“Quiabentia pelodaserra” foi descoberta na região do Distrito de Irecê

“Vocês pegaram o pêlo-da-serra? Esse gruda em todo mundo!”, disse um morador da região do Distrito de Irecê, no centro-norte da Bahia, aos pesquisadores que discutiam qual nome dar à espécie recém-descoberta de quiabento.
A observação, feita durante o trabalho de campo, ajudou a batizar a nova espécie como Quiabentia pelodaserra. Ela foi identificada pelos pesquisadores Daniela Zappi, da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), José Alves Siqueir, da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) e Nigel Taylor, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).
A planta foi encontrada em afloramentos de calcário em uma propriedade privada da região de Irecê e apresenta características que a diferenciam das outras espécies conhecidas do gênero. Suas flores são brancas e ficam pendentes em relação ao caule, enquanto os espinhos, também brancos, contrastam com as rochas calcárias onde a planta cresce. É justamente a estrutura desses espinhos que ajuda a explicar o nome popular dado à planta. Finíssimos e microscopicamente barbados, eles se prendem aos braços e às pernas de quem passa pela vegetação.
Além da aparência, o comportamento das flores também distingue a nova espécie. Enquanto as outras do gênero possuem pétalas rosa-choque e flores que se abrem durante o dia, as flores da Quiabentia pelodaserra permanecem abertas durante a noite, apresentam odor desagradável e produzem néctar abundante.

A Quiabentia pelodaserra é a terceira espécie conhecida do gênero. Até então, havia registros de uma espécie nos afloramentos de calcário da região do Peruaçu, no norte de Minas Gerais, e outra na Bolívia.
Para Daniela Zappi, a descoberta chama atenção para o quanto a biodiversidade da Bahia ainda pode surpreender, mesmo após décadas de pesquisa. “Depois de mais de 20 anos estudando as cactáceas da Bahia, é uma grande novidade encontrar ainda uma que não tinha sido descrita”, afirma.
A nova espécie ocorre no chamado Distrito de Irecê, uma subdivisão biogeográfica que reúne áreas de afloramentos de calcário e concentra espécies endêmicas, ou seja, que ocorrem exclusivamente em determinada região. O Distrito de Irecê é uma das três regiões de afloramentos de calcário do grupo Bambuí e, segundo estudos anteriores, a menos conhecida delas. A ocorrência da Quiabentia pelodaserra também estabelece uma conexão com o Distrito de Peruaçu, onde cresce a espécie Quiabentia zehntneri.
Fonte: UFRB