Seminário realizado em Brasília integrou a programação do Fórum RNP e marcou o primeiro dia da 188ª Reunião Extraordinária do Conselho Pleno da Andifes


A governança de dados, o uso responsável da inteligência artificial (IA) e a segurança da informação estiveram no centro dos debates do seminário “Desafios e Caminhos da Segurança da Informação nas Universidades Federais”, realizado nesta terça-feira (25), em Brasília. A convite da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), o seminário integrou a programação do Fórum RNP e marcou o primeiro dia da 188ª Reunião Extraordinária do Conselho Pleno da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes).
Na abertura do encontro, a coordenadora do Colégio de Gestores de TIC das IFES (CGTIC/Andifes), Lidiane Cristina da Silva, destacou a importância da governança de dados para o desenvolvimento e a implementação de iniciativas de inteligência artificial. As discussões ressaltaram a necessidade de políticas, estratégias e planos de implementação que orientem a gestão e o uso adequado dos dados nas instituições. Também foi enfatizada a relevância do uso estratégico de dados para apoiar a tomada de decisões, aprimorar processos e contribuir para a geração de resultados concretos para estudantes, servidores e a sociedade.
A integração dos sistemas nacionais de educação também esteve entre os principais temas discutidos. Nesse contexto, foram apresentadas duas propostas de plataformas voltadas a ampliar a integração e o compartilhamento de informações entre as instituições. A Infraestrutura Nacional de Dados de Educação (INDE) tem como objetivo promover maior interoperabilidade entre os sistemas, contribuindo para reduzir a burocracia na trajetória acadêmica dos estudantes. Já a Plataforma Nacional de Dados de Educação busca criar uma estrutura que permita a comunicação entre diferentes sistemas, facilitando o compartilhamento e a integração de informações de forma padronizada. Entre os dados que poderão ser integrados estão informações sobre matrículas, estudantes com deficiência e processos de heteroidentificação.
O uso da inteligência artificial na educação e nos serviços públicos também ganhou destaque. Foram apresentadas iniciativas do Ministério da Educação voltadas à elaboração de referências técnicas para o uso da tecnologia, com foco no combate às desigualdades educacionais. Também foram mencionados ambientes regulatórios experimentais, os chamados sandboxes, nos quais soluções de IA são desenvolvidas e avaliadas em conjunto com órgãos jurídicos do governo. Guias para engenharia de comandos (prompts), diretrizes para o uso de IA generativa por servidores e plataformas centralizadas para criação de serviços automatizados de atendimento estão entre as iniciativas em desenvolvimento.
Os participantes discutiram ainda as especificidades das redes universitárias e alternativas para desafios comuns, como a contratação compartilhada de serviços e o desenvolvimento colaborativo de softwares e sistemas integrados de gestão, buscando ampliar a eficiência e otimizar recursos.

As discussões sobre transformação digital e soberania também estiveram presentes nos painéis realizados paralelamente à programação principal do seminário. Vice-presidente da Andifes, o reitor Edward Pessano (Unipampa) participou do painel “Debate sobre o papel do Estado na construção de capacidades nacionais em infraestrutura digital, dados, computação e IA”. A atividade abordou a importância da articulação entre instituições públicas para o fortalecimento da soberania digital brasileira, com investimentos em infraestrutura tecnológica, dados, computação e formação de profissionais qualificados.

A reitora Tanara Lindner (UFAM) integrou o painel dedicado à implantação dos Centros Nacionais de Dados (CNDs), iniciativa apresentada como estratégica para fortalecer a soberania digital do Sistema Nacional de Educação, Ciência, Tecnologia e Inovação. A proposta prevê uma infraestrutura capaz de armazenar de forma segura dados científicos, acadêmicos e administrativos, além de oferecer suporte a ambientes de computação de alto desempenho e aplicações de inteligência artificial.

Ao reunir especialistas e dirigentes para discutir temas estratégicos como governança de dados, inteligência artificial, segurança da informação e infraestrutura digital, o encontro ampliou o diálogo sobre soluções compartilhadas e estratégias de longo prazo. As discussões reforçaram o papel estratégico das universidades federais nesse processo, não apenas na produção de conhecimento e na formação de profissionais, mas também no desenvolvimento de tecnologias e na construção de capacidades nacionais voltadas à promoção da soberania digital.