UFC lidera pesquisa nacional para escutar crianças e adolescentes sobre aferição de idade na internet

Uma pesquisa de alcance nacional, realizada a partir da Universidade Federal do Ceará (UFC), vai ouvir de maneira ampla crianças e adolescentes brasileiros sobre suas experiências com os mecanismos de aferição de idade utilizados por plataformas digitais, redes sociais, jogos online e serviços de streaming.

Em uma sala com iluminação lilás, duas crianças, uma menina e um menino, estão sentados em um bloco de madeira branco de lado, as costas de um apoiada nas costas da outra. Os dois estão de cabeça baixa olhando seu respectivo celular
O objetivo principal da pesquisa é compreender como crianças e adolescentes de 9 a 17 anos percebem os sistemas de verificação etária na internet (Foto: Ron Lach/Pexels)

Intitulada “Escutas de Crianças e Adolescentes sobre Processos de Aferição de Idade em Ambientes Digitais”, a iniciativa integra as atividades de 2026 do Laboratório de Pesquisa da Relação Infância, Juventude e Mídia (LabGrim) e é coordenada pela professora Georgia Cruz, do Instituto UFC Virtual, com o apoio de pesquisadores doutores, doutorandos, mestrandos e estudantes de graduação.

O estudo possui financiamento do Ministério da Justiça e Segurança Pública, através da Secretaria de Direitos Digitais, por meio de Termo de Execução Descentralizada (TED). Seu objetivo principal é compreender como crianças e adolescentes de 9 a 17 anos percebem esses sistemas de aferição e levantar evidências que contribuam para o aprimoramento de políticas públicas de proteção das infâncias e adolescências no ambiente virtual.

Para isso, a pesquisa adotará uma abordagem qualitativa e exploratória, com a realização de grupos focais em diferentes regiões do Brasil. São planejados 12 grupos de discussão com crianças e adolescentes das cinco regiões do país. Os encontros buscarão contemplar a diversidade sociocultural brasileira, integrando também grupos específicos formados por públicos que frequentemente enfrentam barreiras adicionais de participação social, como comunidades quilombolas, indígenas e jovens com diferentes tipos de deficiência.

A coordenadora do estudo destaca que a expansão acelerada das tecnologias digitais ampliou significativamente a presença de crianças e adolescentes na internet. “Esse cenário, ao mesmo tempo, trouxe novos desafios relacionados à exposição a conteúdos inadequados e a diferentes riscos digitais”, aponta. 

Os resultados da pesquisa serão organizados e publicados em relatórios analíticos com os desafios e as oportunidades para o aprimoramento das estratégias de aferição etária e para a garantia dos direitos de crianças e adolescentes na rede.

SAIBA MAIS – Em março de 2026, entrou em vigor no Brasil a Lei nº 15.211/2025, conhecida como Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital), que estabelece diretrizes para a proteção desse público no ambiente digital. Uma das principais mudanças é a exigência de mecanismos confiáveis de verificação etária. Até então, muitas plataformas adotavam dispositivos baseados na autodeclaração de idade, estratégia considerada limitada e frequentemente burlada pelos usuários.