história nem sempre faz justiça no tempo em que deveria. Às vezes, ela demora. Mas a memória, quando é preservada, tem uma força extraordinária, ela encontra caminhos para reparar aquilo que a história tentou interromper”. Foi com estas palavras que a professora do Departamento de Enfermagem Ethel Maciel iniciou seu discurso, durante a cerimônia de aposição do quadro em seu reconhecimento como reitora eleita em 2020. A proposta de inclusão da foto da professora na galeria de reitores da Universidade foi apresentada pelo reitor, Eustáquio de Castro, e aprovada por unanimidade pelo Conselho Universitário em sessão ordinária realizada no dia 27 de fevereiro.

A cerimônia, realizada nesta terça-feira, 17, aconteceu na Sala dos Conselhos, no prédio da Reitoria, e foi marcada por pronunciamentos, intercalados por manifestações de apoio à trajetória da professora. O evento contou com a presença da reitora da Universidade de Vila Velha (UVV), Denise Endringer; e do diretor setorial técnico-científico da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes), Celso Alberto Saibel; além de docentes, técnicas e técnicos-administrativos, gestores da Ufes, estudantes, amigos, amigas e familiares da professora. Além de homenagear Maciel como reitora eleita, o ato teve como objetivo reconhecer sua trajetória como a primeira pesquisadora nível 1A da Universidade e do Espírito Santo.

Em seu discurso, o reitor Eustáquio de Castro reafirmou que a submissão da proposta de inclusão do quadro na galeria reitoral não é uma mera formalidade burocrática, mas um imperativo de justiça histórica e institucional, reconhecendo a manifestação soberana da comunidade universitária que, em um processo democrático, conduziu Ethel Maciel ao topo da lista tríplice como a mais votada.

“Em um processo legítimo e participativo. Por conta de circunstâncias e decisões externas, que fugiram ao controle da nossa autonomia, ela não foi nomeada à época. No entanto, isso jamais poderia apagar a relevância de sua eleição. Celebrar a trajetória da professora Ethel reforça o compromisso inegociável da nossa Universidade com o fortalecimento da presença feminina nos espaços de poder”, afirmou.

Foto da sala dos conselhos repleta de convidados
Autoridades, docentes, técnicas e técnicos-administrativos, gestores da Universidade, estudantes, amigos, amigas e familiares da professora lotaram a Sala dos Conselhos

Já a vice-reitora da Ufes, Sonia Lopes, destacou a necessidade de nomear com clareza a violência política de gênero, manifestada em práticas de deslegitimação, questionamentos seletivos, tentativas de silenciamentos e em formas sutis de exclusão. Ela ainda expressou a necessidade de defesa da democracia e da autonomia universitária. “Não há enfrentamento possível às desigualdades sem instituições democráticas fortes. Não há produção de conhecimento crítico, nem compromisso com a transformação social, sem universidades autônomas, livres de pressões indevidas e comprometidas com o interesse público”, opinou.

Adversidades

Visivelmente emocionada, Maciel lembrou as dificuldades enfrentadas durante o contexto político de sua eleição como a primeira reitora na Ufes para o quadriênio 2020-2024, entre elas o recurso ao Supremo Tribunal Federal (STF) junto a outros reitores e reitoras eleitos e não nomeados, e o pedido de impeachment do então presidente da República, Jair Bolsonaro, por crimes de responsabilidade na condução da pandemia de covid-19.

“Hoje sabemos que aqueles episódios não eram isolados. Eles faziam parte de algo maior. Os ataques às instituições. Os ataques à ciência. A deslegitimação das eleições. E, por fim, a tentativa de ruptura institucional que culminou nos episódios golpistas de janeiro de 2023”.

Foto da professora Ethel ao lado de seu quadro na galeria de reitores
O ato reconheceu Ethel Maciel como reitora eleita da Ufes

Ainda durante o seu discurso, a professora ressaltou as formas silenciosas de violência e a importância de não silenciar, uma vez que, quando uma mulher é silenciada na política, não é apenas uma voz que se cala: “É a própria democracia que se enfraquece. O silêncio institucional também fala e, às vezes, ele fala alto. Uma universidade não existe para agradar ao poder, ela existe para servir à sociedade e à democracia. Registrar na galeria de reitores a memória de uma eleição desrespeitada não muda o passado, mas impede que ele seja apagado”.

Carreira

Nascida em Baixo Guandu, noroeste do Espírito Santo, Ethel Leonor Noia Maciel é graduada em Enfermagem, mestre em Enfermagem de Saúde Pública, doutora em Saúde Coletiva/Epidemiologia e pós-doutora em Epidemiologia. Foi vice-reitora da Ufes entre os anos de 2013 e 2020, e secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde entre 2023 e 2025.

Em 2025, integrou o Grupo Estratégico da Organização Pan-Americana de Saúde para a Eliminação de Doenças/PAHO-Washington. Desenvolve suas atividades no campo da Saúde Coletiva, com ênfase em Epidemiologia, atuando principalmente nos temas saúde global, métodos epidemiológicos, epidemiologia de doenças infecciosas e análise de controle de epidemias (covid-19, zika vírus, febre amarela, Mpox). Conduz atividades de divulgação da ciência e combate à desinformação e, recentemente, foi enviada especial da COP-30 para o setor Saúde. Também é atuante na causa das mulheres na ciência.

Fotos: Ana Oggioni