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Grevismo ocioso

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Após 139 dias, chega ao fim a mais longa greve de professores das universidades federais. E termina com fracasso retumbante, não tanto por não terem sido atendidas suas reivindicações irreais, mas pelo enorme prejuízo que infligiram a seus estudantes.

A reposição das aulas perdidas, todos sabem, não passa de uma farsa. O conteúdo que deixou de ser ministrado, as leituras que não foram realizadas e os trabalhos que não foram escritos nunca serão de fato recuperados.

Profissionais, pesquisadores e intelectuais mais mal formados são o único resultado patente de tamanho abuso do direito de greve –em si mesmo inquestionável se dentro dos limites legais, mas não se pode dizer o mesmo da atitude leviana dos docentes. Fazem paralisações a torto e a direito porque, como funcionários públicos, não correm o risco de perder o emprego.

Os professores das federais exigiam um reajuste salarial de 27%, a título de reposição de perdas inflacionárias desde 2010. Nem cabe aqui debater a justiça de tal reivindicação; qualquer pessoa razoável e informada sabe que ela se mostra impossível de acatar, diante do estado calamitoso das finanças públicas nacionais.

Sob o pretexto de preservar gastos sociais e impedir um suposto “projeto de precarização e privatização da educação”, os docentes perseguem em realidade estreitos objetivos corporativistas.

Não é a primeira categoria de servidores, e por certo não será a última, a proceder com tamanha desconsideração pelo público que paga seus salários e deles espera um mínimo de profissionalismo.

Do início de julho ao final de setembro, a paralisação de funcionários do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) também teve por meta conquistar disparatados 27% de aumento.

Nesse caso o dano foi ainda mais palpável. Afetou o bolso de gente necessitada, com uma queda de 62% na concessão de salário-maternidade, 54% na de pensões por morte e 30% na de auxílio-doença.

Funcionários públicos compõem um estamento privilegiado na sociedade brasileira. Ainda que se observem muitas disparidades salariais entre as diversas funções, costumam ganhar mais que os proventos praticados no setor privado, gozam de razoável estabilidade e contam com condições vantajosas de aposentadoria.

Nada mais justo, portanto, que refreiem sua tendência usual a lesar o público para pressionar o governo e adiem de forma temporária suas expectativas de remuneração. Afinal, com a recessão em curso, empregos e rendimentos se acham ameaçados por toda parte –à exceção dos seus.

Folha de São Paulo

 

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