UFRGS recebe ministra Cármen Lúcia para aula magna sobre democracia, paz e violência de gênero

Fotos: Amanda Casartelli e Pietro Scopel/Secom UFRGS

Diante do Salão de Atos lotado e com mais de 3,5 mil pessoas assistindo ao vivo a transmissão da UFRGS TV pelo YouTube, a ministra do Supremo Tribunal Federal Cármen Lúcia Antunes Rocha abriu sua Aula Magna, na noite desta sexta-feira, 24 de abril, manifestando sua satisfação por estar na Universidade: “Este é o Brasil que me alegra… este é o ambiente que me faz acreditar no Brasil”. A ministra conduziu sua fala bem ao estilo de uma prosa: como boa mineira, Cármen Lúcia disse que gosta mesmo é de prosear. E assim foi: interrompida algumas vezes por aplausos e risadas da plateia, ela conseguiu falar sobre um tema sério, urgente e triste – “Violência contra a mulher: desafios contemporâneos e caminhos para o enfrentamento” – de forma descontraída e afetuosa, propondo reflexões a partir de três itens: Democracia e Paz, Paz e Violência e Violência contra o gênero feminino. Referindo-se muitas vezes à Constituição Federal de 1988, Cármen Lúcia destacou as garantias constitucionais de liberdade e de igualdade e afirmou que o texto propõe a libertação, permite o “movimento democrático da vida” com o outro, a possibilidade libertadora de, com base no que o Direito assegura, as pessoas viverem os papéis que quiserem desenvolver respeitando o outro, o que faz com que se tenha uma vida muito melhor e se possa viver em paz.

Ao afirmar que se vive no Brasil “uma barbárie contra a mulher” e um “estado de violência constitucional”, a ministra disse que precisamos uma democracia que assegure a paz, a paz como oposto à violência de qualquer tipo, não só a praticada no espaço doméstico, mas também no ambiente público. Ela entende que é possível reverter esse quadro, expandindo a capacidade de nos igualarmos: “não acho que seja fácil, mas é imprescindível”, disse.

Cármen Lúcia lembrou também da violência de gênero na política, com discursos de ódio sexistas que muitas vezes fazem as mulheres renunciarem a sua vocação. Ela revelou que gostaria de propor para as eleições de 2026 a criação “brigadas eleitorais” para candidatas mulheres, a exemplo do funcionamento das Patrulhas Maria da Penha.

Por fim, a ministra afirmou que quer a paz democrática, com respeito a todos os direitos e que seu coração bate com todas as forças por um Brasil justo e solidário, como batia quando ela tinha 16 anos e iniciava o curso de Direito.

A Aula Magna teve transmissão ao vivo pela UFRGS TV com interpretação na Língua Brasileira de Sinais (Libras), e a gravação está disponível para acesso no YouTube.