Luciano Moreira criou ténica de combate ao Aedes aegypti por meio de uma bactéria que impede a multiplicação dos vírus da dengue. Ele entrou na UFV em 1986, onde também fez mestrado e doutorado.
Por g1 Zona da Mata — Viçosa

Ex-aluno da Universidade Federal de Viçosa, da graduação até o doutorado. Assim é a formação acadêmica do pesquisador brasileiro Luciano Moreira, que está na lista das 100 pessoas mais influentes do mundo em 2026 pela revista ‘Time’.
O pesquisador está na seção de “inovadores”, por criar um método de combate à dengue baseado na reprodução de mosquitos Aedes aegypti infectados com a Wolbachia, bactéria que impede a multiplicação de vírus como que causam dengue, zika e chikungunya.
No ano passado, ele já tinha sido destaque na revista ‘Nature’ como um dos 10 cientistas que moldaram a ciência em 2025.
Além de Moreira, o Brasil tem apenas dois outros representantes na lista: a também pesquisadora Mariangela Hungria, pelo trabalho pioneiro pelo uso de bactérias e fungos como fertilizantes naturais, e o ator Wagner Moura, pela atuação no filme “O Agente Secreto”, que concorreu ao Oscar.
Entrada na UFV em 1986
Luciano Moreira entrou no curso de agronomia da UFV em 1986, já interessado em iniciação científica e no estudo da entomologia, especialmente de insetos-praga.
Em 1992, iniciou o mestrado em fitotecnia, quando pesquisou um percevejo predador com potencial para o controle biológico de pragas agrícolas.
Também fez doutorado em genética e melhoramento de plantas pela UFV, quando buscou identificar genes associados à resistência do tomateiro a uma mosca considerada praga. Nesse período, desenvolveu parte da pesquisa no Centre of Plant Breeding and Reproduction Research, na Holanda. Depois, seguiu nos estudos de pós-doutor na área de mosquitos e malária Case Western Reserve University (Cleveland-OH).
Desde 2002, atua como pesquisador em saúde pública no Instituto René Rachou/Fiocruz, na área de biologia molecular e participou da descoberta de que a bactéria Wolbachia é capaz de bloquear vírus transmitidos pelo Aedes aegypti.
Mosquito modificado que não transmite dengue
O conhecimento levou o pesquisador à criação do Wolbito do Brasil, maior biofábrica do mundo dedicada à produção de mosquitos modificados. Hoje, a produção faz parte da política pública brasileira de combate à dengue, zika e chikungunya.
“O método saiu do campo científico e agora é uma forma de controle, listada como uma política pública pelo Ministério da Saúde”, explicou.
Para ele, o reconhecimento internacional do trabalho tem relação com anos de estudo e o com apoio oferecido aos trabalhos de pesquisa. Enquanto a fase larval pode durar meses em riachos limpos e oxigenados, a fase adulta é dedicada exclusivamente à reprodução.
“Eu tive bolsa CNPq desde a iniciação científica, lá no começo da graduação, e isso foi fundamental para minha formação. Ao longo da carreira, também tive projetos apoiados pela UFV, que marcaram a minha jornada científica”.