UnB integra projeto nacional de pesquisa sobre o pré-sal em parceria com a Petrobras

Iniciativa busca soluções para análise de processos geológicos de reservatório na Bacia de Santos. Universidade contribui com infraestrutura científica

  • Guilherme Marinho 

A Universidade de Brasília (UnB) participa de um projeto de pesquisa nacional voltado ao desenvolvimento de tecnologias para ampliar o conhecimento geológico do pré-sal brasileiro. A iniciativa, denominada Libra Rocks, cujo investimento é de R$ 151 milhões, reúne o Consórcio de Libra, operado pela Petrobras, e instituições de pesquisa do país para estudar rochas do reservatório do campo de Mero, localizado na Bacia de Santos, uma das áreas mais importantes da produção de petróleo no Brasil.

Selecionada por meio de chamada pública da Petrobras, a UnB é uma das três universidades responsáveis pelo desenvolvimento científico do projeto, ao lado da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS). 

Na UnB, a coordenação do projeto é da professora do Instituto de Geociências (IG) Paola Ferreira Barbosa. Segundo a pesquisadora, a Universidade terá papel central na criação de soluções baseadas em dados para apoiar a análise e aprimorar os métodos de caracterização de processos geológicos associados ao pré-sal, com competências em diferentes áreas.

“O projeto busca integrar dados geológicos, geoquímicos, mineralógicos, ciência de dados e inteligência artificial para agilizar os processos de descrição e interpretação de processos geológicos relacionados ao pré-sal”, explica.

Com participação da UnB, projeto com a Petrobras aposta em ciência de dados e inteligência artificial para inovar nos estudos do pré-sal e formar novos pesquisadores. Foto: Divulgação


As pesquisas envolvem o estudo detalhado das rochas carbonáticas que compõem os reservatórios do pré-sal. A análise dessas formações permite compreender melhor características como porosidade e permeabilidade, fatores essenciais para entender o armazenamento e o fluxo de petróleo nas rochas.

De acordo com a coordenadora, a UnB se destaca pela infraestrutura científica disponível para a execução das pesquisas. “A Universidade detém grande parte da infraestrutura e dos equipamentos necessários ao desenvolvimento do projeto. Esta infraestrutura será ampliada com a aquisição de equipamentos de ponta com configuração única no país”, adianta.

POTENCIAL CIENTÍFICO – Na UnB, a equipe contará com cerca de 20 professores e técnicos, de diferentes grupos e laboratórios especializados, diretamente envolvidos nas pesquisas. Além disso, cerca de 60 bolsistas deverão ser selecionados por meio de editais públicos, incluindo estudantes de graduação, mestrado, doutorado e pós-doutorado.
Entre os docentes envolvidos está o professor Roberto Santos, também do Instituto de Geociências. “A equipe de Brasília reúne grupos das geociências, da física e da engenharia que trabalharão juntos na busca por soluções inovadoras”, explica. Pesquisadores da Faculdade de Tecnologia (FT) e do Instituto de Física (IF) também participam do projeto.

Para Paola Barbosa, a iniciativa representa uma oportunidade importante de fortalecimento da ciência brasileira e da “capacidade nacional em geociências aplicadas à energia”. “O projeto tem potencial de transformar recursos de pesquisa e desenvolvimento da indústria em formação de pessoal qualificado, infraestrutura científica e conhecimento estratégico para o país”, afirma.

Segundo a pesquisadora, a iniciativa também ampliará a participação de estudantes em atividades científicas e ajudará a consolidar a infraestrutura de pesquisa da Universidade. “A magnitude desse projeto é um marco para as geociências brasileiras e reforça o papel estratégico do investimento em pesquisa em centros de pesquisa e universidades públicas”, frisa.
O Consórcio de Libra é operado pela Petrobras (38,6%), em parceria com a Shell Brasil (19,3%), TotalEnergies (19,3%), CNPC (9,65%), CNOOC (9,65%) e Pré-Sal Petróleo S.A – PPSA (3,5%), como gestora do contrato e representante da União na área adjacente do campo.

Fonte: UnB