UFMG: Pesquisa quer compreender como a IA reconfigura a ‘autoridade epistêmica’

Mestranda da Ciência Política está recrutando voluntários na comunidade acadêmica para participação em grupos focais entre os dias 13 e 17 de julho

Por Luana Macieira (UFMG)

UFMG já oferta disciplinas que debatem o uso e os desafios da IA

Pesquisadora do Programa de Pós-graduação em Ciência Política (PPGCP) da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (Fafich) está em busca de voluntários para participar de estudo sobre o uso de inteligência artificial (IA) no ensino superior. O estudo é desenvolvido pela estudante Victória Cecilia Ruiz Lima, sob orientação do professor Ricardo Fabrino Mendonça.

O estudo, afirma Victória Ruiz, busca entender como ocorre o uso da IA nos ambientes universitários e quais são seus impactos. “De forma mais específica, tenho como objetivo entender como as IAs – principalmente as de natureza generativa – estão reconfigurando o que entendemos por autoridade epistêmica, ou seja, a autoridade de uma pessoa ou instituição reconhecida como fonte confiável para determinar ou indicar aquilo em que devemos confiar ou acreditar”, diz.

Os interessados em participar podem se inscrever por meio do preenchimento de formulário on-line até esta sexta-feira, 10 de julho. Os selecionados serão incluídos em grupos focais, cujas sessões, programadas para o período de 13 a 17 de julho, terão duração de duas horas. Serão formados três grupos: um com estudantes de graduação, outro com mestrandos e um terceiro com doutorandos. Cada grupo terá entre oito e dez participantes. A adesão é voluntária, e os dados serão tratados de acordo com as normas da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

“Depois da realização dos grupos, esses dados serão transcritos e analisados à luz do que tenho lido e desenvolvido na dissertação até aqui. O recrutamento de participantes já pressupõe que os interessados utilizam a IA em atividades cotidianas. A partir daí, as perguntas serão formuladas de modo a entender como ocorre esse uso, como ele impacta a forma como os estudantes pensam o próprio processo de aprendizagem e pesquisa, como afeta a relação com a figura do professor e as tensões que dela decorrem e como impacta a forma como pensamos a universidade, tradicionalmente vista como um locus de produção do conhecimento e da verdade”, analisa a pesquisadora.

IA na UFMG
Em 2024, a Universidade instituiu uma Comissão Permanente de IA para orientar o uso da tecnologia no ensino superior, incentivando pesquisas, ações de capacitação e parcerias estratégicas. Com foco em transparência, privacidade e justiça, o grupo também busca integrar a ferramenta, de forma responsável, às práticas acadêmicas e administrativas da Universidade. Além da Comissão, a UFMG oferece disciplinas relacionadas ao tema.

Victória Ruiz afirma que a IA nas universidades não é mais uma possibilidade distante, mas uma realidade. A pesquisadora relembra que, no ano passado, ao participar da elaboração do questionário aplicado à comunidade acadêmica da UFMG sobre o uso da tecnologia, pôde observar que ainda existem incertezas e tensões em relação à sua utilização.

“É impossível negar que a IA vem sendo utilizada em diversos contextos no meio acadêmico, mas esse uso também apresenta riscos, como questões relacionadas à privacidade e ao compartilhamento de dados sensíveis, problemas envolvendo autoria, vieses e conteúdos problemáticos que esses sistemas podem ajudar a reforçar, além do compartilhamento de informações incorretas. Esses são elementos que caminham juntamente com os benefícios da IA. Por isso, queremos entender de que forma esse uso ocorre para que possamos discutir esse tema com propriedade, de maneira aberta e sob uma perspectiva crítica”, conclui.