Convidada destaca em palestra que a defesa do Estado Democrático de Direito deve ser intencional e permanente. Atividade marcou os 64 anos da Universidade
Guilherme Marinho

“A vida, como a democracia, se faz todo dia. Não é fácil. A vida é frágil, a democracia é frágil, mas elas são ótimas e necessárias”, afirmou a ministra do Supremo Tribunal Federal Cármen Lúcia durante aula magna da Universidade de Brasília realizada nesta quarta-feira (22). O evento ocorreu no auditório da Associação dos Docentes da Universidade de Brasília (ADUnB), que estava repleto, um dia após a UnB completar 64 anos.
A reitora Rozana Naves abriu a atividade e destacou o sentido do encontro. “A campanha institucional reafirma o compromisso com a defesa do Estado Democrático de Direito e com a participação social”, introduziu a gestora, conectando o momento atual com episódios marcantes da Universidade nestas seis décadas. Ela relembrou a repressão sofrida pela UnB durante a ditadura, quando “tropas invadiram o campus, interromperam atividades acadêmicas, perseguiram professores e estudantes”.
LIBERDADE – Cármen Lúcia iniciou a palestra afirmando que sua presença na UnB simboliza um compromisso com a democracia. “A Universidade de Brasília representa a esperança de um Brasil democrático”, declarou. A ministra reforçou a ideia de prática contínua da democracia.

“Se a gente não cuida todos os dias da vida, ela se perde. Assim é a democracia. Todo dia nós lutamos por ela. Não é retórica, não é discurso: é para ser vivida.”
A ministra analisou o cenário contemporâneo e apontou os desafios atuais. “Nós temos perguntas inéditas e temos que inventar respostas”. Ela citou a crise climática, as transformações tecnológicas e os riscos às liberdades, defendendo o fortalecimento da democracia.
“Cada vez mais é necessário mais democracia, para construir sociedades mais fraternas e com mais justiça”, declarou.
VIVÊNCIA ACADÊMICA – Cármen Lúcia ressaltou o papel das universidades como espaços de convivência, diversidade e formação crítica. “Não há tecnologia no mundo que substitua o olhar do outro. Não há conversa que substitua o abraço”, ponderou, ao lembrar os impactos do distanciamento durante a pandemia.
Ao falar sobre acesso ao ensino superior, a ministra pontuou que houve avanços, mas alertou para desigualdades persistentes. “Ainda há um mundo de pessoas neste país que não pode escolher o que quer ser”, analisou, mencionando especialmente as dificuldades enfrentadas por meninas e mulheres ao longo da história.

Ao final, dirigiu-se aos estudantes, destacando o papel central deles na Universidade. “A escola existe por causa do estudante. Nós, professores, somos nuvens passageiras; os estudantes é que ficam.” Encerrando sua fala, a convidada reforçou o sentido transformador da educação. “O que eu quero é que vocês sejam felizes, que vocês sejam o que quiserem ser!”
Cármen Lúcia é ministra do Supremo Tribunal Federal desde 2006. Ela presidiu a Corte e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) de 2016 a 2018. Atualmente é presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A magistrada também é professora titular de direito constitucional na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas) e coordena o Núcleo de Direito Constitucional.
A presença da ministra na Universidade neste 22 de abril reconhece o passado da UnB na defesa da democracia e indica que esse compromisso identitário segue vivo para perdurar pelas próximas décadas.
Fonte: UnB